Jardinagem: A Solução Verde

The Butchart Gardens — um lugar especial onde existem 5 estações: primavera, verão, outono, inverno e… natal!

Está localizado na costa oeste do Canadá, em Vancouver Island. A antiga mina de calcário e fábrica de cimento da família Butchart transformou-se, gradualmente, em um paraíso pela idéia original e trabalho incansável de Jennie Butchart, que se rebelou contra a aridez do terreno.

É indescritível a emoção de percorrer aquelas alamedas. Basta dizer que se alguém tiver apenas um dia no Canadá, a visita ao Butchart Gardens vale a viagem!

Clique aqui para ter uma pálida idéia dos 220 mil metros quadrados deste jardim.

Músicas do Espinhaço e…

…Parque das Águas Burle Marx, no Barreiro de Cima (Belo Horizonte) foi uma bela combinação na gostosa tarde de domingo, 2/6.

O parque é uma agradável surpresa, um oásis na cidade grande: extenso gramado cortado por minicanais de água, canteiros floridos, cascata, riachinho cantante e belíssimas árvores! Lá se realizam atividades físicas, bem cedinho, embaladas pelo canto dos passarinhos, conforme nos contou Denise, uma gentil moradora, que num gesto espontâneo e cordial se transformou em “guia” do parque.

A banda do Bernardo (+ Zé Mauro, Gustavo, Matheus e Rafael) apresentou músicas novas — “Janelas”, por exemplo, é um poema — e foi atraindo as pessoas que, antes dispersas, foram se aproximando, silenciando-se e, finalmente, dançando… momentos deliciosos.

Adrilene, eficientemente, teve a feliz idéia de estender toalhas coloridas no gramado, onde o pessoal se sentou e degustou maçãs e laranjas oferecidas pelo grupo; as crianças adoraram! Não é um luxo?

A música do Espinhaço faz jus às suas raízes mineiras, à Estrada Real e à nossa “cordilheira”. As letras são substanciosas, valendo por si mesmas, até independentemente da melodia. A afinação é um dos fortes da banda, além de os rapazes, liderados por Bernardo, sentirem-se em casa no palco e com o público.

O apoio da Prefeitura para a apresentação destes shows em parques é louvável, sendo um avanço na distribuição de cultura.

O Porto (filme de Aki Kaurismäki)

A trama do filme coloca-nos na ponta da poltrona em contínuo suspense!

A postura da mulher Arletty é de uma clarividência invejável: não impor ao parceiro uma situação dolorosa e irreversível.

O diretor finlandês mostra facetas do sistema frio e indiferente da migração; e, por isso mesmo, o genial Aki Kaurismäki considera o seu filme como um “conto de fadas”. Aos 10 anos, diz o diretor, desencantou-se da vida; adulto, tornando-se “cético e cínico”, optou, interessantemente, por roteiros ternos e cheios de esperança.

Marcel é o vilão adorável, cujo senso de humor (obviamente um sinal explícito de inteligência) dirige todas as decisões naquelas dramáticas circunstâncias. O chefe de polícia, profundo conhecedor da alma humana, é de uma grandeza ímpar, raramente encontrada em alguém que detém poder e autoridade.

Idrissa, o personagem central, tem uma sensibilidade tão determinada que até o cão a reconhece e o protege.

A solidaridade dos vizinhos dá uma inveja… aqui, também, é um “conto de fadas”…

O filme mostra, indiscutivelmente, as escolhas das pessoas: de um lado, a generosidade, a compreensão incondicional do desamparo do outro; em sentido contrário, o preconceito, a indiferença, a denúncia.

Qual a sua opção?

Ah! Uma Ilha…

Quero uma ilha!
Chega de mim
Chega de gente
Agregado ou
Dependente
É só armadilha
Mar sem trilha
Canoa sem quilha.

O tal ser humano
Ignorante ou letrado
É bicho complicado
Não tem saída
Desta louca corrida
Tal qual boiada
Solta, sem destino
Em busca do nada!

Basta
Gente madrasta!
A vida é boa
Brisa na proa…
Sejam agora
Jogados fora
Os chatos, os mal-amados
Sem demora afogados
Todos os mal-acabados…

Copyright©2011 Maria Brockerhoff

Rubem Alves

Filósofo, psicanalista, escritor, educador. Despediu-se da Folha de São Paulo no início do mês…

Da crônica “Ganhei Coragem” de Rubem Alves:

“Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos”. Tardiamente. Na velhice. Como estou velho, ganhei coragem. Vou dizer aquilo sobre que me calei: “O povo unido jamais será vencido”: é disso que eu tenho medo.

…a democracia é o governo do povo… Não sei se foi bom negócio: o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável, é de uma imensa mediocridade. Basta ver os programas de televisão que o povo prefere.

…O povo sempre preferia os falsos profetas aos verdadeiros, porque os falsos profetas lhes contavam mentiras.  As mentiras são doces. A verdade é amarga. Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola com pão e circo. No tempo dos romanos o circo era os cristãos sendo devorados pelos leões. E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos! As coisas mudaram. Os cristãos, de comida para os leões, se transformaram em donos do circo. O circo cristão era diferente: judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas. As praças ficavam apinhadas com o povo em festa, se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos.

…os indivíduos, isolados, têm consciência. São seres morais. Sentem-se “responsáveis” por aquilo que fazem. Mas quando passam a pertencer a um grupo, a razão é silenciada pelas emoções coletivas. Indivíduos que, isoladamente, são incapazes de fazer mal a uma borboleta, se incorporados a um grupo, tornam-se capazes dos atos mais cruéis. Participam de linchamentos, são capazes de pôr fogo num índio adormecido e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival. Indivíduos são seres morais. Mas o povo não é moral. O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.

…uma das características do povo é a facilidade com que ele é enganado.

…O povo não pensa. Somente os indivíduos pensam. Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam a ser assimilados à coletividade. Uma coisa é o ideal democrático, que eu amo. Outra coisa são as práticas de engano pelas quais o povo é seduzido. O povo é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham.

…Durante a Revolução Cultural na China de Mao-Tse-Tung, o povo queimava violinos em nome da verdade proletária.

…O povo unido jamais será vencido! Tenho vários gostos que não são populares. Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos… Mas, que posso fazer?

…Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche, de Saramago, de silêncio, não gosto de churrasco, não gosto de rock, não gosto de música sertaneja, não gosto de futebol (tive a desgraça de viajar por duas vezes, de avião, com um time de futebol…). Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo, eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos…