Yellowstone, Parque em Wyoming…

…limitando-se com Montana e Idaho; o caminho para Yellowstone já anuncia o esplendor à nossa espera. As montanhas cobertas de pinheiros e árvores vermelho-douradas antecipam as muralhas e canyons espetaculares! Uma curva descortina extensos e esverdeados campos de feno. Os morros aveludados se perdem no horizonte.

A entrada no parque é o belíssimo e azul Lago Yellowstone. Há excelentes hotéis no parque; o mais famoso, Old Faithful Inn, é uma antiga e imponente construção (1903-1904) de madeira, com troncos retorcidos dando-lhe um aspecto original; sua localização é privilegiada: cercado por incríveis e borbulhantes gêisers. Aliás, uma das grandes atrações de Yellowstone são os incontáveis, coloridos, variados e altíssimos jatos de água quente para os céus. Estes gêisers com o fundo em cores brilhantes – turqueza, amarelo, verde, vermelho – são o surpreendente resultados das câmaras de magma subterrâneas.

Yellowstone originou-se de uma erupção vulcânica há 600 mil anos; ninguém acreditava quando os forasteiros contavam sobre estes “rios de fumaça para o céu”… eram considerados delírios ou histórias de pescador… mais tarde, os gêisers eram “coisas do demônio”! São deslumbrantes e, realmente, inacreditáveis estes bolsões que transformam e colorem a superfície!

A estrutura do parque é ótima, além de trilhas e passarelas de acesso a todos os cantos há estradas asfaltadas que percorrem grande parte do parque. Apesar disso, exige-se um bom condicionamento físico para aproveitar das belezas do parque.

Há, ainda, muitos animais selvagens no Yellowstone. Uma experiência muito inteligente é o resgate dos lobos que, na década de 1920, foram dizimados por caçadores do próprio parque. 🙁 Atualmente, os lobos que foram reintroduzidos no parque já contam com uma população de quase duas centenas.

No Yellowstone há muitos rios que se transformam em imponentes cachoeiras; a “Lower Falls”, por exemplo, despenca (94m!), ruidosamente, em uma longa e funda garganta de rochas sinuosas e coloridas apertando o rio turquesa lááá embaixo, formando um canyon de aproximadamente 300m de profundidade, este sim, indescritível e nos faz duvidar dos próprios olhos. A beleza do Yellowstone supera tudo nesta terra. A gente se sente transparente, com uma saudável incapacidade diante desta natureza forte, sábia e indomável!

Insônia — não tente vencê-la!

Não há pretensão alguma de examinar um tema tão vasto e complexo. Cabem aqui as considerações interessantes do filósofo norueguês Jon Elster, citado por Juan Antonio Rivera, in “O que Sócrates diria a Woody Allen (2004, Ed. Planeta), sobre a obsessão de certas pessoas com a insônia. Perseguir uma boa noite de sono é receita certa para o inverso:

  • a pessoa tenta esvaziar o pensamento, num esforço incompatível com a “ausência de concentração que se está tentando conseguir”;
  • a pessoa se coloca num estado de pseudo-resignação à insônia: uma leitura, TV, bebida, etc.. É a tentativa inútil de enganar a insônia… 🙂
  • finalmente, a autêntica resignação baseada na convicção, na certeza de que a noite será eterna e malvada; há a entrega, a luta acabou. Neste momento, o sono chega!

Jon Elster, com lucidez, compara esta situação com aquela em que perseguimos certos objetivos inatingíveis. Isto porque são subprodutos, assim como a serragem, quando se serra a madeira. A serragem vem gratuitamente e vale muito menos, mas não podemos obtê-la diretamente, como o sono e a felicidade, mesmo se concentrando e colocando todos os cinco sentidos em ação.

O sono, a felicidade, o desejo de se apaixonar, o aumento de auto-estima, o esquecimento de uma perda, entre uma infinidade de estados, não virão através de processos racionais, de metas programadas, de exercícios deliberados… porque tudo de bom nesta vida é de graça: é essencialmente subproduto. Esta “serragem” está ligada ao mais íntimo de nós.

