J. G. De Araújo Jorge

Tudo estranho…

Sim, quantas vezes, por íntimo pudor,
Por orgulho talvez, amor próprio, vaidade,
Escondemos no riso a nossa dor.
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— Coisa estranha a felicidade!
— Estranha coisa, o amor!

Índia Rego

Pedido

Deixem que eu seja eu
O eu que sonhava ser
Não este eu de mentira
Que todos me obrigam a viver!

Que caia a máscara usada
E surja a face desnuda;
Que, embora em pranto lavada,
Minh’alma não seja muda.

Deixem que eu seja eu
Não importa boa ou má:
Aquela que sei que sou
E que não sei onde está.

Ah! Uma Ilha…

Quero uma ilha!
Chega de mim
Chega de gente
Agregado ou
Dependente
É só armadilha
Mar sem trilha
Canoa sem quilha.

O tal ser humano
Ignorante ou letrado
É bicho complicado
Não tem saída
Desta louca corrida
Tal qual boiada
Solta, sem destino
Em busca do nada!

Basta
Gente madrasta!
A vida é boa
Brisa na proa…
Sejam agora
Jogados fora
Os chatos, os mal-amados
Sem demora afogados
Todos os mal-acabados…

Copyright©2011 Maria Brockerhoff

Mineiricai

Depois do gozo
de todo o belo início
vem precipício

Poço bem fundo
já não mais me engana
ess’alma humana

Copyright©2011 Maria Brockerhoff

A Estátua da Liberdade…

…traz, na segunda parte do poema inscrito na sua base, a esperança de um mundo mais justo, menos pobreza e opressão; significou a acolhida ao mundo da América, ao sonho americano, enfim, um upgrade :-):

…Traga a mim os cansados, os pobres
essa massa acotovelante que anseia por respirar livremente,
A escória miserável que povoa suas praias.
Envie aqueles sem lar, os banidos pelas tempestades, mande-os a mim.
Eu lhes erguerei minha luz até o portão dourado!


(do poema “The New Colossus”, de Emma Lazarus)