África do Sul – KwaZulu-Natal

De volta à África do Sul. Agora na terra dos Zulus, uma importante e tradicional etnia africana. Natal é o antigo nome de Durban, a grande cidade da região.

A língua dos Zulus é sonora, com sílabas sibilantes, com cliques adotados da musicalidade nativa dos bosquímanos (Khoisan) e, claro, impronunciável para a maioria de nós. Os Zulus ainda são polígamos. Lobola/Lobolo, o equivalente ao dote, não é, em absoluto, pagamento pela noiva. É uma cerimônia complexa, significativa, com a participação das famílias; dura muitos dias, com danças e boa comida. Lobola é um tipo de indenização à familia da noiva, que perde um bom par de braços. Pode ser parte da colheita ou do gado, ou presentes para a família.

Muito interessante e nos faz pensar sobre as profundas diferenças culturais foi a questão de um Zulu para a nossa guia alemã; um carinha, intrigadíssimo, quis confirmar os rumores de que os alemães tinham apenas uma esposa. Ao ouvir a resposta afirmativa, o Zulu, com uma expressão de incredulidade e desapontamento:
                          “Ah, coitados! Deve ser muito triste a vida deles…”
Outro motivo de sério estranhamento foi quando percebeu a presença de solteiros e casais sem filhos nem parentes:
                          “Vocês viajam e deixam todos os outros em casa?!”

Visitamos Pongola, um vilarejo onde a agência de viagem Studiosus mantém uma excelente escola primária. A escola Sakhumuzi, com 500 alunos, inteiramente gratuita, tem laboratório de química, informática e todo o material escolar. Recentemente a fundação Studiosus construiu mais duas confortáveis salas de aula. Os alunos aprendem inglês, zulu e africâner — três das 11 línguas oficiais da África do Sul. É um trabalho magnífico. A diretora idealista, muito alegre, é uma visionária e os demais professores parecem gostar muito de ensinar ali. As famílias tornaram-se maiores depois da implantação de um tipo de bolsa-família pelo presidente Zuma, cuja carreira e métodos políticos populistas são bem parecidos com os de Lula.

As crianças, de idades variadas, apresentaram um espetáculo muito agradável, bonito, de danças e cantos. A visita a essa escola nos trouxe uma boa dose de otimismo.

O almoço na Casa Mia, um pequeno hotel cuja proprietária é do conselho da escola, foi delicioso, com serviço excelente. A simpática cozinheira veio ensinar a receita do gostoso bolinho de moranga com canela.

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