O filósofo e economista inglês do séc.XIX John Stuart Mill já descobrira que a busca da própria felicidade é estéril. A única opção — o pulo do gato — é escolher um outro fim, escolher um outro objetivo como propósito de vida. A partir daí, o subproduto virá de mansinho, sem alarde, em silêncio: aí sim, a “serragem” da felicidade chegou!

Movimento Nossa BH

Um sonho para Belo Horizonte

Para BH, meu sonho
é simples e tristonho.
De enorme relevância,
e ninguém dá importância.
É óbvio degrau da educação
desprezado e inacessível.
Adivinhou o sonho impossível?
BH sem lixo na rua, na fonte
sem água servida
sem restos de comida
na triste avenida
no feio horizonte.
Este sonho terá saída?
Duvido. Depende somente
tão só, exclusivamente,
de cada cidadão
sem exceção!

Copyright©2014 Maria Brockerhoff

De Papel Passado

Somos donos dos dias
cheios de carícias.

Somos donos da noite
embalada pela chuva.

Somos donos da magia
ímpar do presente.

Somos donos de um mundo
cercado de hortelã.

Somos donos do amanhecer
de mãos entrelaçadas.

Somos donos da química
irresistível do corpo.

Somos donos da morte
do riso e do amor!

Copyright©2013 Maria Brockerhoff

Dantas Motta — o poeta maior

De Aiuruoca, MG, o magnífico poema

“Pássaro Solitário”

Alma,
Pássaro solitário,
Como é difícil abranger-te!
nem sei como defender-te!
Incomensurável que és.
Num só crepúsculo,
Passeias todas as paisagens,
Visitas todas as terras,
E te recolhes triste
À morada que te serve
De cárcere…

Giant’s Causeway — Belfast

O tal do Giant’s Causeway — a calçada dos gigantes — é magnífico, duvidamos dos próprios olhos! São milhares e milhares de colunas de basalto agarradinhas, formando as mais exóticas figuras geométricas. Em dias claros, avista-se a costa escocesa. Esta paisagem de favos de uma colméia tem origem vulcânica de uma erupção de 60 milhões de anos aproximadamente.

Nesta floresta de pedras uniformes, com colunas de 4, 5, 6, 7, 8 ou 9 lados, parecendo lápis gigantescos de até 12m, avançando sobre o mar, se encaixa perfeitamente a lenda de dois gigantes — um irlandês e um escocês — na construção e destruição do enigmático calçadão, numa disputa de poder.
Através deste calçadão, o gigante irlandês alcançaria a pequena ilha Staffa na Escócia. Lá, a Gruta de Fingal se estende espetacularmente por 80m rochedo adentro. Esta caverna tem a mesma surrealista formação basáltica; veja aí mais uma razão para creditar aos gigantes 😉 esta incrível obra de arte, considerada patrimônio da humanidade.

Próximo do Giant’s Causeway está, entre outras atrações, a Carrick-a-Rede Rope Bridge. É uma ponte de cordas de 20m de comprimento, unindo dois penhascos de 30m de altura; era usada, tradicionalmente, pelos pescadores de salmão. A vista é esplendorosa e uma sensação de plenitude é trazida pelo profundo silêncio só cortado pelos ventos.

A Causeway Coastal Route é considerada uma das mais maiores jornadas do mundo: de Belfast a Londonderry, ou vice-versa. Além de castelos, da Bushmill’s, uma destilaria de uísque de 400 anos, de campos de golfe, é uma rota de descobertas onde a natureza brincou como uma criança livre, travessa e engenhosamente criativa: trilhas, jardins selvagens, florestas, cachoeiras, penhascos banhados pelo mar, este guarda-costas temperamental.

Ao final da tarde até um banco de madeira pareceu aconchegante para um cochilo… os olhos tão cheios precisavam guardar aquelas imagens inesquecíveis!

Titanic — Belfast

Curtir o luxuoso e romântico navio era um desejo bem forte. O navio foi construído em Belfast, Irlanda do Norte, onde, até hoje, as mesmas companhias mantém os guindastes trabalhando nas docas. O Titanic sempre foi motivo de especulação; a partir de 1985 tornou-se a grande atração na literatura, filmes, pesquisas e fofocas. Naquele ano, Robert Ballard, oficial da marinha mercante americana, professor de oceanografia conhecido e respeitado pelos trabalhos em arqueologia submarina e em naufrágios, descobriu os destroços, depois de varrer com a equipe e o robô Argo centenas de quilômetros no fundo do mar.

