Arvorismo

Porto Seguro - Copyright©2013 Rainer Brockerhoff
 

O desejo de avançar
…e de recuar
os degraus atraem
soltos no ar.
Vencido o tremor
a sensação é boa
sente-se leve à toa
como a esperança
dependurada no fio…

Copyright ©2013 Maria Brockerhoff

A Cruel dona das Rosas

Na rua de pedra da cidade de concreto há um jardim de roseiras de todas as cores.

Aquele canteirão em frente à penúltima casa antiga, esquina da avenida do contorno é, ainda, um jardim de vovó, onde as roseiras fartas, já troncudas e altas, se enrolam, se estendem pelas grades das janelas e da cerca. Alguns “matinhos” rastejam aos pés das rainhas vermelhas, rosas, amarelas, grandes, pequenas, que atraem os olhos de quem os tem!

Aqueles buquês abertos, semi-fechados, os botões são uma belíssima miragem ali na esquina de asfalto, de carros barulhentos, da selva citadina. Uma paradinha ali, em frente ao roseiral, é uma pausa deliciosa!

Outro dia, um jardineiro com um tesourão. Em volta, o chão forrado de folhas e pétalas coloridas.

— Por que? Foi a pergunta incrédula. O jardineiro abaixou os olhos, parecendo envergonhado, respondeu:

— A dona não quer roseiras altas…

Copyright©2013 Maria Brockerhoff

Fique Mais Jovem a Cada Ano (2)

Este livro nasceu de uma consulta para melhorar o condicionamento do advogado aposentado Chris Crowley e da programação e planejamento do geriatra Henry S. Lodge (Harry para os íntimos). Boa parceria, melhores resultados.

A prática de exercícios físicos coloca em movimento cascatas químicas quando começamos a transpirar. É neste momento que começam os ciclos de reparação nos músculos e nas articulações. Harry chama esta ação dos exercícios de “base da química cerebral positiva”.

Esta prática de exercícios vigorosos aumenta a qualidade do sono, melhora o sistema imunológico, reduz o excesso de peso, normaliza a taxa de insulina e queima de gordura, melhora a vida sexual, além de conferir resistência a ataques cardíacos, derrames, hipertensão, mal de Alzheimer, artrite, colesterol alto e depressão. Tais resultados são incrivelmente animadores, dá pra levantar defunto, não? 🙂

Agora, a “má notícia” é que basta deixar os músculos ociosos para que a decadência recomece. Assim, devemos nos exercitar diariamente. O stress provocado pelos exercícios razoavelmente intensos desencadeia um tipo de demolição do corpo e o reconstrói um pouco mais forte. A atividade física desgasta pequenas partes que precisam ser substituídas após cada utilização.

O processo dos exercícios no nosso corpo é semelhante a uma reforma da nossa casa, compara Harry. Os glóbulos brancos que começam o trabalho de demolição fazem como os profissionais que vêm com marretas, carrinhos de mão, latões de lixo, para por abaixo o velho reboco, abrir as paredes e devolver à casa suas fundações saudáveis. Terminada a demolição, instalam-se o crescimento e a reparação.

Este fator é tão significativo que, mesmo um fumante com excesso de peso, mas que pratica exercícios intensos diários, tem um índice estatístico de mortalidade inferior ao de um não-fumante magro mas sedentário.

Resumidamente, as citocinas (proteínas que controlam o processo inflamatório) estão trabalhando no nosso corpo, regulando o crescimento e a decadência em todos os tecidos e células. A citocina C6 é relativa à inflamação/decadência, a citocina C10 é relativa à recuperação e ao crescimento.

A C6 é produzida nas células musculares e na corrente sanguínea em resposta aos exercícios, enquanto que a C10 é produzida em resposta à C6. Este é o mecanismo brilhante existente no corpo para acoplar decadência e resistência. Em síntese, a C6 desencadeia a produção de C10: a decadência deflagra o crescimento.

Neste momento, espero ardentemente, você já deve estar de pé, preparando-se para uma corrida… 🙂

Fique Mais Jovem a Cada Ano…

…não, não é botox nem lipoaspiração nem máquina do tempo, muito menos plástica.

