Suiça — Grand Train Tour

Aqui os Alpes ficam aos pés da cama… não, não é exagero. Ao acordar, esta montanha maciça enche-nos os olhos.

Grindelwald, Suiça – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

É a primeira imagem de Grindelwald. Nesta época, início de primavera, fora de temporada de esqui, muitos hotéis se fecham e a cidadinha se oferece, principalmente, para turistas asiáticos.

Grindelwald, Suiça – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

O roteiro é muito bem organizado pelo Switzerland Travel Centre a partir de Zürich, banhada pelo rio Limmat, às margens do lago Zürichsee.

Zürich – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

O Hotel Wellenberg em Zürich é central, atendimento perfeito. Na universidade — fundada em 1833 — uma das mais avançadas da Europa, o Museu de Zoologia é espetacular. Este exemplar de preguiça gigante, um animal pacífico, viveu nas Américas há 20 mil anos.

Megatherium Americanum, Campus, Zürich – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Aqui, a criançada tem a oportunidade única de alargar a mente, de descobrir os próprios talentos. O restaurante universitário é de alto nível. O campus é um jardim só:

Campus, Zürich – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

A rota inicial: Zürich / Luzern / Giswil / Interlaken Ost / Grindelwald em trens panorâmicos. Não se pode cometer a heresia de descrever fotos ou paisagens; estas, no real, são absorvidas pelos poros ou reduzidas a selfies.

Giswil, Suiça – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff
Giswil, Suiça – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff
Brienz, Suiça – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Em Grindelwald o Hotel Eiger Selfness é um village, com jardins internos, estrutura completa de fitness, sauna e spa. Aqui é o embarque no trem amarelo para Jungfraujoch, um passo elevado entre os montes Mönch e Jungfrau. A cremalheira nos trilhos foi especialmente projetada para trechos íngremes.

Kleine Scheidegg, Suiça – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Alcança-se o topo em 78 minutos. Através de um túnel chega-se a um edifício gigantesco embutido na rocha com restaurantes, exposições, lojas, histórico da dificílima construção — 1896 a 1912 — e um palácio de gelo.

Jungfraujoch, Suiça – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Jungfraujoch é, mesmo, inimaginável para nós dos trópicos…

Jungfraujoch — Wikimedia Commons

Arles — os caminhos de van Gogh

Numa bifurcação do Rhône, Arles — no sul da França — é a porta de Camargue: uma região muito rica em biodiversidade, escolhida pelos flamingos e morada dos intrigantes touros negros. Ao anoitecer, aportamos neste canal do rio, protegido por muralhas.

Arles, França – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Neste canal havia uma ponte espetacular destruída na Segunda Guerra; restaram dois pilares e, relembrando a grandeza da obra, pares de leões em cada margem:

Arles, França – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Arles, nos séculos IV e V, foi um grande centro cultural e comercial; ocupada por diferentes povos, até que os romanos fincaram pé e permaneceram por mais de 800 anos. Daí as características construções bem conservadas até hoje. Claro, um magnífico coliseu faz parte do currículo do império romano:

Arles, França – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Aqui o passado volta com o clamor da turba, o rugido dos leões. Agora realizam-se festivais. Felizmente, nas touradas atuais, não se matam os touros; ágeis atletas tentam retirar as fitas dos chifres em uma arena civilizada.

Arles, França – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Ouvir o caloroso ritmo cubano num boteco da esquina em meio às ruínas romanas significa convívio saudável; aproximamo-nos e gente de todas as cores dançava alegremente.

Como sempre, perambular sem rumo é o melhor destino. Arles, especialmente, é uma caixa de surpresas.

Arles, França – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff
Arles, França – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Seguir os passos de van Gogh nos leva às suas telas: Terrasse du café le soir, La Chambre à coucherLes AlyscampsAutoportrait à l’oreille bandée, dentre outras. Vale ver o filme Loving Vincent. Aqui van Gogh cortou a orelha. A criatividade deste pintor era, para o mundo medíocre, alucinações e loucura. Para “preservar a ordem pública” (!), o povo de Arles exigiu do médico a internação deste gênio em hospital psiquiátrico.

