Visegrád é uma cidadela a 350m morro acima! Destruída pelos mongóis e pelos turcos, ficou soterrada por mais de um século. Hoje descortina-se daqui este panorama do “Joelho do Danúbio” — Donauknie ou Danube Bend.
Visegrád é um nome eslavo para uma antiquíssima fortaleza e residência de reis húngaros a partir de 1240. Por aqui foram encontrados traços humanos desde a idade da pedra. Foi fundada em 1009.
Os seus sucessores acrescentaram o palácio, outras ampliações e renovações em estilos gótico e renascentista. Assim, na parte mais baixa, a torre de Salomão — 1258 — em forma hexagonal é imponente, tendo uma pitada exótica por ter aprisionado Vlad Țepeș, o Drácula.
Visegrád é mesmo uma Fênix — a ave da mitologia grega que renasce das próprias cinzas. Os húngaros reconstruíram-na após a invasão mongol. O cruel império Otomano ocupou a região entre 1544 e 1685; todo o complexo foi destruído, ficando soterrado até 1867, quando começaram as escavações e a restauração das edificações. Podemos constatar o admirável avanço arquitetônico ainda do Séc.XIII.
Nas imediações, percorremos vilas antigas e bem conservadas, onde moraram, por muito tempo, alemães, russos e ucranianos. É reconfortante pensar que, pelo menos, houve um lugar onde a convivência pacífica entre os vizinhos era o valor mais importante do que cor, etnia ou credo.
Hoje o vilarejo Visegrád, a 40km de Budapest, com menos de 2000 habitantes, tem bons hotéis e agradáveis termas onde a gente recupera a alma!
Budapest é lindíssima, elegante e culta, sendo indescritível o melhor é vir cá… um lugar inesgotável. Fazendo uma exceção às grandes capitais, voltaria mil vezes em mil vidas…
O Danúbio desliza em direção a Budapest. É uma boa oportunidade para ler, na pequena e silenciosa biblioteca do Rousse Prestige, sobre a cultura búlgara. A contribuição da Bulgária ao mundo das artes é riquíssima, com as mais variadas manifestações desde a antiguidade. O recreio, todas as tardes, é acompanhado de café, bolos e tortas deliciosos. Uma tentação!
Pela manhã, aportamos em Komárno/Komárom, uma cidadinha muito agradável de 1215.
O Rousse, depois de uma baliza precisa, com milimétricas manobras, ancora em um cais do centro e ficamos por três dias. Desta vez, subimos ao Monumento da Vitória — uma escultura da deusa Nike (nome grego, pronuncia-se “NÍque”) — e, lá de cima, uma visão panorâmica.
A cidade parece cuidar bem do meio ambiente. O Monte Janos é coberto de floresta; uma área muito agradável delimitada para passeios a pé, de bicicleta e a cavalo.
Maravilhoso e invejável exemplo é a tolerância zero para a combinação volante-e-bebida. Pelas leis húngaras — sim, são cumpridas! — o carro é apreendido imediatamente quando o bafômetro dá positivo. O motorista faltoso fica suspenso por um tempo, terá de refazer os exames como se fosse a primeira vez, além de pagar pesadas multas. Aqui já está incorporada a bem-humorada idéia:
motoristas podem beber, somente, a “cachaça de gato” — Katzenschnaps — isto é, LEITE!
A propósito, é incompreensível a aceitação passiva e leniente pelo povo e legislação brasileiros das contínuas e criminosas infrações de trânsito.
Ainda em Passau-Alemanha, vivenciamos um aspecto curioso da cultura bávara: o costume de pesar na balança aquele canecão de louça com cerveja e tudo, porque o cliente não pode conferir visualmente o nível da bebida. Aqui, também, os rios Inn e Ilz se juntam ao Danúbio e formam este mosaico flutuante.
Passau, Alemanha — autor desconhecido
O Danúbio, agora, atravessa a Áustria. A cada lado, uma surpresa de uma revoada de pássaros… torre em ruínas… uma elegante casa-de-rio… gente aproveitando o verão…
A água mansa traz calma e leveza. Tudo — toda a vida! — vai ficando para atrás… pode ser relaxante até deMais para quem costuma associar viagem à compra, à movimentação constante, à turma de amigos ou de familiares.
Toda viagem é um processo diferente e somos — ou deveríamos ser — um outro novo passageiro a cada vez!
