Mamirauá — comunidade Caburini

Aqui, a marca indelével é a diversidade deste mundo de águas. Visitamos Caburini descendo pelo rio Japurá. As margens oferecem o toque pitoresco das moradias…

Rio Japurá, Amazonas – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

…as esculturas…

Rio Japurá, Amazonas – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

…o vai-vém…

Rio Japurá, Amazonas – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

Impressiona a boa adaptação dos bichos e dos homens. Nas cheias, as onças, por exemplo, se empoleiram nos galhos mais altos das árvores. A comunidade Caburini transporta as casas conforme o deslocamento do rio nas cheias. É uma praia de areias ricas em nutrientes transportadas pela correnteza. Perfeito o banho nas águas mornas do rio!

Comunidade Caburini – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

É frequente, também, elevar o nível das “pernas” das palafitas, pois a água chega a ultrapassar os 5 metros. Implantaram a boa idéia de uma cozinha comunitária; cada qual leva um ingrediente.

Comunidade Caburini – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

Os ovos de tartaruga são cuidados e protegidos sob orientação do patriarca, seu Sandro. Para multiplicar a sobrevivência, enterram-nos mais perto de suas palafitas e ajudam os filhotes a alcançar o rio. Afastam os pássaros fregueses do manjar de ovos!

Comunidade Caburini – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

Aqui vive a maioria dos funcionários da Pousada Uacari. A criatividade dessa gente amável atinge o máximo nessa academia; aí o seu Sandro “puxando ferro”:

Comunidade Caburini – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

Os frutos de Mamirauá se devem à iniciativa de mentes brilhantes e dos saberes dos ribeirinhos longe dos centros do poder e de gente cheia de teoria. O grande mérito de Marcos Ayres foi acolher o jeito de cuidar dos bichos e plantas transmitido pelos bisavós, acrescentando-lhes a técnica adequada e pesquisa científica. A participação dos ribeirinhos tornou-se fundamental para fixá-los à terra de origem, incentivo à propriedade privada e à limpeza das áreas sem uso do fogo.

Ao voltar, é forte a sensação de ter vivido nem um milésimo de toda a fartura deste universo.

Reserva Mamirauá, Amazonas – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

Mamirauá, au revoir

Para contato: Andarilho da Luz / Reserva Mamirauá.

Mamirauá — o reino das aves

O regime de enchentes e vazantes estabelece modus vivendi específico e diferente para bichos, peixes, aves, plantas e ribeirinhos da Reserva de Mamirauá. Nas cheias, de dezembro a maio, 1 milhão de hectares ficam submersos. Na seca, de junho a novembro, a admirável cigana ou hoatzin

Hoatzin em Mamirauá – Copyright©2009 Pedro Meloni Nassar

…as garças elegantes…

Mamirauá, Amazonas – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff
Mamirauá, Amazonas – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

… e os biguás, úteis fiscais das águas limpas, não se alimentam em águas poluídas.

Mamirauá, Amazonas – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

Exímios mergulhadores preferem peixes pequenos, não representando assim concorrência para os ribeirinhos que os protegem. Aí o merecido descanso depois do expediente.

Mamirauá, Amazonas – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

Embaixo destas árvores, nas cheias, alguns peixes fazem cavernas nas margens e ali depositam ovos; pode-se ver este “estacionamento” de buracos. Também nas cheias, em uma adaptação formidável, outros peixes se alimentam dos frutos altos das árvores e desovam entre suas raízes. As enchentes podem alcançar até 15m ou mais. O único meio de transporte é o barco.

São preciosas as fotos de aves do biólogo Pedro Nassar, gentil guia bilingue da Pousada Uacari. É uma fartura; há passeios exclusivos para observação de aves. Este Uirapuru-de-chapéu-azul é mais um presente de Pedro.

Uirapuru – Copyright©2015 Pedro Meloni Nassar

Mesmo com todos os cuidados da Reserva de Mamirauá há, na Amazônia, segundo estudos recentes, 48 espécies de aves ameaçadas de extinção, principalmente pela implantação de hidroelétricas e do desmatamento. Estes passarinhos enfrentam, sim, a ameaça cruel: a indiferença do homem…

Mamirauá — Pousada Uacari

Logo depois da confluência dos rios Japurá e Solimões entra-se no Canal Mamirauá… aqui a primeira imagem — ou será uma miragem? — das telhas cor de tijolo feitas de garrafas-PET ao estilo das ilhas do Pacífico sul: a Pousada.

Pousada Uacari, Mamirauá – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

O visionário e brilhante biólogo Márcio Ayres anteviu, num projeto pioneiro de 1997/99, uma reserva ambiental protegida cuidada pelos ribeirinhos, os legítimos senhores da floresta.

Reserva Mamirauá – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

Este incrível primatologista tornou possível a utopia de promover o manejo sustentável dos recursos naturais com a efetiva participação das seis comunidades integrantes da reserva.

Comunidade Caburini, Mamirauá – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

A região é muito quente; a umidade triplica a sensação térmica. Assim, os passeios são, inteligentemente, programados para bem cedo e à tardinha. Ao meio-dia, o zênite solar leva todos — até os jacarés vizinhos — a uma reparadora soneca depois do delicioso almoço. A temperatura e a umidade nos fizeram antecipar a volta!

Pousada Uacari, Mamirauá – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

A varanda traz o gostoso e cantante silêncio das águas… as fotos são apenas desbotadas imagens…

Pousada Uacari, Mamirauá – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

O exótico macaco Uacari — o querido de Marcio Ayres — corria sério risco de desaparecer, assim como peixes-boi, pirarucus, tracajás e, em consequência, outras espécies endêmicas. Hoje essas espécies se multiplicaram e a degradação regrediu drasticamente. Ainda há muito trabalho, mas o resultado de Mamirauá, através do desenvolvimento e capacitação das comunidades deveria ser buscado por todo este Brasil.

No próximo post: pássaros e mais surpresas!

Mamirauá — no fundão da Amazônia

Aqui o viajante apreciador dos mistérios dos rios e das florestas vai descobrir um lugar maravilhoso! Já o turista apressurado poderá submergir em ondas de tédio.

Mamirauá, Amazonas – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

A aventura começa com um pernoite em Manaus. O Teatro Amazonas é muito elegante:

Teatro Amazonas – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

Em um vôo de 50 minutos chega-se a Tefé. A cidade bem antiga com, aproximadamente, 70 mil habitantes, era a região dos índios Tapibas e centenas morreram na luta contra os espanhóis.

Tefé, Amazonas – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff
Tefé, Amazonas – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

Na região cultiva-se a mandioca brava para a produção de farinha e, também, a macaxeira para o consumo culinário. A venda e compra de peixes é importante fator econômico. Incontáveis barcos de todos tipos, apinhados de gente, cortam de cima a baixo o lago formado pelo rio Tefé, afluente do Solimões.

Tefé, Amazonas – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

No porto o esgoto corre a céu aberto para o rio, parecendo bem precário o recolhimento de lixo. Aliás, o hábito de brasileiros jogarem tudo na rua é incompreensível e, infelizmente, impõe-se uma conclusão: se nós somos incapazes de um ato civilizado tão simples, jamais alcançaremos a cidadania.

Tefé, Amazonas – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

Neste porto embarcamos no barco da Pousada Uacari para uma imersão na floresta. São deliciosos 90 minutos flutuando entre árvores, flores, frutos e pássaros.

Mamirauá, Amazonas – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

Na várzea entre os rios Solimões e Japurá entra-se pelo Canal do Lago Mamirauá. Aí, presa às margens por cordas a pousada flutuante Uacari, nosso destino.

Lagoa do Cassange — Bahia

A massa de água doce com 1500m de comprimento, bem próxima do Oceano Atlântico, se esconde na Península de Maraú — Costa do Dendê, sul da Bahia.

Lagoa do Cassange – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

O nome Maraú vem da antiga aldeia indígena Mayrahú descoberta por frades capuchinhos em 1705; está a 140km do aeroporto de Ilhéus. Chega-se à Pousada do Cassange pela rodovia BR101, com uma parte de terra. A viagem é agradável, com muito verde e vista para o mar.

Por esta trilha no meio do mato, bem pertinho da pousada, chega-se à lagoa.

Lagoa do Cassange – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff
Lagoa do Cassange – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

Aqui, nesta reserva da Mata Atlântica, é ótimo para esportes à vela, stand-up, caiaque e repouso na água.
Esta singular arquibancada nos reserva um luminoso entardecer.

Lagoa do Cassange – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

A Pousada do Cassange, em meio a belíssimos coqueiros e bromélias, oferece estes chalés com rede, ar condicionado, sossego.

Lagoa do Cassange – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

Da varanda deste chalé abrem-se a infinitude e o balanço do mar.

Lagoa do Cassange – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

As ondas valentes e mornas são massagens revigorantes e saram tudo! Todo o tempo é curto. Daí ser inexplicável o turismo-vitrine, quer dizer, “observar apenas”… a uma distância regulamentar. A propósito, e para reflexão, um comentário no livro de hóspedes:

Mar maravilhoso. Desta vez, entrei pouco, não faz diferença, porque voltarei ano que vem.

Não é mesmo um grande desperdício deixar para o “ano que vem” tudo isso?

Lagoa do Cassange – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

Fizemos a viagem pela Andarilho da Luz, inclusive o transporte de ida e volta para Ilhéus. Nas imediações há dezenas de outras praias e cidadinhas antigas, além da Cachoeira de Tremembé.
Nosso motorista e guia — Zé Domingos, (73)99824-8297, muito eficiente e bem-humorado — nos levou, também, às piscinas naturais de Taipu de Fora e nos apresentou a elegante graviola:

Lagoa do Cassange – Copyright©2017 Rainer Brockerhoff

No restaurante com deliciosos e fartos frutos do mar, Helinho e todos da jovem equipe são muito acolhedores e nos fazem querer voltar.

Domo de Araguainha — Mato Grosso #2

O domo é uma das 5 maiores crateras do mundo. Tem 40km de diâmetro, formada pelo impacto de um meteorito há 250 milhões de anos. O nome é devido ao formato das rochas estilhaçadas. Essa cratera, profundamente erodida, é um astroblema que apresenta anéis concêntricos de colinas e vales. O estudioso Ruy Ojeda, residente em Ponte Branca, gentilmente nos falou sobre o fenômeno.

A importância dos sítios geológicos é, em geral, desconhecida da população. O primeiro passo para a preservação do Domo de Araguainha é a conscientização da população e, principalmente, dos governantes, do valor inestimável deste patrimônio histórico-científico. Os serviços de terraplanagem já danificaram muitas rochas ao longo das rodovias, conforme denunciam os estudiosos.

  • Tour Domo de Araguainha

No acesso a Araguainha — situada no núcleo do astroblema — e Ponte Branca fica mesmo caracterizado o descuido com a belíssima natureza desta região. A rodovia em obras tem muitos desvios, a poeira chega a ficar impenetrável e montes de terra, em muitos pontos, são jogados nas veredas e riachos. Aliás, em Mato Grosso, vê-se lixo em todas as partes: nas ruas, nos quintais, nas praias de areias brancas, etc.. Uma pena!

A cratera só é visível via satélite, mas o círculo de serras azuladas e contorcidas é uma bela moldura da região. Na Serra da Arnica são visíveis os movimentos ali cristalizados pelo impacto do meteorito. As gigantescas árvores de Baru — uma castanha com gosto de amendoim — as douradas árvores “escorrega-macaco”, a paisagem 360° de horizonte, nos silenciam.

  • Córrego do Barreirão

O tal do Barreirão, cheio de pedras, forma cavernas e “panelas” talhadas a compasso! Uns poços bem profundos de águas cristalinas, outros acessíveis para um bom mergulho, as quedas de águas espumantes da Cachoeira do Fuzil formam um grandioso espetáculo. Isto compensa regiamente o sobe-e-desce e os tropeços do caminho. Eduardo, o prestativo guia do domo, nos leva a deliciosas duchas… friazinhas!

  • Ponte Branca

Calçada em bloquetes hexagonais, uma avenida arborizada corta a cidadinha tranquila. A praia da turma é o ribeirão Candeeiro e suas areias brancas e águas claras.

Um trecho impressionante do Rio Araguaia contorna a cidade, com uma ponte precária de madeira — os pilares são de concreto, ufa! — por onde transitam caminhões pesados.

Toda a gente nos recebe muito bem, até tomamos, para nós, a simpaticíssima comadre de Ricardo, nosso guia no jipão. Ela nos ofereceu um frango com pequi muito gostoso sob a frondosa mangueira do quintal. Um luxo!

  • Rio Araguaia

Curtimos tudo naqueles 50km de subida e descida da imensidão azulada do Araguaia, que é todo nosso; vimos ninguém mais! Os olhos de Dimas, nosso comandante, acendem ao apontar cada pedra, cada curva, cada pássaro. Conhece palmo a palmo. É também exímio timoneiro ao contornar as pedras enormes e, principalmente, atravessar um estreito portal formado por duas grandes lascas e fortes corredeiras. Uma aventura!

Apesar de bem maltratado pela inconsequente criação de gado em suas margens, o portentoso Araguaia é um sobrevivente lutador. O rio é belíssimo, as árvores — as restantes — formam um paredão verde cheio de pássaros, os mais diversos.

No final da tarde, uma demonstração das mais surpreendentes: sobre o barco, uma grande revoada de garças brancas voltando para casa…

Este passeio — ou sonho? — no Rio Araguaia é um highlight da Roncador Expedições.

Complexo do Bateia — Mato Grosso #3

Cada um se sente atraído por um tipo de lugar: muitos curtem o burburinho das noites e as luzes da cidade! Outros adoram as novidades da moda, da eletrônica, os cassinos, o mufurufo da Disney e adjacências. Alguns se aventuram pelas trilhas, florestas, montanhas e desertos. Cada qual escolhe a aventura que lhe dá na telha e, assim, todos se divertem. É o mais importante.

