Lagoa do Cassange — Bahia

A massa de água doce com 1500m de comprimento, bem próxima do Oceano Atlântico, se esconde na Península de Maraú — Costa do Dendê, sul da Bahia.

Lagoa do Cassange – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

O nome Maraú vem da antiga aldeia indígena Mayrahú descoberta por frades capuchinhos em 1705; está a 140km do aeroporto de Ilhéus. Chega-se à Pousada do Cassange pela rodovia BR101, com uma parte de terra. A viagem é agradável, com muito verde e vista para o mar.

Por esta trilha no meio do mato, bem pertinho da pousada, chega-se à lagoa.

Lagoa do Cassange – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff
Lagoa do Cassange – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

Aqui, nesta reserva da Mata Atlântica, é ótimo para esportes à vela, stand-up, caiaque e repouso na água.
Esta singular arquibancada nos reserva um luminoso entardecer.

Lagoa do Cassange – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

A Pousada do Cassange, em meio a belíssimos coqueiros e bromélias, oferece estes chalés com rede, ar condicionado, sossego.

Lagoa do Cassange – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

Da varanda deste chalé abrem-se a infinitude e o balanço do mar.

Lagoa do Cassange – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

As ondas valentes e mornas são massagens revigorantes e saram tudo! Todo o tempo é curto. Daí ser inexplicável o turismo-vitrine, quer dizer, “observar apenas”… a uma distância regulamentar. A propósito, e para reflexão, um comentário no livro de hóspedes:

Mar maravilhoso. Desta vez, entrei pouco, não faz diferença, porque voltarei ano que vem.

Não é mesmo um grande desperdício deixar para o “ano que vem” tudo isso?

Lagoa do Cassange – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

Fizemos a viagem pela Andarilho da Luz, inclusive o transporte de ida e volta para Ilhéus. Nas imediações há dezenas de outras praias e cidadinhas antigas, além da Cachoeira de Tremembé.
Nosso motorista e guia — Zé Domingos, (73)99824-8297, muito eficiente e bem-humorado — nos levou, também, às piscinas naturais de Taipu de Fora e nos apresentou a elegante graviola:

Lagoa do Cassange – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

No restaurante com deliciosos e fartos frutos do mar, Helinho e todos da jovem equipe são muito acolhedores e nos fazem querer voltar.

Seychelles — Oceano Índico

O nosso berço esplêndido nos oferece milhares de quilômetros de litoral; ninguém precisa procurar praias estrangeiras… se, mesmo assim, tiver forte comichão vá para o Arquipélago das Seychelles.

La Digue, Seychelles – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

Costa leste — África

Seychelles são um dos países mais ricos da África, com 81 mil habitantes. Fala-se Kreol Seselwa — uma linguagem crioula, derivada de uma mistura de outras línguas — além de francês e inglês. A capital é Victoria, na ilha Mahé.

Centro de Victoria, Seychelles – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

O arquipélago de 115 ilhas é um santuário para fauna e flora. O mundo misterioso dos peixes nos é revelado por snorkel nas águas transparentes. Aqui o cheiroso Jardin du Roi de especiarias e de plantas raras:

Jardin du Roi, Seychelles – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

Interessante e exótico o coco-de-mer — um “cocão” gigante, aliás a maior semente do mundo — é produzido pela palmeira Lodoicea Maldivica, endêmica das ilhas Praslin e Curieuse. O coco atinge 30kg e a palmeira pode viver mais de 200 anos.

Coco-de-mer, Praslin, Seychelles – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

As tartarugas daqui se equiparam às de Galápagos. Estivemos nas Ilhas Mahé, Praslin e La Digue. Em algumas ilhas, o governo exige, apropriadamente, autorização para visita; são reservas ambientais.

A música de raiz africana é contagiante e a dança reflete a alegria dos seychellois. Aqui, em La Digue, um silêncio incomparável:

La Digue, Seychelles – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff
La Digue, Seychelles – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

Nesta vila, em Praslin (pronuncia-se Pralã) a proibição de carros traz tranquilidade, conforto e, felizmente, nada de shopping centers. O comércio é aí mesmo debaixo das árvores, com um dedo de prosa e frutas frescas:

Praslin, Seychelles – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

É uma nação créole com raízes multiétnicas, essencialmente matriarcal. As mães solteiras tem status legal e os pais são obrigados a dar suporte financeiro. Escola pública até os 18 anos, livros didáticos gratuitos. A idade para o casamento é a partir de 15 anos; isto ainda reflete costumes ancestrais.

Na despedida, esta ilhota fica gravada na retina…

Seychelles – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

Canal de Suez — Uma Obra de Arte

Este mar brilhante, com vias de mão dupla, entre montanhas de areia e pedras, praias, ilhotas, oásis é uma miragem!

Canal de Suez – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

Esta escultura metálica é uma ponte giratória. Cada metade fica paralela às margens do canal. Para a passagem de trens as pontes giram para o centro. Parecem efeitos especiais ou ficção.

Ponte El-Ferdan, Canal de Suez – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

Esta ponte pivotante, com 340m, é a mais longa do mundo; une a cidade de Ismaília à Península do Sinai.

El Ferdan Swing Bridge – Copyright©H Nawara – Public Domain

O Canal de Suez, de incalculável valor estratégico, resultou em 11 mil km de atalho entre Europa e Ásia, pois evita o contorno da África pelo Cabo da Boa Esperança.

A travessia do canal leva de 11 a 16 horas. Os navios marcam com antecedência o horário rigoroso de entrada. Qualquer atraso gera grandes prejuízos, pois não há a menor possibilidade de “furar” a fila de dezenas de navios de turismo ou de carga.

Canal de Suez – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

O canal alimenta os lagos naturais de água doce — Grande Amargo, Timsah e Mamzala, considerados sagrados — compensando a evaporação; por sua vez, os lagos equilibram a vazão das águas do mar. Não existem eclusas. Esta passagem também proporciona uma grande migração de espécies marinhas, enriquecendo a fauna. É uma inteligente troca ecológica.

A cidade de Suez, ponto final da travessia, enfrenta hoje desemprego e atraso econômico. A recente e ambiciosa duplicação do canal – 2015 – pode representar desenvolvimento para a região. Na Suez antiga a água doce chegava no lombo dos camelos. Aqui, inicia-se a peregrinação dos muçulmanos para Meca.

Suez, Egito – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

Suez — o final da travessia.
À vista a imensidão do Mar Vermelho. Vejo neste instante que este lugar caiu do céu: nem imaginava a grandeza deste canal mágico. Isto porque, ao programar um roteiro, não há busca por fotos ou outras imagens.
A surpresa — uma sensação inigualável — é a essência da viagem. Experimente!

Canal de Suez — o Mar Feito à Mão

O sonho dos faraós — desde 640 a.C. — de navegar pelo deserto, unindo o Mediterrâneo ao Mar Vermelho, tornou-se um triunfo da engenharia em 1869.

Alexandria, Egito – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

De Alexandria — Egito — contornamos o delta do Nilo até Port Said, onde começa o Canal de Suez, hoje com 195 km. É a rota mais curta entre o ocidente e o oriente. Esta via marítima situa-se na região montanhosa e desértica da Península Sinai, entre Egito e Israel. Aí, o pico de granito do Monte Sinai sagrado para o Cristianismo, Islamismo e Judaísmo.

Copyright© Marine-Knowledge

A construção do Canal de Suez, durante dez anos, é uma odisséia magnífica e trágica. Vinte mil trabalhadores escravos eram substituídos a cada dez meses, tal a dificuldade em escavar à mão as pedras e remover as areias do deserto. Sequer havia carrinhos de mão; só mais tarde foram importadas pás e picaretas da França. Um milhão e meio de egípcios participaram da construção. Houve cerca de cento e vinte mil mortos.

Ismaília, Canal de Suez – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

Ainda havia os empecilhos provocados pelos caprichos do deserto: muitas vezes as tempestades de areia cobriam e fechavam as vias já escavadas, como também na tentativa dos faraós de unir o Rio Nilo ao Mar Vermelho, projeto abandonado após mil anos de reveses.

O jovem diplomata e engenheiro francês Ferdinand de Lesseps foi o grande visionário e propulsor desta obra.

Canal de Suez – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

O objetivo de Lesseps foi uma via de comércio e comunicação para todos os povos. Sem a ousadia deste determinado empreendedor os faraós modernos não veriam navios…

Do deck do MS Amadea se descortina este oásis além de um muro de pedras.

Canal de Suez – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

Este canal é uma caixa de Pandora! Traz encantamento e perplexidade…

Canal de Suez – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

Seguimos em direção à cidade de Suez.

2017

Mendocino, California – Copyright©2011 Rainer Brockerhoff

…Ano Novo é um casulo
Da lagarta caixa-preta
Vem única borboleta…

Ilulissat — Groenlândia

Pelos padrões da Groenlândia é cidade grande com 4 mil habitantes. É um mundo de fiordes cheios de icebergs gigantes formados pela movimentação das geleiras; neste a magnífica visita de baleias jubarte.

Ilulissat, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

Estes icebergs têm, pelo menos, 800m abaixo da superfície e 100m ou mais de altura. Em um barco pequeno navegamos entre os gigantes que nos levam a um perplexo silêncio.

Ilulissat, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

Através dos fiordes, as catedrais, castelos, cavernas, rendas de gelo.

Ilulissat, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

As fotos não captam toda a beleza e mistério desta Ilulissat — significa iceberg.

Ilulissat, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

Diante destas esculturas fortes o ser humano é a menor das formigas.

