Istambul — Turquia

Türkiye é a terra onde pode-se ir mil vezes… é fascinante. Os bazares, em İstanbul, são um mundo de sons, cores e cheiros. Os queijos enormes, colméias inteiras, doces e especiarias inigualáveis. A gente é bonita e os homens especialmente cavalheiros. Também nas ruas os vendedores são equilibristas.

İstanbul, Türkiye – Copyright©2006 Rainer Brockerhoff

A visita à Hagia Sophia, à Mesquita AzulBlue Mosque — e ao misterioso Topkapı — residência do sultão — se equipara a uma inesperada peregrinação, quando se vai pela primeira vez.

Blue Mosque, İstanbul – Copyright©2006 Rainer Brockerhoff

Porém, há um lugar impressionante nem tanto frequentado por turistas: a Cisterna da BasílicaYerebatan Sarnıcı — restaurada há mais de 30 anos, é um retângulo de 10.000 m² e 8 m de altura sustentado por 336 colunas, de vários tipos de mármore, bem abaixo do nível da rua.

Yerebatan Sarnıcı, İstanbul – Copyright©2006 Rainer Brockerhoff

Estes reservatórios, muito antigos, eram a provisão de água da cidade e estratégia de conservação, porque o inimigo atacava primeiramente os aquedutos. A água nessas cisternas chegava ao teto.

Atualmente fizeram passarelas por onde percorremos todo o espaço. O nível de água é baixo; se criam carpas para a limpeza do reservatório e sinalizar vazamentos.

A Coluna das Lágrimas veio de Creta, é cheia de olhos que minam as lágrimas dos escravos, daí o nome.

Yerebatan Sarnıcı, İstanbul – Copyright©2006 Rainer Brockerhoff

Curiosa a coluna com a cabeça de Medusa colocada de cabeça para baixo, segundo a lenda, por Justiniano para demonstrar que os deuses pagãos estavam mortos. Outros afirmam ser a intenção de neutralizar o olhar mortal da Medusa, uma das três Górgonas da mitologia grega.

A cisterna é um incrível museu vivo e abriga um pequeno palco para concertos. A construção da cisterna é engenhosa no estilo catedral, com 140m de comprimento por 70m de largura, uma escada de acesso com 52 degraus. Esta relíquia ficou esquecida por mais de cem anos até ser redescoberta em 1544 por um explorador francês.

A lembrança deste lugar nos leva lá de volta trazendo a mesma sensação de sossego e encantamento.

Everest ou Disneyworld?

Centenas de pessoas estão nesta fila de espera, por horas, para dar uma olhadinha no topo do Everest, Himalaya — Nepal. Quarta-feira, 22 de maio, três pessoas morreram.

Copyright©2019 Nimsdai / Nirmal Purja / Project Possible

A escalada tornou-se um negócio cada vez mais lucrativo desde 1953, quando o sherpa Tenzing Norgay e o neozelandês Edmund Hillary, pela primeira vez, conquistaram o intocável pico. A permissão de escalada custa US$11 mil. Para esta estação já foram concedidas, pelo Nepal, 381 licenças somente para alpinistas, sem contar 140 licenças para a escalada pelo flanco tibetano. Acrescentando-se os guias, mais de mil pessoas enfrentam este congestionamento no Hillary Step.

No Nepal, o alpinismo, o glamour e as glórias da conquista do Everest são um mundo elitizado muito distante da realidade do gentil povo nepalês. O Himalaya é uma belíssima moldura fora do alcance de quase todos.

Himalaya – Copyright©2014 Rainer Brockerhoff

Em Kathmandu, o guia comentou, entre divertido e irônico: “aqui, a sola do pé já acabou”, ao esclarecer o desinteresse dos nativos de Kathmandu por escaladas; andam a pé grandes distâncias para trabalhar e tudo o mais.

Além do pesado gargalo na proximidade do cume, um outro desatino neste caminho é o acúmulo de lixo: em abril, foram retiradas 11 toneladas — uma pequena fração do remanescente. Curiosamente, alguns turistas tentam simular a chegada ao cume para receber o certificado, na situação embaraçosa de um casal de indianos em 2018, alterando fotos.

