Príncipe Harry — Inglaterra x Costa Rica

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Caiu um príncipe
no buraco fundo
da copa do mundo.
O elegante rapaz
atraiu muita gente
batedores, holofote.
Teve brilho fugaz
o nobre filhote.
Cercado de menina
de mídia cretina
certamente o pobre Harry
trocaria a própria sina
— do pé à medula —
pela alegria simples
do moleque gandula…

Copyright©2014 Maria Brockerhoff

A Confissão de Guimarães Rosa

A genialidade de Rosa dispensa qualquer superlativo. Na centésima leitura ainda há segredos, mistérios e achados.

Em “Jardins e Riachinhos” (1983), Guimarães Rosa faz uma confissão preciosa. É de uma clarividência doída, é um grito de alerta:

Não gosto de falar da infância. É um tempo de coisas boas, mas com pessoas grandes incomodando a gente, intervindo, estragando os prazeres. Recordando o tempo de criança, vejo por lá um excesso de adultos, todos eles, mesmo os mais queridos, ao modo de soldados e policiais do invasor, em pátria ocupada. Fui rancoroso e revolucionário permanente, então. Já era míope e nem mesmo eu, ninguém sabia disso. Gostava de estudar sozinho e de brincar de geografia. Mas tempo bom de verdade, só começou com a conquista de algum isolamento, com a segurança de poder fechar-me num quarto e trancar a porta.

Remo Olímpico — Lagoa dos Ingleses

A atividade no mar-das-gerais é lazer completo! A lagoa azulada, “quase” a perder de vista, compensa bem a falta de mar nestas terras de montanhas. Nas manhãs claras, o sol refletindo no espelho das águas, as velas, caiaques e lanches nos transportam para longe da cidade grande, do barulho, de multidões, numa viagem rápida e agradável — a Lagoa dos Ingleses está às margens da BR040, a 30km de Belo Horizonte.

No Iate Clube Lagoa dos Ingleses, pode-se velejar, praticar SUP (stand-up paddle) e remar. Não é necessário ser sócio para frequentar os cursos; saber nadar é preciso.

  • O rei da vela é o simpaticíssimo Pedro Basílio, amineirado pelas águas da Lagoa. É campeão e ótimo professor, seguindo as pegadas do pai, também velejador.
    A prova indiscutível do bom resultado das aulas de Pedro é a filha, Fernandinha, 6 anos, exímia nadadora da Academia Nada Melhor, velejando com toda a segurança.
  • O SUP está atraindo adeptos; é a remada em pé sobre uma prancha. Foi inspirado nos instrutores do Havaí, que remavam em pé sobre grandes pranchas de madeira, acompanhando os alunos de surfe. É bem elegante, transmitindo leveza e liberdade.
  • O remo olímpico está sob a batuta, ops! sob o remo, de Augustus e Sandra, apaixonados pelo esporte. O CRALmg — Clube de Regatas Afonso Ligório, que leva o nome do pai de Augustus, tinha sede na Lagoa da Pampulha e mudou-se para a Lagoa dos Ingleses.
    O remo exige esforço e boa coordenação motora. Por isso mesmo, nós escolhemos esta modalidade. O remo olímpico é, depois da natação, um dos mais completos exercícios; desenvolve vários grupos musculares, é antiestressante. No Rio de Janeiro o remo tem sido utilizado como tratamento coadjuvante altamente eficaz para as mulheres com câncer de mama.
    Pesquisas na área de oftalmologia mostraram um aumento significativo de miopia nos jovens das grandes cidades asiáticas, onde a grande massa de edificações impede a visão do horizonte. Assim, remar ou velejar na Lagoa é um plus: a vista do infinito e do por do sol é um bom tratamento para os olhos. 🙂
    Sob a orientação segura de Augustus e de Sandra, a gente já brinca de remador, vai pra mais longe e começa a deslizar!
    O remo é, agora, um grande incentivo para as manhãs de sábado — aulas também às terças e quintas — vamos sem pressa de voltar, as remadas fazem a comida ter um sabor especial na cantina do clube. O final da aula é comemorado com um bom mergulho nas águas limpidamente frias.

Ah, é muito bom! A cabeça se esvazia, vem a sensação de estar inteiramente no aqui e agora… as endorfinas tomam conta…

 

Nadal e Djokovic

Estas imagens são muito fortes. São os legítimos campeões no torneio de Roland Garros neste domingo. Nadal, vencendo o torneio pela nona vez, completou 66 vitórias em 67 jogos!
Nadal exprime a pura química da dor e da alegria desta conquista inestimável.

Djokovic venceu os 4 jogos anteriores entre os dois. Foi ovacionado de pé pelo público em Paris, levando-o às lágrimas.

Os atletas ultrapassam todos os limites de força, técnica e suor. Isto só é possível através da Grandeza Interior. Tais exemplos suportam este mundo…

Paisagismo — Show de Jardins

Estivemos em Christchurch, Nova Zelândia, logo depois de um dos devastadores terremotos. O de 2011 foi especialmente doloroso ao atingir a Catedral anglicana.

É impressionante a força, a capacidade de trabalho daquela gente amável na reconstrução de suas vidas. Uma prova disto é a realização do Ellerslie International Flower Show.

A cidade de Christchurch responde ao sofrimento com flores e jardins! A imaginação e a criatividade destes jardineiros são infinitas. Ben Hoyle, este mago, nos traz enlevo e admiração na arte premiada “A French Kiss in Akaroa”:

Serra do Roncador — Mato Grosso #1

O livro dos Villas Boas — Expedição Roncador-Xingu 1945 — foi a inspiração.

Poucas horas de vôo de Confins a Goiânia; daqui a Barra do (Rio) Garças, aproximadamente, 5 horas de carro; este tempo não se vê passar.

No aeroporto, o jovem e dinâmico casal da Roncador Expedições já à espera. Sinara e Ralph são dedicados, gostam da terra e de mostrá-la aos visitantes. Isto faz toda a diferença. A Pousada Tropical está fora do mufurufo, é bem agradável; a gente percebe o desejo de, a cada vez, melhorar as acomodações e o atendimento. Os apartamentos se abrem para a varanda e jardim com uma boa piscina: indispensável para relaxar e recuperar a energia para as surpresas do dia seguinte.

  • Tour Serra do Roncador

A 65km está a imponente Roncador. O nome vem do som do vento correndo pelas grutas e cavernas. A serra se estende por 800km e separa os rios Araguaia e Xingu.

O “causo” mais famoso é do Coronel Percy Fawcett, chefe de uma expedição inglesa, desaparecido na região em 1925. As versões são as mais variadas e inverossímeis. Cotejando as condições de hoje e as da expedição dos Villas Boas, dá pra concluir que aquele europeu aventureiro morreu mesmo foi pelo ataque de um exército, contra o qual não havia armas: muriçocas, abelhas, bernes, marimbondos, formigas, carrapatos! 🙂

Na esteira de que o Coronel Fawcett buscava uma cidade perdida, por ele denominada Z, desenvolveu-se uma aura de misticismo, sendo a Roncador um campo fértil para a UFOmania, crenças e cultos, pouso de ETs e discos voadores — em Barra do Garças há, até, um discoporto!

Certamente as formações rochosas, fechando a imensidão verde, levam à contemplação, ao silêncio. Uma riqueza geológica ainda, praticamente, desconhecida desperta aqueles sentimentos e acresce a magia da serra.

O caldo suculento de frango, a costelinha, a pimenta esperta são a comidinha no ponto de almoço da simpática dona Maria. O filho de uns 12 anos, Leandro, pula prontamente para nos atender, é ativo e tem os olhos brilhantes de um futuro empreendedor.

A Vereda dos Sonhos justifica o apelido. Agora a gente entende a paixão de Guimarães Rosa pelas veredas — o habitat das elegantes palmeiras de Buriti. É uma extensão de águas claras e, nesta época, fica coberta de florinhas bem miúdas, transformando o espelho d’água num veludo lilás.

Ricardo, nosso guia, curte tudo aquilo e não nos apressa! No campo, uma variedade enorme de pássaros e, de repente, um bando de araras azuis nos saúda, numa reviravolta melodiosa e colorida.

Despencando na serra, as Cachoeiras Gêmeas! A serra vai se transformando ao por do sol… as cores mudam drasticamente nos paredões e vão surgindo, da imaginação de cada um, as figuras, os perfis… aquele lugar ermo é incomparável.

Subindo uns 300m, a Gruta da Estrela Azul com marcas rupestres.

A Roncador Expedições nos reserva um final de passeio muito especial neste primeiro dia: a formação do Arco da Pedra, um belo portal onde aguardamos o anoitecer acolhidos por um côncavo morno na pedra… apenas nós naquele lusco-fusco, a chegada das estrelas ainda no céu teimosamente claro e o silêncio do mato!

Atacama e Salar de Uyuni

Os desertos são caprichosos e cheios de mistérios. O Saara, na Líbia/Tunísia, o Vale da Morte no Mojave (Califórnia) e, agora, o Atacama são majestosos e impressionantes. Os desertos de sal de Uyuni e o Chott el Djerid (também na Tunísia) nos deixam sem palavras diante daquela imensidão luminosa.