Uma viagem pode ser, simplesmente, um impulso, um bate-volta, uma promoção “imperdível”, um recreio ou um convite; pode levar ao nada ou à reflexão; representar busca, fuga ou mudança de rumo; ser um momento especial de abraçar um amigo, reatar laços ou desprendê-los… em resumo:
qualquer viagem é uma peregrinação ao céu ou ao inferno.
Neste momento — a primeira noite no Danúbio — não há outro barco, apenas o Rousse singrando silencioso o rio sob o céu estrelado. É a oportunidade ímpar de “ouvir e de entender estrelas”, no insight de Bilac.
O primeiro porto é Bratislava, capital da Eslováquia. Do outro lado, a Hungria. O cais é este aí, bem central.
Bratislava já teve nome alemão — Pressburg —, fez parte do Reino Húngaro se tornando capital, onde dezenas de reis e imperadores foram coroados — 1536 a 1830 — na tradicional catedral de São Martinho. A ocupação comunista, em 1949, findou com a queda da URSS em 1993, quando da divisão da Tchecoslováquia, surgindo então a República da Eslováquia.
A caminhada até o centro histórico — Staré Mesto — é através de prédios antigos, praças e jardins bem cuidados; partes da antiga muralha, entorno medieval da cidade, estão conservadas e acrescentam um charme a esta cidade nobre. Vê-se aqui cuidadosa restauração e conservação do elegante estilo arquitetônico.
Bratislava, com 450 mil habitantes, ainda se recupera das mazelas do comunismo. É muito limpa; quarteirões fechados com agradáveis cafés e cervejarias. Singulares e belíssimas esculturas espalhadas pela cidade…
O nível de escolaridade é muito bom; por exemplo, Jan, o jovem guia, fala fluentemente cinco idiomas. Por todo lado é visível o florescimento da cultura e das artes. Uma casa antiga se transforma em belo mural:
Ao longo do Danúbio, até aqui, há 12 eclusas, magníficas obras de engenharia hidráulica. São “elevadores” para navios, quando há um desnível no curso d’água. A eclusa funciona sem necessidade de bombas, aproveitando o próprio peso da água. Ops! Agora mesmo nos aproximamos de uma. Vou voando até o deck, aproveitar o espetáculo inusitado!
O rio Danúbio é o coração histórico da Europa, além de fonte de água potável. Inestimável presente para uma dezena de países. Culturas milenares, os mais diversos costumes, lendas e canções são ligados e enriquecidos pelo fluxo deste belíssimo rio-mundo.
O Danúbio nasce na Alemanha e deságua no Mar Negro. O delta, com 5.800km², é o maior e mais bem preservado da Europa; a maior parte fica na Romênia (Tulcea), e a margem esquerda na Ucrânia. O Danúbio foi a rota de reis e imperadores desde os tempos romanos.
Esta viagem começa com o vôo Lisboa—Munique. Daí, em confortável trem, para Passau — o porto do navio Rousse Prestige (Русе Престиж) da companhia Phoenix. Neste navio de bandeira búlgara o idioma oficial é o alemão, o segundo é o inglês. Nossa agência de viagem, Antakarana, é dirigida pelo experiente Nikolas Albrecht.
Pernoite no Hotel König, uma caixa de surpresas. A entrada antiga e feia leva a um estiloso elevador dourado que se abre à recepção espaçosa, com sofás aconchegantes e atenciosa atendente em trajes típicos bávaros. Os apartamentos muito limpos, bonitos e confortáveis, de onde se sai para um agradabilíssimo jardim cheinho de flores de todos os tipos e para a cidade velha.
O café da manhã, além da louça primorosa, os utensílios de alpaca ou prata, guardanapos com belas estampas, é muito farto, variado e delicioso. Este serviço é um ponto alto e tradicional na hotelaria alemã.
Aqui em Passau, bem pequena, muito antiga e elegante, pode-se comer o saboroso fígado de porco, o tal “Schweineleber”; contornar os jardins em volta o espelho d’água na praça cheia de árvores; ouvir os sinos do Domo, cujas badaladas nos imobilizam e nos transmitem uma sensação incomum.
