Arvorismo

Porto Seguro - Copyright©2013 Rainer Brockerhoff
 

O desejo de avançar
…e de recuar
os degraus atraem
soltos no ar.
Vencido o tremor
a sensação é boa
sente-se leve à toa
como a esperança
dependurada no fio…

Copyright ©2013 Maria Brockerhoff

Luís Vaz de Camões

Ao Desconcerto do Mundo

Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando ao cansar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado:
Assim que, só para mim
Anda o mundo concertado.

Big Band P. Artes — Nestor Lombida

Pela primeira vez, assistimos ao show da Big Band Palácio das Artes. Uma agradável e afinada surpresa! Há cinco anos, a BBPA vem apresentando boa música sob a batuta do pianista e violonista, maestro e arranjador Nestor Lombida, formado pela Escola Nacional de Arte de Havana, Cuba.

Nestor se envolve, se incorpora e se transforma em ritmo. Tem uma forte presença alegre e carismática. Com os outros talentosos músicos a Big Band executa arranjos modernos e desafiadores.

A platéia, praticamente lotada, entusiasmou-se em aplausos prolongados. É uma sorte para os brasileiros que Nestor tenha escolhido esta terra para multiplicar seus talentos!

Uma Big Band geralmente tem 17 músicos: 4 trombones, 5 saxofones, 4 trompetes ou similares, piano, bateria, contrabaixo e guitarra. A BBPA acrescenta um trompete e, em algumas peças, um percussionista. Em contraste com outras formas de jazz, onde o improviso é constante, uma BB toca arranjos complexos e muito bem ensaiados intercalados com um ou dois solos improvisados. Nesse espetáculo, gostamos especialmente de “Transit”, composição do jovem maestro canadense Darcy James Argue — já esteve em Belo Horizonte. Veja esta peça executada pela BB do compositor, a “Secret Society“:

Note o solo de trompete na marca dos 3:00 minutos. A “idade de ouro” das Big Bands foi de 1930 a 1945 nos Estados Unidos e, no Brasil, na década de 60. O formato foi perdendo a popularidade por ser caro, devido ao número de integrantes e difícil de ser bem executado, devido à complexidade dos arranjos. Felizmente as BBs ainda existentes são de excelente qualidade, sobejamente comprovado pela BBPA.

Uma parte do concerto foi executada pelo Lyrical Jazz, pequeno conjunto com Rita Medeiros, cantando também alguns “standards” com a BBPA. Tem uma voz belíssima e bem afinada. A técnica é impecável… falta-lhe uma pitada de sal ou de pimenta!

Basílica do Vaticano – uma visita

A Basílica de São João de Latrão foi construída no Século IV pelo imperador Constantino. Lá estão sepultados 21 papas. Esta Basílica é a Catedral do Bispo de Roma, hoje, Papa Francisco.

A Universidade Villanova, na Pennsilvânia, nos oferece a possibilidade incrível de viajar confortavelmente, com imagens panorâmicas e música belíssima, por todo o complexo da Basílica. Basta ligar o som do computador e, após seguir o link, clicar em qualquer dos pontos destacados no mapa. Gire o panorama segurando o mouse em qualquer ponto e movendo-o na direção desejada.

Cadeira do Papa - Wikimedia Creative Commons License

Se você gostou, veja mais aqui…

…ao amigo Háj, nosso guia por estes caminhos mágicos.

O Vestido Branco — Conto

O melhor das reuniões na casa do avô era justamente o fim de festa.

Quando a maioria dos convidados já havia se retirado, cada um dos veteranos destes encontros se acomodava para ouvir as narrativas bem-humoradas.

Assim, começa o avô:

— Coragem e medo se entrelaçam de tal forma, impedindo saber qual emoção forjou os heróis e os covardes em situações incomuns.

A atenção de todos se mobilizou, pois viria a seguir, como sempre, um caso inédito e — melhor — verdadeiro.

— Uma amiga dos tempos de juventude viveu uma experiência na qual a mistura frenética de temor e audácia trouxe-lhe assombrosa presença de espírito.

Mariana fora a uma festa. À saída, alguém propôs acompanhá-la, devido à hora tardia e à distância do sítio, fora da cidade. Ela declinou o oferecimento, pois gostava de dirigir pelas pistas vazias na madrugada e o mundo era outro. A violência urbana estava longe, figurava nos jornais da cidades grandes; os assaltantes, ainda, pareciam seguir um código de honra e a figura do malandro se enquadrava na romântica descrição de Chico Buarque.

A amiga dirigia sem pressa, quando veio um vento forte anunciando chuva boa. Depois de alguns instantes, a estrada pareceu-lhe estranha, embora passasse por ali algumas vezes, erma e abandonada.

Nenhum carro à vista; Mariana, sem saber bem a razão, subiu os vidros; naquele trecho não havia postos de gasolina, botecos, nem fiscalização; sentiu laivos de arrependimento por não ter aceito companhia. Com mais alguém, certamente, a ameaça de tempestade não a perturbaria tanto.

Para aliviar a tensão, Mariana tenta planejar a viagem da semana seguinte. Um ruído diferente no motor, porém, desviou-lhe o pensamento. A velocidade do carro diminuiu mesmo com pé no acelerador. Falta de gasolina? Tinha de sobra.

