Um pulo a Portugal (2a. Parte)

Continuando nosso passeio por Portugal, passamos por Cascais, a Cabo Frio dos portugueses; não nos impressionou, já que o litoral brasileiro é inigualável.

Sintra lembra Ouro Preto; tem montanhas, é muito agradável, arborizada, as casas antigas muito bonitas. O Parque da Pena (um tipo de planta) foi cuidado por D. Fernando II, um rei visionário; seus engenheiros de minas pesquisaram, descobriram e cuidaram das nascentes da região, muitas são hoje belos lagos. A vegetação é exuberante. Dentro do parque está o castelo de verão do rei. É uma construção muito interessante que “acompanhou” a natureza, não tendo formas rígidas. O banheiro é bem avançado e moderno para a época. A cozinha é enorme, com panelas de cobre em tamanho gigante. O castelo funcionou até por volta de 1920 com a rainha Amélia, muito dinâmica e progressista.

Mafra, lá está a edificação que José Saramago descreve tão bem no “Memorial do Convento”. Convento, basílica e palácio foram construídos entre 1717 e 1730. São 880 salas, 154 escadas e mais de quatro mil portas e janelas em estilo barroco. Se quiser ver as famosas rendeiras de bilro, passe por Peniche. Em Cabo Carvoeiro há formações calcáreas que formam esculturas naturais.

Óbidos, considerada uma das maravilhas de Portugal, tem muralha na qual se pode contornar a pé; do alto, as ruelas, as lojinhas parecem um presépio. Lá entra-se apenas a pé, aliás é uma idéia que deveria se estender a todas as cidades antigas.

Alcobaça é conhecida pelo grandioso mosteiro. A igreja se destaca pelas dimensões exageradas, com três naves em forma de cruz.

Em Batalha o magnífico mosteiro, ainda em função; externamente, lembra a Sagrada Família de Gaudí. As Capelas Imperfeitas, inacabadas, são riquíssimas. Uma jóia que merece maiores cuidados, é outra das maravilhas de Portugal. Por sorte, assistimos a uma apresentação de cantores em trajes típicos, formando um coral de vozes femininas e masculinas.

Leiria, aqui tivemos notícia de um restaurante cujas refeições duram, pelo menos, cinco horas. A catedral, bem iluminada à noite, domina toda a cidade.

Na região de Ourém, Fátima se transformou em um grande centro turístico e hoteleiro. As desapropriações dos terrenos deixaram milhares de pessoas sem teto e sem indenização. Praticamente tudo na cidade pertence aos padres e às freiras. A basílica e adjacências são isentas de impostos, sendo um fato polêmico para muitos portugueses. Deve-se chegar bem cedo para curtir a praça imensa, a igreja moderna, cujos murais externos impressionam. Muito interessante o setor de reconciliação, com confessionários e padres das mais diversas nacionalidades. Por volta de 9:00 horas o número de peregrinos já é bem grande. Dia 13 de cada mês comemora-se a data das aparições, com multidões acorrendo à basilica.

O caminho até Coimbra é coberto de plantações, principalmente de uva. Há casas muito boas ao longo da rodovia; qualquer pedaço de terra está semeado. São vilas em seguida de outras. Na Universidade de Coimbra tem a Biblioteca Joanina, revestida em ouro, que possui um dos mais belos acervos de livros e manuscritos do mundo. A menos de uma hora fica Aveiro, a “Veneza Portuguesa” e seus doces feitos com ovos.

Mais ao norte, em Mealhada, criam-se leitões e há dezenas de restaurantes que servem a iguaria. Entramos em vários e escolhemos o Restaurante Típico da Bairrada. É muito limpo, mais tranquilo, as senhoras garçonetes usam saias plissadas. O atendimento é cordial e o leitão crocante. Vale a pena a parada.

(continua…)

Um pulo a Portugal (Última Parte)

Depois do leitão crocante, seguimos para o norte até a cidade do Porto. Para provar o seu delicioso vinho, vale o passeio pelas vinícolas no vale do Rio Douro. Um passeio sem rumo pelo centro histórico é muito agradável. A Fundação Serralves tem uma importante coleção de arte em meio a um belo parque. A praça central do Porto é no mesmo estilo da de Praga.