O Rousse zarpa em direção ao delta às 15:30, o momento tão esperado. Gosto muito disso! É sempre uma primeira vez! O navio é bem confortável, a tripulação uma gentileza só. A curiosidade instiga correr por todos os cantos do navio, logo a seguir; é uma descoberta de agradáveis surpresas. A principal é o spa com as águas refrescantes e convidativas. Irresistível o mergulho já!
Estes “barcos” de rio são relaxantes, as margens, trazendo surpresas, estão ao alcance da mão. Num cruzeiro interessa, claro, os portos onde se fazem os passeios, mas as atividades, o espaço, a biblioteca, o lazer até o próximo fazem toda a diferença. Nada de malas, estacionamento, GPS, etc. etc.; nem queremos lembrar!
É muito bom ter um guia à disposição, uma equipe competente organizando horários, passeios, jantares… a nossa parte é tão somente receber a beleza da paisagem, aproveitar o tempo à nossa disposição.
O jantar de boas vindas — como todas as refeições — é excelente, com os cinco pratos de protocolo, incluindo o vinho. A mesa com flores naturais, toalhas adamascadas, garçons simpáticos e atenciosíssimos. Neste cruzeiro compartilhamos a mesa com dois casais bem humorados e, por sorte, transformamo-nos todos em amigos de infância.
É uma ótima sensação subir ao deck de manhãzinha e avistar um castelo, uma vila, um bando de pássaros. Neste cruzeiro pelo Danúbio o sonho começa quando a gente acorda.
As estrelas salpicam o céu. Com um sentimento de inquietação e prazer aguardo os passos lépidos, o sorriso largo à porta destrancada… num átimo, o calor de um abraço em rodopio apagaria o hiato infinito do desejo.
A mesa preparada com a cerveja escura na medida do seu paladar. As frutas suculentas e o cheiro de semente de papoula no pão nos envolveriam num recreio de brincadeiras de roda, de cabra-cega.
Ao som do piano, compreenderíamos ser a aceitação da acolhida a única via para amenizar a travessia neste deserto humano.
Já no ponto, a água tépida do banho para enxaguar-lhe o cheiro lá de fora, o pó das regras oficiais e a nos dissolver a couraça.
Agora, o coração pronto para tecer
os enredos perdidos
os silêncios truncados.
Para remendar os segredos
e cerzir os desencantos.
A noite, a única espectadora do diálogo dos corpos, da entrega por inteiro, da experiência nova a cada reencontro.
…depois, o inefável descanso como o da sombra de uma árvore e o gosto de um gole d’água fresca no côncavo de uma outra mão…
Existe, sim, um matriarcado em El Tambo. À espera de maridos e filhos, estas corajosas mulheres são Penélopes modernas.
Os pueblos equatorianos desenvolveram costumes, tradições tornando-os peculiares:
Latacunga é o das fritadas; porcos/chanchos são dependurados às portas. Nacos de carne são retirados e fritos ali mesmo em enormes frigideiras. O cheiro bom de especiarias vai muito longe;
Salcedo é o paraíso dos helados: sorvete de todos os gostos e cores;
Pelileo é o reino das fábricas e comércio de jeans de todos os tipos possíveis;
perto de Ambato, uma singular escola e cultivo de bonsais. Plantas antigas com um porte majestoso.
de Salasaca vem a lã fiada enrolada em novelos por alegres mulheres na praça, algumas velhinhas bem ativas.
O transporte regular entre os pueblos é de um luxo bem-humorado.
Curioso, mesmo, é El Tambo, um lugar já apelidado de “a cidade das mulheres”. Num êxodo maior que o de Governador Valadares em Minas Gerais nos áureos tempos, maridos e filhos emigram, principalmente, para os Estados Unidos.
A busca do El Dorado leva os seus homens e as mulheres, com as crianças pequenas, assumem todas as tarefas. Vimos mulheres ordenhando, pastoreando, carregando água, assentando tijolos, dirigindo velhos tratoretes…
Os dólares lá de fora são empregados na construção de casas muito grandes — 8 ou 10 quartos — com sobrados, varandas e janelas coloridas. Como um troféu, esta construção demonstra o sucesso na terra estrangeira! Enquanto os homens não regressam, a manutenção das casas vazias fica a cargo dos pais ou avós; estes cuidam do imóvel e continuam morando no casebre ao lado. Para eles, morar no “castelo” é impensável.