Ballard tentou, inicialmente, manter em segredo o exato lugar do naufrágio e impedir a invasão daquele “sagrado cemitério”. Relevante descoberta dessa expedição foi a confirmação de que o navio se partira em dois e a popa sofrera danos muito maiores. O competente oceanógrafo descreveu a primeira imagem da proa:

…rios gelados de ferrugem cobrem os lados do navio e se espalham no fundo do oceano.

Ballard retornou em 1986, desta vez com o submarino tripulado Alvin, para uma pesquisa detalhada do mais famoso naufrágio de todos os tempos. A curiosidade, para o bem ou para o mal, trouxe à tona os mistérios, as histórias e os mitos.

A partir de 1986 a RMS Titanic Inc. dedicou-se a preservar o legado do navio; em sucessivas expedições foram resgatados 5500 artefatos. Com este magnífico acervo, complementados por filmes, fotos e testemunhos vários, a empresa recriou espetacularmente toda a atmosfera do Titanic em exposição por todo mundo.

Não escapamos ao fascínio e já corremos atrás do Titanic: assistimos o documentário de Ballard nos Estados Unidos; visitamos em Halifax, Canadá, o belo cemitério onde estão centenas de vítimas; a gente pôde se arrepiar ao tocar em um enorme iceberg de verdade na primeira exposição da RMS Titanic em San Francisco. Em Denver, Colorado, envolvemo-nos emocionalmente com Molly Brown, famosa sobrevivente do Titanic. Na Irlanda, estivemos em Cobh, último porto de onde partiu o Titanic, hoje museu da emigração.

Titanic/Belfast - Copyright©2013 Rainer BrockerhoffAgora, em Belfast, completamos a peregrinação ao visitar o maior museu do mundo sobre o Titanic. A grandiosidade, o avanço tecnológico, os detalhes, enfim toda a Mostra é comparável à construção do próprio navio. Resumindo:

uma ida a Belfast apenas (!) para reviver todas as emoções daquela viagem e voltar no dia seguinte é altamente compensadora.

Belfast – Irlanda do Norte

No miolo de Belfast não dá para perceber a, ainda inacreditável, separação entre protestantes e católicos. A cidade é considerada a segunda, depois de Tóquio, em gentileza e boa recepção aos turistas. Saboreamos isto em duas ocasiões quando, na rua, consultávamos um mapa e as pessoas se aproximaram afavelmente para ajudar.

Ainda, próximos aos principais pontos de ônibus, há grupo de rapazes uniformizados orientando as direções e levando os turistas aos ônibus certos — um luxo! Os de turismo percorrem todas as atrações com curtos intervalos e funcionam no sistema dropon/dropoff: o sobe-e-desce-onde-quiser. Quando se sai do centro, a imagem da cidade vai se transformando. Muitas grades, edifícios abandonados, casas e prédios públicos cercados, arame farpado nos muros; é uma pena!

Belfast está empobrecida, como em geral a Irlanda do Norte. Certamente a profunda divisão religiosa (!) tem grande parte na decadência econômica e social. Gera grande perplexidade o alto muro separando os bairros Shankill (protestante) e o mais pobre Falls (católico). Aqui aumenta consideravelmente o abandono, as cercas tomando conta de praças e conjuntos residenciais. Uma funda sensação de impotência ao nos aproximar dos portões que se fecham todas as noites às 21:00, bloqueando entrada e saída entre os bairros.

Há, conforme a imprensa e relatos individuais, ação de grupos paramilitares fomentando a discórdia sob a omissão do governo. Felizmente, há grupos idealistas de católicos e protestantes trabalhando em conjunto para reverter esta realidade. Visitamos um prédio — exatamente no limite dos bairros — com escola, oficinas e campo de futebol onde os jovens dos “dois lados” se encontram, aprendem ofícios e jogam bola. São alentadores o programa e os resultados, lentos mas progressivos, deste pessoal.

Em tempo, perambulamos por dois dias por esses bairros e não tivemos problema algum com segurança.