Seguimos até Braga para visitar o Mosteiro de Tibães. Infelizmente, não são permitidas visitas no horário de almoço (duas horas!) apesar de os funcionários permanecerem no local! Foi uma pena; parece muito interessante.

Barcelos é um lugarzinho delicioso. De lá provém todos esses galinhos coloridos nos mais variados estilos, até o galo de Gaudí. É bem limpa, ruínas arqueológicas, um jardim com portais do Séc. XVIII e amor-perfeito em profusão. Foi uma bela surpresa.

Dirigimo-nos à Galícia, província espanhola onde se fala um dialeto similar ao português, com destino a Santiago de Compostela. Passamos por Viana do Castelo, que está às margens do Rio Lima, com uma bela ponte construída por Auguste Eiffel, o mesmo da torre de Paris. Caminha é uma cidade à beira-mar, com casas muito boas; um lugar muito agradável.

Já na fronteira com a Espanha, passamos por Valença, Tui e, margeando Vigo, chegamos a Pontevedra. Daí, foi um estirão ansioso para chegar a Compostela. Hoje, uma cidade moderna e bem movimentada, por isso fomos diretamente para a Catedral, simplesmente indescritível. A praça é majestosa com suas edificações antigas; uma delas foi transformada no Hotel dos Reis, com uma “caverna” onde funciona um bom restaurante. Se não for para hospedagem, vale tomar um bom vinho lá. O turíbulo da catedral é magnífico. A qualquer custo 😉 deve-se esperar a missa dos peregrinos, em geral às 19:00, onde os frades fazem-no balançar no adro da catedral, espalhando o incenso. É inesquecível.

Um pulo a Portugal

É o lugar para viajar sem destino… e bem seguro. Os vilarejos, próximos uns dos outros, tem nomes divertidos: Encarnação, Pedro da Cadeira; Avelãs do Caminho, uma graça de lugar; a cozinha portuguesa é muito boa e na rodovia há “vendinhas” de frutas da época – no caso, deliciosas cerejas – biscoitos típicos, “bolachão” de amendoim, etc..

De Lisboa a Santiago de Compostela (na Espanha) são 500Km – menos do que de Belo Horizonte a Guarapari. A catedral, por si só, vale a visita. No trajeto, há lugares ricos em história, bons restaurantes e, ainda, muito verde.

Primeiro, vamos passear um pouco em Lisboa; o centro, como o de todas cidades antigas, é para andar a pé. Descobrimos o Parque Eduardo VII com refrescante espelho d’àgua e magníficas esculturas de Baltasar Lobo, bem como a famosa “Maternidade” de Fernando Botero. Perto, também, “El Corte Inglés”, o “grande armazém” espanhol, onde se pode comprar os deliciosos amendroados.

Na ponta do parque, a Praça Marquês de Pombal, com canteiros largos, arborizados, com a presença robusta dos grandes portugueses: Herculano, Almeida Garrett e outros. Dali, chega-se ao Rossio, cujo elevador para o Bairro Alto é uma peça de arte. O Marquês de Pombal “aproveitou” o devastador terremoto de 1755 para modernizar Lisboa, saneando a cidade e construindo quarteirãos regulares, com praças e avenidas largas na “Baixa”. Os lampiões, o Arco, as lojinhas antigas, tudo muito agradável e pitoresco, sem tráfego de veículos.

Os bairros Alto e Chiado devem ser percorridos com calma, as casas e prédios são bem conservados e as ruas limpas.

As ruínas do Convento do Carmo, destruído no terremoto, despertam a imaginação e de lá avista-se a interessante geometria dos telhados.

Em Lisboa há um jardim onde se pode deixar as plantas, especialmente bonsai, quando a pessoa viaja. Hotel para plantas! Neste mesmo local a atividade “viver os jardins”, onde a família escolhe um canteiro, semeia flores e ervas, colhendo-as depois. É uma forma de cultivar os laços familiares, pois não?

Obrigatória a visita ao CCB – Centro Cultural de Belém, um edifício moderno com exposições, lojas, teatros e espaços ao ar livre, construído com as mesmas pedras do magnífico vizinho Mosteiro dos Jerônimos. A poucos metros, os pastéis de Belém, os melhores da região, numa pastelaria típica.

No CCB havia uma exposição da emigração portuguesa para a França. Eram quadros vivos, onde os visitantes, dirigidos por três moças, faziam as atividades dos emigrantes: deram-nos baldes para buscar água, para percorrer os obstáculos no caminho; havia colchonetes para dormir ao relento; tínhamos de carregar as malas, armar o tripé para o café, atiçando a fogueira e vestidos de roupas antigas. É uma experiência única. Assim, pode-se vivenciar um milionésimo de um dia do emigrante.

O nosso gentil amigo lisboeta, Pedro Aniceto, levou-nos ao Cristo Redentor português, uma capela com duas altas torres que se unem com o Cristo. Para quem não tem Corcovado foi uma boa idéia.

Imperdível é o Oceanário no Parque das Nações. Um passeio para se fazer sem pressa. São 16 mil peixes dos mais variados e coloridos. As lontras são graciosas e calmas. Tente aproveitar o ritmo do aquário e aproveitará muito em relaxamento. Os ansiosos podem ter dificuldade no início, mas o resultado é compensador.

Indescritível e sério é o trabalho de manutenção do aquário gigante pelos biólogos e pessoal especializado. Mergulhadores distribuem alimentação variada e específica para cada tipo de peixe; o comportamento e saúde de todos os seres vivos são acompanhados rigorosamente.

Neste Parque das Nações há lojas, restaurantes, e o Jardim das Águas. Apesar de descuidado, o projeto deste jardim é sensacional. São aparelhos movidos a água, desde o monjolo até o parafuso de Archimedes (séc. III a.C.). Este é um engenho instigante e atual.

O Museu Calouste Gulbenkian é muito rico e agradável: a arquitetura, as obras de arte, móveis, louças, livraria e CDs. É imperdível.

Os portugueses tem um “arrepio” com os espanhóis, como brasileiros e argentinos. Costumam dizer:

Da Espanha não se espera
bom vento
nem bom casamento.

(continua…)

Dor de Cotovelo

Para um querido amigo… sofrendo disto!

Meu amigo, go back home
Volte pro seu lugar.
Volte pra sua casa
De mansinho sem alarde
Devagarinho.
Não precisa
Choro nem perdão
Nem pensar discutir a relação
Tampouco falar nada:
Há falta danada
De conserto de remendo
De roçar a mão.

Volte pro seu canto
Vá apertar o parafuso
Que ajusta o desencanto.
Vá sem promessas
Muito menos plano ou jura
Isto ninguém atura.

Volte pro seu posto
Aqueça o forno
Este fogo alimenta.
Deixe livro ou ferramenta
Pra buscar depois.
Deixe a chuva passar
Espere o sol a dois.

Vá preencher o vazio
Do lugar intocado.
Jogue fora
As tralhas do passado
A vida urge agora.
Não demore amigo
Não se feche
Abra o coração
Ostra sempre acaba
Em suco de limão…

Copyright©2011 Maria Brockerhoff

O Fogo

inquieto, espero
para olhar
teu olhar

ver nele o mesmo incêndio noturno
a dança
de brasas flutuantes

temo
que o fogo falhe
e não se espalhe
espoucando pelo bambuzal.

E seja tudo, novamente, natural.

©Copyright 1997 Nelson Vaz (do livreto “Lado Alado”, Coleção Poesia Orbital)

Ano Novo

ano novo?
novo apenas o ovo…
tudo o mais
está manchado
está corroído
está moído

novo apenas o ovo…
tudo o mais
está gasto
está sujo
está podre
está roto… o odre

Copyright©2011 Maria Brockerhoff

Oásis

…avenida Pedro II, trânsito lento, casario feio, passeios cheios de lixo; à direita, avenida Bias Fortes; o viaduto enegrecido completa a paisagem desolada da cidade grande.

Logo depois da esquina, uma massa dourada à direita, um oásis de flores amarelas, algumas pétalas esvoaçando…
    a rua se iluminou
    a feiura sumiu
    os cachos coloridos penetram a retina
    um fio de esperança desponta.

Este Ipê magnífico, como o são todas as árvores, recebe em troca as queimadas, as serras elétricas e a derrubada para os blocos de cimento disfarçados em áreas de “lazer” e em espaços “gourmet”.

Oh! humanidade desvairada…
    Que venha o outro dilúvio!