Muitos jovens nunca mais dão notícias… ficam as casas inúteis, inacabadas, como o testemunho da busca da fortuna, do sonho de uma vida diferente, enfim do surrado, nem por isto sem valor, American Dream.
Perto de El Tambo, as ricas ruínas de Ingapirca — simbólico presságio do destino de El Tambo?
Em ligeiras pinceladas, a história nos conta sobre a nação Cañari, uma adiantada civilização indígena, nesta região desde o século V. No início do século XVI foram conquistados pelos Incas, quando se iniciou a construção de Ingapirca. Logo depois, os cruéis conquistadores espanhóis destruíram este rico império indígena. Como sempre, sobre os cadáveres dos nativos construíram igrejas.
O guia especializado em Ingapirca é carismático; seus olhos brilham ao descrever o significado de cada pedra, de cada símbolo, de cada forma na rica cultura Cañari e Inca. Dá gosto ver alguém demonstrar, de dentro para fora, tanto entusiasmo pela profissão. Confirmando esta minha impressão, quando falei da sua excelente expressão corporal própria de um bom ator, respondeu-me:
O audacioso projeto de construção de estradas de ferro no Ecuador é de 1861; além de ligar as partes mais distantes e modernizar o país, tinha por objetivo político quebrar a influência absoluta da igreja católica; este último, certamente, foi em vão.
Uma importante rota de turismo é a do Tren Crucero, que começou a operar em 2013. Começamos em Alausí, um antigo e agradável pueblo, a duas horas de Baños.
Nariz del Diablo, o trecho mais conhecido, o de maior altitude e o mais estreito, foi reinaugurado em 2011. Esta construção era considerada impossível pelos especialistas da época e a execução comprovou ser a estrada de ferro mais difícil do mundo. Aqui é o túmulo de, aproximadamente, 2500 trabalhadores de países distantes, grande parte de jamaicanos.
O relevo da região — com aquele mesmo verde repousante da Irlanda e do Bhutan — exige exímios maquinistas; a encosta quase vertical obriga complexas manobras de avançar e dar ré naquela “garganta” para o retorno. Experientes condutores seguram o trem numa descida em ziguezagues de 800m até Sibambe, uma pequena estação com restaurante, alegres danças típicas e um pequeno museu bem esclarecedor sobre esta avançada e desafiadora obra de engenharia.
Em Alausí, antes do embarque, um cheiro apetitoso confirmou a boa indicação do guia Milton para o desayuno. No boteco, a gentil atendente nos serviu de um enorme caldeirão fervente uma suculenta sopa, além de ovos, pães, choclo/milho verde, queijo fresco, geléia e o néctar de guanabana, uma fruta típica, prima da graviola.
Bilhetes para este cruzeiro de trem? Só com muita antecedência e o pessoal da terra reclama do preço alto. Felizmente a agência Happy Gringo organizou tudo muito bem e a nossa parte foi a de aproveitar este passeio e a sensação de estar num momento atemporal, sem passado nem futuro.
O vagão é muito confortável, muito limpo, com esta curiosa placa.
De qualquer assento — aliás, nem precisaria disto! — a vista é completa. Tivemos a sorte de compartilhar bons momentos com uma alegre e grande família equatoriana, que lotou o vagão! Essas pessoas muito gentis tornaram o passeio especialmente acolhedor.
Esta viagem traz uma inversão muito boa: são as montanhas, os riachos, as curvas que se aproximam do trem… a paisagem se oferece à janela…
A rodovia para Baños é bem movimentada; corta vales verdes, surpreendentes canions e pueblos espalhados morro acima; nos quintais, bezerros, ovelhos, cabritos amarrados pelas patas!
Curiosamente, as novas rodovias não têm acostamento. Até a gente “se acostumar” com as paradas no meio da pista é um susto só!
Baños, com aproximadamente 20 mil habitantes, está espremida entre altas montanhas aos pés do poderoso Tungurahua — garganta de fogo — 5016m; a última erupção foi em 1999. A grande atração são as águas termais — daí o nome Baños — de origem vulcânica. Por toda a região há piscinas quentes, fontes, mananciais muito frequentados por nativos e turistas.
Baños é o ponto de partida para todos os tipos de aventuras radicais em rios, pedreiras e canions. O tal desafio de se equilibrar numa corda ou cabo entre dois despenhadeiros é de arrepiar! Nosotros preferimos curtir os deliciosos banhos bem pertinho das nuvens no Hotel Luna Runtun.