No Bhutan não é permitido escalar as montanhas, a morada dos deuses e, por isso, sagradas.

Punakha Dzong, Bhutan – Copyright©2014 Rainer Brockerhoff

Neste reino da felicidade, poluir as águas ou cortar florestas atrai doenças e a ira das divindades. Invejável sabedoria!

Hotel-Escola — Alemanha

No Hotel Zugbrücke em Grenzau, o Centro de Treinamento de tênis de mesa tem uma programação especial para crianças, incluindo aulas particulares. Interessa à equipe a descoberta de talentos… quanto mais cedo melhor.

Hotel Zugbrücke, Alemanha – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Anton Stefko, o treinador-chefe, é um mágico ao treinar, por exemplo, um menino de 4 anos. Esses treinos, muitas vezes, são gratuitos.

O vilarejo é um jardim só! Até um portão de garagem é uma arte.

Grenzau, Alemanha – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

E este mercadinho de castanhas no passeio? Ninguém toma conta; o freguês faz o pagamento e o próprio troco; ah! a gentileza do quebrador de nozes… essa gente fina!

Grenzau, Alemanha – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Uma boa caminhada leva ao rico museu de cerâmica. Ali, também, uma sala de aula para as crianças se iniciarem nesta arte milenar.

Museu de Cerâmica, Grenzau – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

A argila da região especialmente branca e fina atrai artesãos há séculos.

Museu de Cerâmica, Grenzau – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Grenzau é a terra do maior mentiroso do mundo: este viajante destemido — Theodor Schmidt, 1830 a 1890 — contara aos conterrâneos o espanto de não haver, em terras distantes, carruagens puxadas por animais de quatro patas. Havia, sim, um cavalo enorme de aço cheio de gente e de mercadorias, correndo sobre os trilhos e soltando nuvens de vapor. Ninguém, claro! acreditou; daí o apelido “Lügendores” (Theo mentiroso).
…nem sempre se consegue ver além do próprio mundo estreito…

Grenzau, Alemanha – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

O nosso Theodor teve um glorioso revide em 1884, quando o cavalo de ferro — a locomotiva — apareceu aqui e fez a multidão desabalar num misto de admiração e pavor.

Hotel-Escola de Tênis de Mesa

De Frankfurt, Alemanha, são 50 minutos de trem até Montabaur, com pouco mais de 12 mil habitantes. Na saída da estação esta boa idéia:

Montabaur, Alemanha – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

Daqui — 15km de taxi — chegamos a Grenzau em meio a um semicírculo de floresta bronze-dourada no outono.

Grenzau, Alemanha – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

…e ao nosso destino, o Hotel Zugbrücke:

Hotel Zugbrücke, Alemanha – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

ZugbrückeZug trem, Brücke ponte — é a antiga ponte sobre a ferrovia inaugurada em 1884 no vilarejo fundado em 1212.

Grenzau, Alemanha – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

No hotel, além de piscina, sauna, fitness, tratamentos de beleza, pizzaria, boliche…

Hotel Zugbrücke, Alemanha – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

…o centro de treinamento de tênis de mesa dirigido pelo competente treinador, campeão checo, Anton Stefko e auxiliares. Os treinos são em variados níveis, de 9 às 21 horas. Anton está em Grenzau desde 1982; por aqui já passaram mais de 100 mil apaixonados pelo pingue-pongue. Muitos campeões europeus, inclusive Timo Boll, já treinaram com o bem-humorado Anton.

Hotel Zugbrücke, Alemanha – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

O hotel é perfeito para uma imersão. Oferece café da manhã, almoço e jantar:

Hotel Zugbrücke, Alemanha – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff
Hotel Zugbrücke, Alemanha – Copyright©2018 Rainer Brockerhoff

No entorno, trilhas para longos passeios a pé ou de bicicleta. Castelos, moinhos, e 800 anos de histórias. Ficamos 10 dias treinando pingue-pongue e andando ao léu… a sensação é de estar em uma ilha. O redemoinho da cidade grande, as obrigações, o cotidiano, ficam bem longe. Estar por um tempo fora do habitat, com pessoas, lugares e costumes diferentes, é saudável e renovador!

