Amour

Amour…é um filme forte pra gente forte! Michael Haneke, diretor e roteirista austríaco é bem conhecido pela competência e pelos temas perturbadores e inquietantes.

Haneke estudou filosofia, psicologia e dramaturgia na universidade de Viena. Foi diretor de TV em 1974, estreou no cinema em 1989, já no estilo arrojado que tornaria a sua marca. Entre grandes sucessos, destacam-se “A Professora de Piano” (2001) e o surpreendente “Fita Branca” (2009). Dirige, também, óperas em Berlim, Munique e Viena. Costuma filosofar: “filmes devem oferecer espaço para a imaginação e reflexões; filmes muito explicativos com lições de moral são para mentes vazias e consumistas”.

O ator Jean-Louis Trintignant tem 82 anos e sua parceira Emmanuelle Riva tem inacreditáveis 85. Uma surpresa do filme é a apresentação pessoal do pianista Alexandre Tharaud, no papel de si mesmo – uma gentileza do diretor.

Em “Amour”, Haneke teria se baseado em fatos da própria família. Aliás, o drama do filme está agora, praticamente, em cada família, ali mesmo no vizinho…

É um retrato sem pieguices de um casal idoso que consegue tomar as rédeas das suas emoções e dificuldades com lucidez e coragem. Ali nenhum deles “deixa na mão de Deus, Alá, Jeová” ou de quem quer que seja a solução de suas vidas.

O filme mostra incisivamente a arrogância, a pretensão, em geral, de filhos distantes em querer impor, ditar o que lhes parece acertado. É instigadora e lúcida a resposta do pai para a filha:

— a sua preocupação nós é inteiramente inútil —

Isto porque a dita preocupação nada mais era do que falta de sensibilidade e de empatia com os pais. Na realidade, a desnecessária preocupação é um discurso vazio para encobrir profunda indiferença e o consequente sentimento de culpa.

O filme é imperdível. Contudo, não se lhe aplica o adjetivo “lindo”, nem é para relaxar. Muitas vezes, é bom mesmo e válido enfiar a cabeça na areia como a avestruz :-); neste caso, Haneke cortando com precisão cirúrgica a hipocrisia, mostra, a quem quiser ver, outros rumos para a vida.

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2 thoughts on “Amour

  1. sonia

    Obrigada pela sutileza dos comentários,sem contar a trama nos leva a querer ver o filme.E,de quebra, rever Jean-Louis Trintignant do antigo e belíssimo “Um homem, uma mulher”.

  2. Ana Maria

    Ainda não descobri se sou forte realmente. Não tive coragem de assistir o filme. Quem sabe ainda vou ter.

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