A cidadinha de San Pedro de Atacama, construções do Séc.XVI, conseguiu manter suas construções baixas em adobe e pedras avermelhadas do deserto com as ruas cobertas de areia e cheias de sotaques de todas as partes. A igreja tem um teto de cactus e é coberta com um tipo lustroso de sapé.

Cheia de simbolismo, a bandeira de quadradinhos coloridos representa os povos indígenas do Chile, Peru e Bolívia.

Em San Pedro de Atacama o “tour astronômico do francês” é a atração noturna. Lá estão todas as estrelas escondidas nas cidades grandes. O cara é bem didático, bem-humorado e tem dez telescópios de boa qualidade. No sítio, com luzes na penumbra, as estrelas, favorecidas pela altitude e pelo ar limpo e seco, são escandalosas em luminosidade! Ao final, na sala acolhedora, um chocolate quente deixa o frio lá fora. O ônibus (transporte incluso) deixa cada um no seu hotel, não é um luxo?

A viagem de ida e volta — San Pedro/Uyuni — é uma maratona de aventura em 4×4, entre montanhas coloridas, areias de veludo, lagunas esmeralda, vermelha, cristalizada e gostosas termas a 38°C. Em contínua vigilância, os vulcões em 360 graus com os picos nevados; um deles expelindo fumarola traz excitação e, incrivelmente, relaxamento.

O sol brilha forte durante o dia, resfriando à tardinha com o vento constante. No deserto, o esquema é “de cebola”: tira e põe camadas de agasalhos, camisetas, chapéus, luvas, etc. etc..

Os hotéis são bons para os níveis da Bolívia. Estavam enfrentando racionamento de gás. Servem café solúvel (importado do Brasil!) ao invés de fresco/feito na hora, biscoitos/bolachas do tipo água e sal, parece o continental dos americanos. A comida é boa, há sempre a cheirosa e escaldante sopa; os atendentes são atenciosos e amáveis. No Chile, o desayuno já é bem mais farto e variado.

Há quatro “refúgios”, hotéis administrados pelos pueblos indígenas; ficamos no Tayka del Desierto, que já tem aquecimento solar. Contudo, há de se levar em conta as diferenças entre o nosso “paístropical” e a altitude de 4600m. Por exemplo, a recepcionista, quando lhe perguntaram naquela noite de 4°C, se costumavam acender a lareira, respondeu prontamente:

— Acendemos, sim. No frio!!

O hotel de sal é muito interessante, com o piso em sal crocante, esculturas, lareira, tudo salgado! Para brasileiros, para quem a água congela a 15°C (este é o chiste que rola por lá), o pernoite… bem, o pernoite já é outro desafio, vencido com os fartos cobertores, incluindo o de orelha. 😉

Nossa agência, Andarilho da Luz, escolheu um roteiro criterioso, com os “highlights” da região, brindando-nos, ainda, ao final da tarde com um delicioso Carménère e guloseimas.

Atacama e Uyuni são lugares fortes, a natureza desafiadora, merecendo um olhar cuidadoso, momentos de reflexão e gratificante silêncio.

 

Zimbabwe — As Cataratas… a pé

De longe, já se ouve o som tonitruante das águas do rio Zambese. O parque está bem preservado, a vegetação é densa e um altivo Livingstone contempla do pedestal a sua descoberta mais famosa. Há um projeto do governo para mudar o nome de Victoria Falls para Mosi-oa-Tunya, denominação original em língua Tonga.

As cataratas de Iguaçu, Victoria e Niágara estão na lista das modernas maravilhas do mundo. Se houvesse uma única possibilidade para apenas uma viagem em toda uma vida, uma daquelas seriam a opção possível. São incomparáveis. Então, se você ainda não esteve em Iguaçu, vá correndo! Está alííí, ó… ser brasileiro e não se presentear com as nossas cataratas é peccato.

Há vários pontos de observação e as formações de pedra e cataratas principais recebem os apelidos:

Devil’s Cataract, Main Falls, Rainbow Falls (a mais alta) e Eastern Cataract.

Em duas horas — poderia ser muuuito mais!  — vamos percorrendo as margens e o espetáculo das águas atinge, num crescendo, uma beleza inimaginável. A força tão grande da queda faz “chover” em toda a área. O spray d’água, colorido por arco-íris, dificulta fotografias. Cautelosos turistas — vão se derreter? — se embrulham numa capa impermeável. Perdem uma sensação maravilhosa:

o prazer de deixar os pingos grossos e mornos encharcar nossas roupas e lavar a alma!