A Passageira do Titanic

A viagem de Molly Brown no Titanic foi puramente fortuita. Estava em Paris com a filha e voltou, com urgência, a New York onde o neto estava doente. No filme, é aquela passageira bem-humorada que emprestou o smoking para o mocinho Leonardo di Caprio.

Margaret Brown – Wikimedia Commons

Molly Brown também era uma pessoa muito especial, em sintonia com as emoções do outro. Foi uma mulher muito avançada, quebrou muitos padrões e viveu intensamente.

Margaret Brown foi para Denver, Colorado, USA, ainda jovem e, como todas as donzelas da época, planejava arranjar um bom partido. Como em um filme, apaixonou-se por J.J. Brown, que… era pobre. Porém, mais tarde, J.J. inventou um método de calafetar as perfurações da mina na qual trabalhava, sendo regiamente recompensado com ações e um cargo mais elevado. Assim, Molly completou, merecidamente, seus sonhos de amor e riqueza.

Embora tivesse apenas o curso fundamental, Molly Brown leu muito, aprendeu línguas, viajou por países “remotos” como Egito, Rússia, Índia, Japão; tinha uma biblioteca variada e foi até, duas vezes, candidata ao senado federal.

A sua casa em Denver é hoje um museu, onde podemos reviver o ambiente requintado, alegre e ousado para a época. Molly Brown exigiu os últimos avanços tecnológicos: eletricidade, telefone, banho e o luxo de vaso sanitário com água corrente dentro de casa! Havia, também, máquina de lavar. No terceiro piso da casa eram celebradas festas e bailes. As louças e prataria enchem armários e são de muito bom gosto.

Denver, Colorado – Copyright©2012 Rainer Brockerhoff

Claro que Molly Brown, pelas suas idéias progressistas e comportamento avançado, incomodava as 36 (!) famílias tradicionais da cidade. Contudo, esta mulher admirável seguiu seus impulsos e idéias, realizando um inédito trabalho voluntário com crianças carentes e serviços protetores dos animais; disto surgiram os juizados especializados para crianças e adolescentes, os primeiros dos Estados Unidos. Ainda, batalhou por causas feministas, inclusive pelo voto.

No naufrágio, Molly Brown teve uma iniciativa excepcional quando, recolhida com os outros sobreviventes, cansada, com fome e frio, ajudou os passageiros de segunda e terceira classe, ilhados num país estranho sem família nem pertences; seus conhecimentos de francês, alemão e russo a fizeram porta-voz dessa massa de imigrantes. Ainda a caminho do porto, angariou donativos entre os passageiros de primeira classe. Uma típica atitude de Molly Brown: imediatamente publicou uma lista de quem NÃO quis participar; surtiu um grande efeito!

Publicou, ainda, artigos em jornais exigindo melhorias na segurança e a ela se deve muitos dos procedimentos atuais, como a existência de coletes salva-vidas e botes suficientes para todos os passageiros.

Aqui, em Denver, a história do inafundável Titanic está intimamente ligada a essa ilustre moradora.

Rhodes — Grécia

A ilha de Rhodes, uma pedreira única e especial no Mar Egeu, a 300km da capital Atenas, guarda a cidade medieval mais preservada da Europa. Este centro antigo da cidade de Rhodes — habitada desde a Idade da Pedra — ainda conserva as muralhas originais.

Rhodes – Copyright©2006 Mac ind Óg – Creative Commons

A vista da epônima capital de Rhodes, a quarta ilha grega em tamanho, é majestosa. Cercada por muralhas, a cidade é salpicada de castelos, a entrada através dos muros antigos. Há cemitérios grego, turco, inglês, italiano e judeu, demonstrando a diversidade cultural e a extensão das garras dos homens fazedores de guerras.