De Dublin para Belfast, onde passamos três dias, conseguimos atingir nossa proposta já há algumas viagens: turismo leve! Fomos para lá apenas com nécessaire e a mochila com iPad. Sem bagagem a gente já não é mais turista e faz uma diferença impressionante! Só experimentando…

Connemara — Irlanda

Galway, uma charmosa e hospitaleira cidade na belíssima baía com o mesmo nome, é o ponto de partida para Connemara, apelidada a Esmeralda da Irlanda. Connemara é uma região cheia de lagos, vida selvagem, ilhas e pedras na costa oeste irlandesa, muitíssimo bem aproveitada com a realização de incríveis maratonas e desafios como o “Turf Warrior” e o “Great Fjord Swim”. Aqui se fala o sonoro gaélico como primeira língua. Em outros lugares, as placas são bilingues.

Perto de Clifden, uma cidadinha muito agradável, o Abbeyglen Castle, construído em 1832 por uma família nobre é, hoje, um clássico hotel com extensos gramados, ambientes românticos ao som de piano e boa comida.

Connemara também tem os seus castelos, histórias de amor e traição. Richard Martin, um nobre da região, costumava passar férias com a mulher na França. O saldo destas viagens foi uma paixão fulminante da mulher por um ator aparentemente sem fortuna. Martin, o marido esperto, não lhe concedeu o divórcio mas acionou o amante por fraude (!!), alegando que a mulher fora vítima de ardis do amante. Ganhando a ação, teve a honra lavada sem se divorciar. A família do ator, muito rica, pagou uma fortuna de indenização; Martin jogou todo o dinheiro pela janela da carruagem. O trágico é que a esposa morreu logo depois ao dar a luz ao primeiro filho. Martin casou-se novamente e teve cinco filhos. Não, a história não termina aqui! Anos mais tarde, Martin perdeu a eleição para o parlamento, pois a família da primeira mulher ofereceu muito dinheiro aos eleitores para faltarem às urnas… morreu pobre.

Do pequeno aeroporto de Connemara, 8 minutos de vôo nos levam a Inis Mór, a maior das Ilhas Aran. A impressionante fortaleza pré-histórica Dún Aonghasa é conhecida como a mais grandiosa construção bárbara da Europa; à beira de altos penhascos, este forte ocupa uma grande extensão nos enormes campos verdes quase desertos. Os limites dos terrenos são de muros baixos de pedra. Interessantíssimo é que a “porteira” dos terrenos também é de blocos de pedra… são desempilhados e reempilhados, toda vez, para entrar e sair. O cemitério e outras ruínas antigas compõem este cenário incrível.

Atravessando campinas cheias de pedras, lagos onde a luz brinca com a paisagem, avista-se a Kylemore Abbey. Há muitos anos se transformou em renomado colégio interno, dirigido pelas Beneditinas; funcionou até 2010. Hoje é museu e atração turística. Só o bem-cuidado jardim já vale a visita!

Connemara tem o fascínio do vazio, pouca gente, raros telhados… é cheia de silêncio, de campos ondulados, de mar a perder de vista… Connemara traz repouso e imagens indeléveis.

Dublin — Irlanda

A solidez, a imponência dos casarões de pedra, as ruas cheias de gente colorida, avenidas largas, flores em todas as portas, janelas e postes fazem de Dublin (parodiando Hemingway) uma festa. O Trinity College, em plena atividade, é um centro efervescente de cultura e eventos. Na biblioteca antiga, o Livro de Kells, manuscrito iluminado do séc. VIII, arte dos frades celtas, é prova da genialidade, da grandeza, da dedicação e altruísmo da humanidade. É absolutamente consolador verificar que o ser humano é capaz de uma obra tão grande, quando a guerra na Síria é o extremo oposto.

A exposição na antiga fábrica da Guinness, a cervejaria mais antiga da Irlanda, é uma demonstração de talento, organização e muuuito trabalho. Usa sistemas hi-tech para demonstrar equipamentos e processos muito antigos de fabricação. Arthur Guinness arrendou uma cervejaria menor quando, ainda muito jovem, quis botar em prática suas idéias mirabolantes: em 1759 nasce a Guinness!

Nem é preciso anotar endereço, o cheiro delicioso de cevada e malte conduz o turista à cervejaria…