Dirige-se ao acostamento onde o motor morre. Um pesadelo! Acordar… o único remédio para se livrar dos receios apertando-lhe o peito. Respirou fundo para se controlar e refletir sobre uma possível saída.

Como num ritual para baixar a excitação, retirou, lentamente, as pulseiras, os anéis, os brincos, o colar, colocou todas as jóias na bolsa, deixando-a debaixo do banco.

Ao descer do carro o vento fustiga-lhe o rosto, agita-lhe os cabelos. Mesmo assim, tentaria fazer o motor funcionar; possuia, para a gozação da turma, alguns dons de mecânica e, até, sabia trocar pneus… com rapidez!

Abriu o capô.  A sua figura esguia, num longo esvoaçante vestido branco, era mesmo surrealista… antes de se curvar sobre o motor, uma voz grossa a faz virar:

— A bolsa ou a vida! (este era o jargão naqueles bons tempos)

Diz-lhe um sujeito forte apontando-lhe um revólver.

O susto imobilizou Mariana à luz de um relâmpago, tornando-a terrivelmente pálida. O pavor a faz fitar diretamente os olhos do assaltante, respondendo com uma firmeza e segurança que, naquelas circunstâncias, somente um ser sobrenatural teria:

— É interessante, quando eu era viva, ninguém pediu-me a bolsa… agora, já morta, você quer a minha vida?!

O ladrão, como atingido por um raio, desaparece morro abaixo sem sequer olhar para atrás.

Copyright ©1970-2013 Maria Brockerhoff

 

A Cruel dona das Rosas

Na rua de pedra da cidade de concreto há um jardim de roseiras de todas as cores.

Aquele canteirão em frente à penúltima casa antiga, esquina da avenida do contorno é, ainda, um jardim de vovó, onde as roseiras fartas, já troncudas e altas, se enrolam, se estendem pelas grades das janelas e da cerca. Alguns “matinhos” rastejam aos pés das rainhas vermelhas, rosas, amarelas, grandes, pequenas, que atraem os olhos de quem os tem!

Aqueles buquês abertos, semi-fechados, os botões são uma belíssima miragem ali na esquina de asfalto, de carros barulhentos, da selva citadina. Uma paradinha ali, em frente ao roseiral, é uma pausa deliciosa!

Outro dia, um jardineiro com um tesourão. Em volta, o chão forrado de folhas e pétalas coloridas.

— Por que? Foi a pergunta incrédula. O jardineiro abaixou os olhos, parecendo envergonhado, respondeu:

— A dona não quer roseiras altas…

Copyright©2013 Maria Brockerhoff

A moça da Academia…

…a roupa de ginástica branca colante, o top bem decotado realça os seios fartos e o bronzeado; a risada alta, os dentes clareados, a boca carnuda… sente-se a dona do pedaço.

Com gestos amplos e requebros atrai os professores à sua volta e todos os olhares do salão.

Dá até gosto observar os volteios, a maquiagem perfeita, a satisfação de reinar ali entre os equipamentos de fortalecer o corpo, absolutamente invisíveis para a morena bonita, de bunda arrebitada.

… a voz — uma pena! — uma oitava acima, desafinada… com um mínimo de percepção ficaria caladinha.

A moça-corpo, acompanhada do personal trainer, finge malhar, disfarça com pesos leves, desfila a malha bem justa; mais gritinhos e, cumprida a pantomima, vai-se…

Copyright©2012 Maria Brockerhoff

Calendário Chinês – Tigre

O Tigre é o símbolo das virtudes reais: coragem, lealdade e generosidade. Os chineses o consideram protegido pelos deuses que lhe trazem muita sorte nos momentos difíceis.

Em linhas gerais, o nativo de tigre gosta de aventuras, é dinâmico, costuma lançar-se, de corpo e alma, em projetos diversos. É impulsivo, curioso e aproveitador da boa vida. Muitas vezes rebelde, não suporta uma vida rotineira. No trabalho o tigre precisa de espaço para se desenvolver, mas nem sempre tem paciência para isto; não gosta de obedecer horários e raramente pensa antes de agir. Contudo, ao invés de reclamar sai em busca de novos caminhos.

No seu aspecto negativo, o tigre é indeciso e cheio de caprichos, tendendo a decisões precipitadas. Interessante é que nem sempre fracassa em suas aventuras, pois a sorte parece viver ao seu lado. Se os seus talentos não são reconhecidos, o tigre pode tornar-se agressivo, briguento e mesquinho.

Na vida profissional, o tigre se adapta muito bem às vendas, às artes plásticas, administração de empresas e turismo. O tigre é romântico, bem-humorado, às vezes ciumento. A duração de uma relação sentimental com o tigre dependerá muito da liberdade que lhe é dada; a melhor maneira de afugentá-lo é querer prendê-lo, pois detesta pessoas dependentes. Gostam de companheiros/as fortes.

Compatibilidades: o tigre não se dá bem com boi, tigre, coelho e serpente. É incompatível com carneiro e galo. Boas possibilidades com dragão e cão. O relacionamento com cavalo e porco é muito bom. Boa relação profissional com o rato.

O tigre de terra (elemento do signo de Bruno) é responsável, com uma grande força de vontade. Interessa-se pelas pessoas, utilizando seus talentos na defesa de causas justas. A característica do tigre de terra é ser menos ousado que os outros tigres, preferindo manter-se dentro de um estilo de vida bem definido e ser socialmente bem aceito.