Ilha de Rhodes – Copyright©2006 Rainer Brockerhoff

O Império Otomano já ocupou Rhodes, proibiu o ensino da língua grega, por isso a estrutura simplificada da gramática e do próprio dialeto. O apóstolo Paulo teria vivido na ilha. RhodosΡόδος, significa em fenício, cobras — era, claro, o habitat de cobras. A introdução desastrosa de cabras há mais ou menos 2500 anos extinguiu a vegetação e dizimou os pobres répteis…

Ilha de Rhodes – Copyright©2006 Rainer Brockerhoff

O Colosso de Rhodes é uma forte lembrança cercada de lendas e fantasias. Estaria com os pés apoiados na entrada do porto Mandraki.

Mandraki, Rhodes – Copyright©TravellingOtter – Creative Commons

A obra espetacular em moldes de cera, cerâmica e bronze levou 12 anos. O colosso de 33 metros de altura durou apenas 66 anos, sendo destruído por um terremoto em 226 a.C.. Há divergências quanto ao local exato da construção; para nós, o ambiente enigmático, a força da cultura, o relevo, preenchem as lacunas da história.

Borneo — Malaysia

Aportamos na ilha de Borneo, sudeste da Ásia, em Kota Kinabalu, aos pés do Monte Kinabalu, a capital da província malaia de Sabah. A maior parte da ilha pertence à Indonésia, a outra pequena parte é o Sultanato de Brunei.

É uma monarquia parlamentar inspirada no sistema inglês. O rei é eleito entre as nove famílias reais, com mandato de cinco anos. O governo, em atitude avançada e exemplar, tem impedido a devastação das florestas nesta parte insular da Malásia. A praias são limpas, rodeadas de montanhas. Lá também há os dois mundos: uma pequena parte rica da cidade…

Kota Kinabalu, Malaysia – Copyright©2009 Rainer Brockerhoff

…e o povo.

Kota Kinabalu, Malaysia – Copyright©2009 Rainer Brockerhoff

O calor e a umidade lembram Manaus. Aproveitamos uma fonte que, gentilmente, espalha nas imediações uma chuvinha fina e refrescante!

O Museu Sabah é especialíssimo; em exposição as roupas típicas dos noivos; são muitos dias de comemoração e os noivos se transformam em reis, tal a suntuosidade e magnificência! O casamento tem grande importância cultural; ainda representa um negócio entre as famílias. O comum é a situação de submissão feminina, ainda que disfarçada… mais ou menos como nas bandas de cá. Curiosamente, até 1930, o presente de casamento mais festejado: duas cabeças da tribo inimiga. Outro costume, ainda no século XIX, era o oferecimento da primogênita ou da filha mais bonita, mais bem dotada, em sacrifício para que as colheitas fossem fartas.

O Sabah Heritage Center reproduz o modus vivendi dos nativos de diferentes etnias em casas de bambus, tipo palafitas, no meio da mata; estão bem conservadas com utensílios e enfeites.

Kota Kinabalu, Malaysia – Copyright©2009 Rainer Brockerhoff

O templo chinês Pu Tuo Si, construído em 1980, e seus jardins tropicais.

Kota Kinabalu, Malaysia – Copyright©2009 Rainer Brockerhoff

A Guanyin (mãe-Buda) é enorme; faz bem contemplá-la, transmite boa sensação de serenidade.

Kota Kinabalu, Malaysia – Copyright©2009 Rainer Brockerhoff

O pedestal simboliza a flor abundante da região, o lótus sagrado:

Kota Kinabalu, Malaysia – Copyright©2009 Rainer Brockerhoff

Um momento muito agradável foi no mercado de Kota Kinabalu quando conseguimos, com a ajuda de outros feirantes, decifrar, entre boas risadas, a proveitosa lição de uma senhorinha malaia:

…pode ter crocodilos num lago de águas calmas…

Devil’s Tower — Estados Unidos

A Torre do Diabo situa-se em Wyoming na fronteira de Montana e South Dakota. Saindo de Denver no Colorado percorremos 631km para o norte por entre paisagens magníficas.