O livro do advogado Chris Crowley e do geriatra Henry S. Lodge traz uma abordagem científica e maravilhosa sobre a atividade física. Se você não se transformar imediatamente (!) é porque já morreu e não sabe. 🙂

O corpo é feito de carne, tendões, gordura, e de muitas outras partes que se desgastam e têm que ser renovadas constantemente. O interessante é que o corpo não fica esperando que uma ou outra parte se desgaste; o corpo a destrói no fim de determinado tempo e a substitui por outra nova. Não é fascinante?

Por exemplo, a sua perna está em constante renovação: as células musculares da coxa são substituídas inteiramente, uma por vez, a cada 4 meses; 3 vezes por ano, temos músculos novos. As células sanguíneas, a cada 3 meses, são repostas. As plaquetas, de 10 em 10 dias. As papilas gustativas são renovadas todos os dias. Os ossos, de dois em dois anos.

O entendimento mais atualizado é o de que a maioria das células está programada para morrer dentro de um prazo relativamente curto, porque este processo nos faz adaptar a novas circunstâncias e as células mais velhas tendem a ser cancerosas. Assim jogamos fora, de propósito, partes inteiras que estão em perfeito estado para começar o novo crescimento. Existem bilhões de células especiais cujo único trabalho é dissolver os ossos para que outras possam reconstruí-los. Segundo a belíssima imagem do geriatra Henry S. Lodge:

…é um processo idêntico ao da poda do outono, que serve para dar lugar ao crescimento na primavera.

Nem é preciso explicitar que o grande lance é promover mais o crescimento do que a destruição; está aqui a importância dos exercícios físicos. Através de toda a biologia e fisiologia destes exercícios o corpo aciona os mecanismos que reconstroem os ossos, os tendões, os vasos sanguíneos, o coração, enfim, toda a máquina humana.

Continua…

Ah! mulheres…

Os vestidos do mesmo modelo da namorada do príncipe William, da Inglaterra, desapareceram das vitrines de lá e daqui (!) também. Mais de 300 vestidos da mesma “griffe” foram vendidos, a um preço médio de mil dólares, imediatamente após a imagem na TV.

Há pessoas que já nascem pra ovelhas… faltava apenas o pastor!

Gente Valente

Fomos ao Texas e, descuidados, não consultamos o poderoso Sr. Clima; de costa a costa, com raras exceções, as temperaturas beiravam 104°F (40°C). Foi a primeira vez que estivemos lá no verão… e fizemos meia volta para fugir do calor escaldante.

Não comunicamos nossa volta a ninguém; assim tínhamos mais dias de férias, fomos para um hotel e experienciamos certo exílio: sim, pois sabíamos que o telefone não tocaria, não haveria visitas – um dos bons hábitos em Minas – nada de almoços coletivos, nem cafézinhos com prosa…

Descobrimos, aqui mesmo, lugares interessantes num bairro completamente desconhecido. Vimos o quanto a gente se apega à padaria, ao sacolão, à cabeleireira, à próxima esquina; como limitamos o círculo de convivência!

Deste nosso venturoso degredo pude avaliar a valentia de dois queridos amigos: M. e R. (invejando Freud 😉 ). Ambos com faccia e coragem pediram as contas, juntaram um mínimo de tralha e foram-se… cada um, absolutamente, por sua conta e risco.

M. para Buenos Aires e R. para Paris. Estabeleceram-se nestas outras plagas, conquistaram amigos e boa colocação profissional (sem QI algum!). A certeza de ter as pessoas, o trabalho, a roda na pizzaria forma uma rede reconfortante que eles deixaram para trás.

Nas nossas andanças anônimas por aqui pude avaliar que a aventura dos meus amigos pode parecer meramente romântica, contudo os desafios da cidade grande e da língua estranha exigem boa dose de autosuficiência, determinação.

Este ir e vir solitário, incluindo todas as atividades e decisões, não é pra qualquer mortal. Certamente é uma bela aventura e pode ser um meio – talvez o único – de nos virar pelo avesso e de nos fazer sair de um mundinho morno e, muitas vezes, medíocre.

Amigos M. e R., posso concluir que o impulso para uma corajosa virada só pode ser

…ou uma lança atravessada no peito ou uma esperança desvairada…