Constantino I, o Augusto romano, construiu as excelentes termas. Os banhos, com a incrível idéia dos hipocaustos, foram outra característica do savoir vivre dos romanos:

Arles, França – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Arles, com uma história forte, é uma interrogação…

Avignon — Provence

Avignon é mesmo um cenário de filme. Dentro das muralhas todas as tragédias e grandezas das histórias humanas. É uma das cidades mais antigas de França.

Palais des Papes, Avignon – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Mesmo nesta segunda vez, o palácio dos papas de Avignon ainda nos surpreende.

Copyright© Jean-Marc Rosier, CC BY-SA 3.0

A corte papal se estabeleceu aqui devido às ingresias entre o papado e a coroa francesa. Em 1305, o rei Philippe IV forçou a eleição de Clemente V, que recusou mudar-se para Roma, devastada por lutas internas. A partir de então, seis outros papas reinaram aqui. As divergências se agravaram até o Grande Cisma na igreja católica: isto é, por quarenta anos, houve um papa em Roma e outro em Avignon. Esta situação anômala terminou por volta de 1417. Este período dos pontífices favoreceu o desenvolvimento arquitetônico e das artes em geral. O magnífico Palais des Papes é o mais importante em estilo gótico desde a idade média.

Copyright©2017 Paula Funell

O navio se aproxima bem devagar da Pont Saint-Bénézet sobre o rio Rhône. Originalmente com 900m e 22 arcos, foi destruída em 1226 durante uma ocupação; após a reconstrução foi levada algumas vezes pelas enchentes. Hoje restam apenas os românticos quatro arcos. Sur le Pont d’Avignon é a canção, há séculos, desta simbólica ponte.

Pont Saint-Bénézet, Avignon – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Ao perambular pelas ruelas…

Avignon – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff
Avignon – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

O centro antigo se transforma para nós em uma “ilha” com queijos, flores, boas risadas e imaginação à solta… assim, Ricardo Reis salta do livro (“O Ano da Morte de Ricardo Reis”, de José Saramago) e vem nos acompanhar sem rumo e sem destino. Do personagem a lucidez:

Solidão é não sermos capazes de fazer companhia a alguém ou a alguma coisa que está dentro de nós.

 

Ardèche — uma Serra do Espinhaço

O navio Swiss Gloria seguiu de Tournon-sur-Rhône para Le Pouzin, de onde fomos para Ardèche. Escondida em uma esquina do rio Rhône e dos Alpes esta região de montanhas de pedras: dessa vizinhança vem toda a beleza. Considerada área remota, com montes ondulados e verdes, lembra a belíssima Serra do Espinhaço.

Ardèche, França – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

O império romano dominou toda a Europa, sendo impressionante o avanço das construções nestas vilas seculares que preservam relíquias como este aqueduto:

Ardèche, França – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

O romântico rio Ardèche brinca formando cânions, grutas e paredões sem fim. É o preferido para os passeios e competições de caiaques:

Ardèche, França – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

O Pont d’Arc é um capricho especial por onde rolam as águas cristalinas e frias:

Pont d’Arc, Ardèche – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Já neste começo de primavera é a “praia de verão”:

Pont d’Arc, Ardèche – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Surpreendente La Grotte Chauvet-Pont d’Arc. Em 1994 foi redescoberta depois mais de 30 mil anos obstruída por uma avalanche. Esta gruta é riquíssima em pinturas rupestres, estalagmites e estalactites. A visitação iria destruir este patrimônio inestimável, daí a inusitada construção de uma réplica perfeita, incluindo a reprodução das pinturas rupestres.

Caverne du Pont d’Arc – Copyright©2016 Antoine 49
Caverne du Pont ’Arc – Copyright©2016 Claude Valette

O homem, quando sai de suas concepções estreitas, pode criar o impossível, o belo!

 

Beaune — Além dos Vinhedos

A pequena cidade, a 30km de Chalon-sur-Saône, guarda uma surpresa: L’Hôtel-Dieu. Este elegante hospital beneficiente foi construído por Nicolas Rolin, com a participação fundamental da mulher, Guigone de Salins, em 1443. O hospital foi dirigido também por jovens freiras, cujo mister era cuidar dos pobres.