Devil’s Tower, Wyoming – Foto S.Carter/NPS

Ao longe avista-se um gigante solitário escurecido pelas sombras… aos poucos vai-se delineando uma formação rochosa imensa e, naquele momento, esverdeada de 386m. Mais perto aquela torre sobre um monte de pedras enormes, já dourada, tem as dobras de saia plissada — alguém ainda se lembra disto?

Devil’s Tower, Wyoming – Copyright©2012 Rainer Brockerhoff

Discute-se, ainda, a origem da Devil’s Tower; o material de rochas ígneas tem 40 milhões de anos, especula-se ser de origem vulcânica.

Para preservá-la a área foi transformada em um parque bem estruturado em 1906. A Devil’s Tower é o primeiro monumento nacional dos Estados Unidos. Uma trilha contorna a torre, podendo-se chegar bem perto e curtir cada faceta de aspecto diferente. Bando de pequenos pássaros prateados volteiam sobre o topo e, no silêncio da tarde, é um momento mágico para se levar dentro da gente!

Devil’s Tower, Wyoming – Copyright©2012 Rainer Brockerhoff

Nem em sonho, nem a mais arrojada fantasia se aproxima da imponência e beleza deste lugar sagrado para os índios. Suas fendas são um constante desafio para os escaladores de todo o mundo.

Ainda tivemos a surpresa de ver a Devil’s Tower, tal qual um camaleão, se colorir de intenso vermelho ao por do sol… deixando-nos suspensos por um fio numa borda invisível…

Devil’s Tower, Wyoming – Copyright©2012 Rainer Brockerhoff

Lanzarote — Montanhas de Fogo

Lanzarote, mais de 140 mil habitantes, capital Arrecife, abrange também três ilhotas: La Graciosa, Isla de Montaña Clara e um refúgio de pássaros na Isla de Alegranza. Os navios de cruzeiro aportam no Puerto Los Mármoles, a 4km do centro da cidade. Lanzarote é a ilha dos vulcões adormecidos onde a lava corria para o mar.

Los Hervideiros, Lanzarote – Copyright©2016 Barni1, Pixabay

A criatividade de César Manrique transformou as lavas vulcânicas em obras de arte como os Jameos del Agua. São buracos num tubo de lava de 6 km, formado há 4000 anos, com a erupção do vulcão La Corona. Há dois pontos onde o teto do tubo sofreu um colapso:

Jameos del Agua, Lanzarote – Copyright©2005 Rainer Brockerhoff

Na parte intacta do tubo, um pequeno lago subterrâneo abriga pequenos caranguejos cegos, os jameitos, encontrados apenas aqui. Jesús Soto projetou o acesso e um auditório na Cueva de los Verdes, que está no mesmo tubo de lava do La Corona, próximo aos Jameos:

Cueva de los Verdes, Lanzarote – autor desconhecido

O salão principal do restaurante subterrâneo Monumento al Campesino, em uma caverna de basalto, é redondo, com luminosidade de uma manhã de verão, muito bem ventilado através de skylights e velas de barco refletoras. Todos os caminhos atravessam as lavas:

Lanzarote – Copyright©2005 Rainer Brockerhoff

Um antigo forte, abrigo de canhões — o Mirador del Rio, norte da ilha — foi transformado por César Manrique, Jesús Soto e o arquiteto Eduardo Cáceres. A natureza, numa brincadeira, tirou do mar um braço de água, tão estreito que é chamado simplesmente de El Rio, separando Lanzarote da ilha La Graciosa. Este mirante é considerado uma das construções mais impressionantes do mundo. Aqueles gênios criaram este ponto de observação a 479 m de altura.

El Rio e La Graciosa, Lanzarote – autor desconhecido.

Todas as palavras e imagens são desbotadas… diante desta ilha. Se, entre todos os lugares especiais desta Terra, tivéssemos que escolher apenas um, não hesitaríamos: voltar a Lanzarote.