Ilulissat, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

Uummannaq — Groenlândia

Uummannaq — é outro espanto! O relevo da Groenlândia é uma sucessão inimaginável de pedras emoldurando a vila.

Uummannaq, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

O monte tem 1175m e o formato, apelidado pelos nativos, de Coração de Foca, significado de Uummannaq. Realmente esta imagem nos emudece.

Uummannaq, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

Em toda a Groenlândia não há uma árvore sequer: impressionantemente, não há terra apropriada além da cobertura extensa de gelo por quase todo o ano. Os icebergs daqui são maiores ainda. Alguns mais altos do que o navio.

Uummannaq, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

No centro, as antigas moradas dos Inuit, uma construção penosa de pedras e turfa. O telhado será um adereço turístico?

Uummannaq, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

Bem perto, um toque moderno.

Uummannaq, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

Aqui, o sonho de todo menino é abater a primeira foca, cuja pele é macia como seda. É um rito de passagem, comemorado com muita festa.

Qeqertarsuaq — Groenlândia

Os topônimos são um quebra-língua, cheios de consoantes, vogais dobradas, lindos e… impronunciáveis. Vêm do groenlandês as palavras caiaque e anoraque. Qeqertarsuaq — a costa oeste da Groenlândia / Kalaallit Nunaat é de uma imponência dramática. Da escotilha, fachos de luz e céu muito azul cheio de gaivotas.

Qeqertarsuaq, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

A vila de Qeqertarsuaq, com 873 pessoas, na Ilha Disko, foi um importante centro de caça às baleias. Por todo lado varais de peixes. A base econômica é turismo, caça e pesca.

Qeqertarsuaq, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

A viagem de navio segura o tempo! Por terra a gente corre atrás da paisagem, do hotel, do restaurante… aqui temos a sensação de tudo vir à porta.

As igrejas têm um estilo bem caprichado. O povo inuit — ancestrais groenlandeses — cultivavam o shamanismo e rica mitologia centrada na deusa Sedna, protetora dos animais marinhos. Sob a influência da Dinamarca o protestantismo é largamente praticado.

Qeqertarsuaq, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

Na pedreira colorida tivemos um presente inusitado e inesquecível: um gigante gelado…

Qeqertarsuaq, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

…revirando-se subitamente…

Qeqertarsuaq, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

…com um forte estampido…

Qeqertarsuaq, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

…a gente não acredita nos próprios olhos!

Cidadinhas da Groenlândia

Paamiut — 1742 — é cercada de pedras quebradas por martelos gigantes em diversos tamanhos.

Paamiut, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

Parece mais próspera e mais limpa do que Ammassalik. Supermercado com vinhos e outros produtos chilenos, italianos, franceses. Os nativos mais velhos são baixinhos, muito enrugados. Os dentes, em geral, como os dos chineses, são encavalados. Aqui a única escola naval da Groenlândia, bem como a maior fábrica de empacotamento de bacalhau. A maioria dos 1600 habitantes é luterana.

Paamiut, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

Maniitsoq — a formação de basalto é espetacular e as montanhas atingem 2000m.

Maniitsoq, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

As casas tem escadarias enormes. O exercício para chegar até lá vale por horas de academia.

Maniitsoq, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

Em Maniitsoq, o aconchego é de pedra.

Maniitsoq, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

É impossível cavar nesta “terra”, por isso as tubulações de água, esgoto e luz exigem estruturas bem elaboradas sobre as rochas.

Maniitsoq, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

Todos os passantes nos cumprimentam. Um taxista puxou prosa; ao saber da procedência brasileira, abriu um sorriso e imitou passos de samba. Agradeci em groenlandês: qujanaq! Ganhei um amigo. Crianças muito pequenas, sozinhas a caminho da escola. Outras, também pequenas e sem acompanhantes, pegaram o Bussii.

Maniitsoq, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

Estreito Prins Christian — Groenlândia

O navio sai do mar aberto e navega pelo Estreito Ikerasassuaq ou Prins Christian, ao sul. A beleza desta passagem é incomum.

Prins Christian Sund, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

São 100km recortados de fiordes com figuras bizarras, surpreendentes. Aqui o degelo está mais extenso do que na Antártida. Em alguns pontos, cascatas de areia e solo esfarelado.

Prins Christian Sund, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

Há pouco tempo todas essas montanhas eram cobertas de neve e gelo, mesmo no verão. Agora apenas estes retalhos.

Prins Christian Sund, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

O gentil comandante, em determinado ponto, gira o navio 360°, bem lentamente. As quedas d’água, os cortes na pedreira, os icebergs ficam bem pertinho. A cada olhar para fora é como se fosse a primeira vez.

Prins Christian Sund, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff

A neblina surge de repente… logo o canal do príncipe desaparece na bruma densa. A gente duvida se aquilo tudo não foi, mesmo, um passe de mágica…

Prins Christian Sund, Groenlândia – Copyright©2016 Rainer Brockerhoff