L’Hôtel-Dieu, Beaune, França – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Era costume de os católicos ricos receberem as tais Indulgências! Faziam doações de bens, dinheiro, construíam hospitais e igrejas em troca do perdão dos pecados. Através desta “santa propina” os benefícios amenizaram o sofrimento de muita gente. Desde então, a família de Nicolas Rolin mantém os hospitais mais avançados da França, além de rede hoteleira.

O hospital, já muito avançado no séc.XV, funcionou até 1970, quando se transformou em museu. Os equipamentos e instrumentos cirúrgicos eram de ponta. Foi um dos primeiros hospitais a utilizar os raios-X descobertos em 1890 por Wilhelm Röntgen. O brilhante físico alemão, agraciado com o Nobel de Física em 1901, doou o prêmio à universidade de Würzburg, recusando-se a registrar qualquer patente.

O progresso técnico pode ser visto na Pharmacie:

L’Hôtel-Dieu, Beaune, França – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Na cozinha:

L’Hôtel-Dieu, Beaune, França – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

A enfermaria com leitos compartilhados por apenas dois doentes era um alto luxo:

L’Hôtel-Dieu, Beaune, França – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Um bom exemplo de filantropia, ainda hoje em Beaune, são os leilões dos melhores vinhos com compradores de todo o mundo.

O Hôtel-Dieu tem um considerável acervo de arte. A extensa e incrível tapeçaria é um conjunto de painéis bordados por artistas anônimos. Um detalhe do cavalo cuja pata é recuperada depois de uma amputação, num lendário milagre de Santo Elígio:

L’Hôtel-Dieu, Beaune, França – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

A pintura do holandês Rogier van der WeydenLe Jugement dernier / O Juízo Final, riquíssima em possibilidades de interpretação:

L’Hôtel-Dieu, Beaune, França – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Aos portões do céu e do inferno se encaminham os abençoados e os condenados. Para nós, absolutamente sem viés religioso, as imagens eloquentes representam a saga humana desde sempre: cada um traz, dentro de si, o céu e o inferno.

Tinto, Branco, Rosé — Bourgogne

É uma antiquíssima região da França, cheia de histórias, castelos, trilhas, arte e vinhedos cultivados, ao longo dos séculos, por dedicados monges. O navio Swiss Gloria pernoitou em Chalon-sur-Saône, às margens do rio Saône.

Chalon-sur-Saône, França – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Sob o céu muito claro de primavera desta manhã, subimos para Beaune, uma cidadezinha muito elegante, a capital dos vinhos da Borgonha, principalmente os brancos secos Chardonnay, considerados os melhores do mundo. Por aqui, uma refeição sem vinho é impensável.

Vinhos de Beaune – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

A lição do amável sommelier do Cellier de la Cabiote pode ser resumida assim:
• fora da França, os rótulos, em geral, indicam o tipo de uva: Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Carmenère…;
• já os rótulos franceses indicam a região de envasamento: Bourgogne, Beaujolais, Rhône, Bordeaux, Loire, etc.;
• quanto mais específicas as informações constantes do rótulo, melhor e mais caro o vinho. Por exemplo, o rótulo deste Corton-Charlemagne Grand Cru Cuvée François de Salins especifica a região de Bourgogne, a cidade de Beaune, o vinhedo Hospices de Beaune, o terroir Charlemagne e o envasador Albert Bichot. No rótulo de um vinho vinte vezes mais barato só constaria, vagamente, “Mis en bouteille dans Bourgogne“.
Agora, a deliciosa pausa para degustação:

Vinhos de Beaune – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Por aqui também, diz o sommelier, é raro tomar vinho fora das refeições. Para isto, o cardápio do Swiss Gloria, além da boa apresentação, é muito saboroso e convida o vinho de Beaune.

Copyright©2018 Rainer Brockerhoff
Copyright©2018 Rainer Brockerhoff
Copyright©2018 Rainer Brockerhoff
Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Em Beaune, o lembrete de Kurt Tucholsky: “há pessoas que temos de entendê-las para amá-las; outras teremos de amá-las para entendê-las”!