Este passeio é especial para os amantes de cachoeiras. É mágico. A Roncador Expedições nos leva ao Complexo do Bateia. Está a 60km de Barra do Garças; parte asfalto, a outra melhor parte é por 4×4 e um tanto de caminhada. A natureza se esmera em curvas, rochas de arenito, cavernas e boas subidas; as flores daqui fazem inveja às pobres produzidas nas floras na cidade.

Melhor ainda não haver “infras”, como resumiu um guia de outras paragens: a água é a dos riachos cristalinos, potável e fresca. O lanche vai na mochila e passa-se muito bem. Aliás, nem há espaço para fome diante de tanta beleza.

As cachoeiras são como seus apelidos: Caldeirão da Bruxa, Pedra Furada, Esmeralda… e vão surgindo mais e mais! Cada uma mais fascinante e convidativa. A próxima cachoeira forma uma graciosa curva, despenca numa bacia revolta e… desaparece! Isto mesmo. Alguns metros abaixo, reaparece, toda faceira, sob uma pedra. Um capricho só.

O dia voa. A cabeça completamente esvaziada. É aqui o nirvana!

Na volta, a compra do queijo fresquinho e delicioso de D. Dalvina.

Ao anoitecer, a mais bela das surpresas: o campo se ilumina com centenas de luzinhas no pisca-pisca dos vagalumes. A orquestra de luzes é emocionante, inigualável.
Com a alma lavada pelo banho nas águas cristalinas e fortes tudo está completo!

Serra do Roncador — Mato Grosso #1

O livro dos Villas Boas — Expedição Roncador-Xingu 1945 — foi a inspiração.

Poucas horas de vôo de Confins a Goiânia; daqui a Barra do (Rio) Garças, aproximadamente, 5 horas de carro; este tempo não se vê passar.

No aeroporto, o jovem e dinâmico casal da Roncador Expedições já à espera. Sinara e Ralph são dedicados, gostam da terra e de mostrá-la aos visitantes. Isto faz toda a diferença. A Pousada Tropical está fora do mufurufo, é bem agradável; a gente percebe o desejo de, a cada vez, melhorar as acomodações e o atendimento. Os apartamentos se abrem para a varanda e jardim com uma boa piscina: indispensável para relaxar e recuperar a energia para as surpresas do dia seguinte.

  • Tour Serra do Roncador

A 65km está a imponente Roncador. O nome vem do som do vento correndo pelas grutas e cavernas. A serra se estende por 800km e separa os rios Araguaia e Xingu.

O “causo” mais famoso é do Coronel Percy Fawcett, chefe de uma expedição inglesa, desaparecido na região em 1925. As versões são as mais variadas e inverossímeis. Cotejando as condições de hoje e as da expedição dos Villas Boas, dá pra concluir que aquele europeu aventureiro morreu mesmo foi pelo ataque de um exército, contra o qual não havia armas: muriçocas, abelhas, bernes, marimbondos, formigas, carrapatos! 🙂

Na esteira de que o Coronel Fawcett buscava uma cidade perdida, por ele denominada Z, desenvolveu-se uma aura de misticismo, sendo a Roncador um campo fértil para a UFOmania, crenças e cultos, pouso de ETs e discos voadores — em Barra do Garças há, até, um discoporto!

Certamente as formações rochosas, fechando a imensidão verde, levam à contemplação, ao silêncio. Uma riqueza geológica ainda, praticamente, desconhecida desperta aqueles sentimentos e acresce a magia da serra.

O caldo suculento de frango, a costelinha, a pimenta esperta são a comidinha no ponto de almoço da simpática dona Maria. O filho de uns 12 anos, Leandro, pula prontamente para nos atender, é ativo e tem os olhos brilhantes de um futuro empreendedor.

A Vereda dos Sonhos justifica o apelido. Agora a gente entende a paixão de Guimarães Rosa pelas veredas — o habitat das elegantes palmeiras de Buriti. É uma extensão de águas claras e, nesta época, fica coberta de florinhas bem miúdas, transformando o espelho d’água num veludo lilás.

Ricardo, nosso guia, curte tudo aquilo e não nos apressa! No campo, uma variedade enorme de pássaros e, de repente, um bando de araras azuis nos saúda, numa reviravolta melodiosa e colorida.

Despencando na serra, as Cachoeiras Gêmeas! A serra vai se transformando ao por do sol… as cores mudam drasticamente nos paredões e vão surgindo, da imaginação de cada um, as figuras, os perfis… aquele lugar ermo é incomparável.

Subindo uns 300m, a Gruta da Estrela Azul com marcas rupestres.

A Roncador Expedições nos reserva um final de passeio muito especial neste primeiro dia: a formação do Arco da Pedra, um belo portal onde aguardamos o anoitecer acolhidos por um côncavo morno na pedra… apenas nós naquele lusco-fusco, a chegada das estrelas ainda no céu teimosamente claro e o silêncio do mato!