A localização do hotel, muito bem indicado pela agência Happy Gringo, é privilegiada. Daqui do cumbre das montanhas a vista de Baños iluminada e da cratera do Tungurahua é surreal. Operado por uma companhia suíça, o hotel é muito confortável; os chalés espaçosos com pisos aquecidos são funcionais e a decoração atingiu o nível perfeito entre o luxo e o bom gosto. É um ambiente incomparável para um mergulho em busca da criança perdida dentro de cada um.
O restaurante, na parte mais alta, é maravilhoso; muitas iguarias da boa cozinha vêm da variada e preciosa horta aqui mesmo do hotel.
Em meio às arvores e muitas flores, as termas com águas escaldantes, spa, piscina com borda infinita e cascata. Para os corajosos, uma gigantesca e bem fria ducha… o contraste traz uma sensação muito boa!
A Basilica de Nuestra Señora de Agua Santa, construída com pedras vulcânicas, atrai peregrinos durante todo o ano. No teto, belíssimos desenhos geométricas e nas laterais os relatos de milagres da Virgem. Ao lado, o convento dos padres Dominicanos, uma edificação antiga com belos pátios ajardinados. Na igreja silenciosa um bando de colegiais falando alto, como num mercado. Uma pena!
Uma pitoresca e colorida “jardineira”, circulando por toda parte, tem a preferência dos turistas: é chamada de chiva vagabunda.
Os tradicionais hotéis-fazenda são lembranças vivas de um mundo perdido. Deixar-se levar pelo fio condutor do passado pode ser uma fonte de descobertas…
O pueblo de Lasso fica a poucos quilômetros do Parque Nacional Cotopaxi e lá, ao fim de uma alameda de eucaliptos centenários, enormes, está a Hacienda La Ciénega com um estiloso brasão. É hoje um confortável hotel, muito bem escolhido por nossa agência Happy Gringo.
A antiga e rica casa-fazenda, em estilo inca e espanhol-colonial, com 6.000 m², resistiu a arrasadora erupção do Cotopaxi em 1742, certamente pela sólida construção de pedra e argamassa. Nos amplos apartamentos, com enormes janelões para os canteiros com flores de todas as espécies, podemos ver a espessura de até 2m das paredes. Há 300 anos pertence a famílias ilustres e em seus salões os políticos e visionários cidadãos gestaram a independência e tramaram as vitoriosas lutas contra os espanhóis a partir de 1808.
Também nesta Hacienda, a história romântica do herdeiro Gregorio Matheo de la Escalera; tendo-se enamorado de uma marquesa em Lima, raptou-a e, com a proteção de cem criados, trouxe-a para La Ciénega, onde se casaram. Oxalá tenham sido felizes para sempre…
O La Ciénega é um Hotel Victoria Falls — Zimbabwe — do Séc. XVIII. Os salões com fotos e pinturas antigas, as mobílias, os adornos, os sofás em formatos ondulados, o piano são finas peças de antiquário transportando-nos para um outro tempo! Bem adaptado para uma confortável hospedagem, este lugar já foi “descoberto” por turistas da Escócia, Inglaterra, Suécia, Japão, China, como verifiquei no livro de visitas.
Os três espaçosos restaurantes tem vista para o jardim do pátio interno e a tilápia en papillote, no jantar, é deliciosa. O serviço é eficiente e, à noitinha, uma gentil senhorinha vem reavivar o fogo na lareira. As árvores e palmeiras seculares, a acolhedora capela antiquíssima resgatam um mundo de lembranças.
Em frente ao hotel há uma fazenda de roseiras. Aliás, em toda parte, até nas encostas, cultivam-se rosas e o Ecuador é um dos principais exportadores depois de Holanda e Colômbia. O trabalho, as pesquisas nestes centros de cultivo de rosas são minuciosos e eficientes; por exemplo, cada botão é coberto para evitar o bolor ou mofo. A camomila é plantada nos canteiros, pois é mestra em detectar os primeiros sintomas de doença/praga nas roseiras.
Curioso é o tamanho do caule das rosas exigido por diferentes países: Rússia, 90cm; Europa, 45cm; Estados Unidos, 30cm… e as encomendas são rigorosamente atendidas.