A ficção imita a vida… Abbaye de Cluny

De Lyon, importante porto francês, o Swiss Gloria zarpou para Mâcon, região vinífera do Beaujolais. Dizem por aqui: “Em Lyon vertem três rios: Le Rhône, La Saône e…  Beaujolais”. A 25km, a Abadia de Cluny é um monumento espetacular de cultura, ciência e tragédia. Desta maquete do complexo beneditino, infelizmente, resta uma pequena parte.

Abbaye de Cluny, séc.XII – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

A Abbaye de Cluny iluminou o mundo ocidental por séculos. Os abades eram muito influentes, interlocutores diretos do Papa; entre os monges, quatro foram eleitos Pontífices e outros, canonizados. A sede da maior congregação beneditina é — sim, ainda hoje — uma saga arrojada de desenvolvimento e grandeza. Tem-se a impressão de viver as páginas de um livro, as cenas de um filme:
— Cluny I, 910-927. A modesta e inicial edificação incluía vinhedos, riachos e moinhos.
— Cluny II, 961-981. As exigências da liturgia e do progresso trouxeram a ampliação da edificação e, principalmente, a primeira igreja com altar em níveis.
Cluny III, 1080-1130. Atingiu o ápice de magnificência. A catedral de Saint Pierre et Saint Paul, com 187m de comprimento, mais de 30m de altura e torres com 56m foi, por séculos, a maior do ocidente.
— Revolução Francesa, 1798-1808. A perseguição político-religiosa levou à demolição com imensuráveis prejuízos econômicos e culturais. Foi iniciada pela revolução e arrematada pela ignorância de Napoleão Bonaparte. Esta é uma coluna de uma das cinco naves da catedral:

Abbaye de Cluny – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Pode-se avaliar a grandeza de Cluny pelas partes ainda de pé:

Abbaye de Cluny – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Sempre majestosa e imponente, Cluny continua uma fonte inesgotável de história e espanto. Caminhantes passam por aqui em direção a Santiago de Compostela. Esta torre na muralha norte foi construída em torno de 1300:

Abbaye de Cluny – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

É impressionante a visão arquitetônica destes beneditinos:

Abbaye de Cluny – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff
Abbaye de Cluny – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Estes dormitórios construídos antes da Revolução Francesa foram muito pouco utilizados:

Abbaye de Cluny – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Os beneditinos competentes e cultos desenvolveram a ciência, a educação, as artes; produziram vinhos com excelência; alcançaram alto nível de bem-estar e riqueza; isso, certamente, provocou dissidências políticas. Os conflitos internos foram especialmente com os cistercienses.
O arqueólogo Alexandre Lenoir alertou bravamente sobre a loucura e prejuízos da demolição. Foi uma voz clamando no deserto…

Abbaye de Cluny – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

As esculturas, as edificações, as obras literárias, musicais e artísticas são atemporais; estão muito acima de qualquer ideologia. Representam a cultura de toda a humanidade. Por isto, deveriam ser intocáveis por mentes radicais, obscuras e partidárias. Contudo a mesma catástrofe se deu no Afeganistão, com a destruição dos Budas milenares de Bamiyan.

Aqui nos jardins de Cluny, indiferentes às mazelas humanas, as tulipas são uma festa e uma promessa de primavera. Em qualquer beiradinha brotam como capim…

Abbaye de Cluny – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Navegar é preciso… rio Rhône

Navegamos, desta vez, as águas dos conquistadores romanos da Gália, atual território francês. O rio Rhône — a gente aprendeu na escola rio Ródano — nasce nos Alpes suíços, alimenta o Lac Léman, deságua no Mediterrâneo. Ao longo de 812km é um refúgio de vida selvagem. A cada momento, bandos de aves pescam e os flamingos são os moradores mais ilustres. O majestoso rio Saône se junta ao Rhône em Lyon. Formam uma parceria belíssima:

Confluência Saône/Rhône — Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Lyon — a mais antiga da França, habitada desde 600 a.C. — é o principal ponto nas rotas para Paris, Alpes, Espanha, Itália e norte da França. No aeroporto, a elegante estação/Gare Lyon Saint-Exupéry:

Gare Lyon Saint-Exupéry — Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Em frente ao nosso hotel a Place des Jacobins quase deserta de manhãzinha:

Place des Jacobins, Lyon — Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Aliás, Lyon acorda a partir de 11:00 quando os cafés, restaurantes, as lojas oferecem “guloseimas” de todos os tipos e níveis. Como qualquer centro comercial rico e ativo, tudo gira em torno de comprar e vender. É impressionante a força desta engrenagem girando ad infinitum. O pessoal compra e compra… objetos desnecessários, inúteis pelos quais gastam-se tempo e energia. Jogamo-los fora e voltamos para a roda.

Os traboules — passagens e escadarias originalmente usadas por contrabandistas medievais— foram pontos de resistência na Segunda Guerra Mundial; hoje são charadas arquitetônicas. As dezenas de pontes são obras de arte; esta lembra van Gogh, não?

Lyon, França — Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Les Halles, o tradicional mercado francês — em Belém do Pará, Brasil, há uma valiosa réplica do de Paris — modernoso, todo de vidro, é um mundo de comida étnica, carnes, frutos do mar, molhos exóticos, queijos, vinhos e cheiro muito bom. Sem dúvida, Lyon é a capital gastronômica da França. Uma doçaria armênia:

Les Halles, Lyon — Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Interessante notar a economia de espaços; por aqui, tudo agarradinho, as mesas e cadeiras bem próximas, qualquer corredor ou cantinho é bem aproveitado.

A cidade toda enfeitada com as árvores floridas. Ao longo dos rios Saône e Rhône outras formam intrigantes esculturas:

Lyon, França — Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

A magnífica Basílica Notre-Dame de Fourvière, os mosaicos bizantinos, os riquíssimos vitrais, compensam a maratona da infindável escadaria:

Notre Dame de Fourvière — Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Embarcamos no confortável navio da Phoenix, MS Swiss Gloria. A partir daqui são cidadinhas muito especiais espalhadas pelos vinhedos a perder de vista. Chalon-sur-Saône, por exemplo, produz os melhores e mais caros vinhos do mundo. As terras ali alcançam a cifra de bilhões de Euros.

MS Swiss Gloria, Lyon — Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Curtimos muito os caminhos por onde este barco nos leva. É uma viagem não muito comum. A paisagem vem ao nosso encontro no deck. Pode não ser o turismo para uma grande maioria. Certamente agradará aos viajantes observadores dos contrastes, do valor do passado, das transformações através dos tempos. As ruínas, as arenas seculares, as tumbas, as peripécias de van Gogh transmitem enlevo, lição, espanto, ironia e… bom humor…

Na Páscoa… uma viagem

Este poema de tradição celta percorre as terras irlandesas como um talismã. Estes versos, também em gaélico, se transformam em melodias nos festivais como um sortilégio para uma boa viagem. Escrita e arte de Irish Blessing do linguista americano Háj Ross.

Copyright©2010 John R. Ross

A interpretação livre do sentido de ventura desta Bênção Irlandesa pode ser assim:

A estrada há de abrir-se ao seu encontro

O vento sempre às suas costas

O sol brilhará morno em sua face

A chuva do outono amaciará os campos

Até nos encontrarmos outra vez, amigo

A boa sorte o trará pela palma da mão.

Folhinha Poética

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Jorge Carlos Amaral de Oliveira, o Mané do Café:

O blog Poemança, da Folhinha Poética chegou às cem mil visualizações (equivalente a um Maracanã em dia de Fla-Flu, no tempo em que o Maracanã era do povo), em oitenta e três países. Em se tratando de um blog de poesia, dá-nos um alento e tanto. A todos os colaboradores, o nosso sincero agradecimento.

Aplausos, recomendamos!

A Folhinha Poética faz a poesia entrar na nossa vida de modo significativo:
liberta-nos da rotina
atiça-nos a fantasia
aproxima-nos do outro…

Erínias na Folhinha Poética: link.