Bem-vindo
cada dia
com
louvores
dores
acrobacia…
cada um de nós
os vai
colorindo
Copyright©2026 Maria Brockerhoff

Bem-vindo
cada dia
com
louvores
dores
acrobacia…
cada um de nós
os vai
colorindo
Copyright©2026 Maria Brockerhoff


Um dia, um médico atestará o fim do funcionamento do meu cérebro. E, numa forma essencial, minha vida chegou ao fim. Quando isto acontecer, não tente introduzir vida artificial no meu corpo através de máquinas. Invés disso:
doe meus olhos a um homem que nunca viu o sol nascer, nunca viu o rosto de um bebê ou amor no olhar de uma mulher;
doe o coração a uma pessoa cujo coração não fez outra coisa senão causar dias infindáveis de angústias;
doe o rins para alguém dependente de uma máquina para viver semana após semana;
doe o sangue, o ossos, cada músculo, cada nervo de meu corpo e encontre um jeito de fazer crianças aleijadas andarem;
explore cada canto do cérebro e de meu corpo, deixe as células se desenvolverem e algum dia, um menino mudo será capaz de gritar o gol de seu time e uma menina surda ouvirá o som da chuva na vidraça;
queime as sobras de mim e espalhe as cinzas ao vento para adubar as flores;
certamente será necessário enterrar as minhas culpas, as minhas fraquezas e todos os preconceitos.
Se você quiser se lembrar de mim, faça-o com um boa ação ou uma boa palavra para alguém desconhecido. Assim eu viverei para sempre!
Adaptado de um texto de Robert Noel Test
para Vanessa M.… já descobrindo aonde não ir…

José Régio, in ‘Poemas de Deus e do Diabo’ — 1925
“Vem por aqui” — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui!”
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: “vem por aqui!”?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios…
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
— Sei que não vou por aí!
No sul da Itália — calcanhar da bota — a intrigante cidadinha de Alberobello com as torres de pedra. Trulli, plural de trullo, vem do grego, significa cúpula.

Antigamente, essas engenhosas construções de pedras calcárias, empilhadas sem argamassa, abrigavam os camponeses durante a colheita de azeitonas. Com destreza, os trulli eram desmanchados e reconstruídos rapidamente. Assim, os coletores de impostos do rei de Napoli eram enganados: deparavam com montes de pedras sobre as quais não incidia cobrança. Às costas dos fiscais os trulli eram reerguidos.

A região de Alberobello, a 55km de Bari, é solo fértil para a plantação de oliveiras muito elegantes… …e idade de Matusalém.

As oliveiras — a planta macho — são em número bem menor; então, planta-se uma oliveira macho e em volta uma dezena de oliveiras fêmeas para facilitar a polinização.
A habitação em trulli remonta a mil anos. O formato em cone é apropriado para a coleta de água de chuva em cisternas. O interior se mantém fresco e agradável. O centro antigo é recortado por escadarias, ruelas e lojinhas.


Excelentes hotéis e restaurantes modernos em estilo trulli:

Diante destes imponderáveis trulli fica patente o poder criativo dessa gente campesina em transformar inóspitas pedras em abrigo. Alberobello é mais uma grata surpresa por estas antiquíssimas bandas italianas.
…haicai de mineiro, uai!
agressão a gays…
pura inveja no peito
rapaz, que despeito!
Copyright©2025 Maria Brockerhoff

…hoje percorremos a diversidade das passagens por este mundão sem fim!
• Mar Vermelho: um golfo do Oceano Índico entre a África e a Ásia. À esquerda, o Golfo e Canal de Suez; a peninsula do Sinai ao centro, Egito; à direita, o Golfo de Aqaba.

O significado da Páscoa / Passagem é bem marcante para os hebreus perseguidos pelos egípcios diante da barreira intransponível do Mar Vermelho. O mar se abriu em uma passagem segura e se fechou sobre o exército egípcio. Há muitos e variados estudos sobre essa passagem. O nome em hebraico, Yam Suph significa “pântano de juncos”; assim, a hipótese é a de que as bigas egípcias se atolaram no pântano.
• Antártida, Passagem Drake:

A sala de entrada da Antártida; Pacífico e Atlântico se fundem sob ventos fortes e manto de gelo.
• Bahia, Península de Maraú:

Na Lagoa do Cassange, a trilha do fim do túnel…
• Sérvia, Portão de Ferro:

As pontes, passagens acolhedoras, são imprescindíveis nesta vida!
• Irlanda do Norte, a Carrick-a-Rede Rope Bridge:

Esta ponte de cordas une dois penhascos de 30m de altura. É usada pelos pescadores de salmão. …silêncio profundo só cortado pelos ventos…
• Bhutan, emblemáticos os portões de entrada ao reino da felicidade:

Para os indianos, o portão de entrada é a passagem para a terra prometida como os Estados Unidos o são para os mexicanos. A imigração é severamente restrita.
• Egito, Canal de Suez; liga o Mar Vermelho ao Mediterrâneo:

Este é um Mar feito à mão. Aqui, a ficção imita a vida.
Nesta viagem, a travessia, desfiladeiros, desvios, gargantas, estreitos, meandros são muitos… e significativas passagens… levam-nos a encontros, separação, alívio, fuga, plenitude, libertação…
Copyright©2020 Maria Brockerhoff

De mansinho
abril
o amor surgiu…
ninguém viu?
Copyright©2025 Maria Brockerhoff

Assim como as páginas
de um livro
o tempo nos aguarda
cheio de mistérios
As páginas do tempo disponíveis
para os desejos
à espera de impulsos da vontade
da ousadia de transformar
da capacidade de ultrapassar
Estas páginas
assim como todos os dias
serão preenchidos com
seiva suor lágrimas
Cada um de nós usará
a tinta das veias
para colorir umas e outros

…vai fundo
o significado da despedida
não mais volta
nem ida
ao por do sol.
Delineia-se altivo
o definitivo
o fim da linha
Copyright©2024 Maria Brockerhoff