Uma artista ímpar!

Uma pessoa especial nos apresentou Linda Huber. Seus desenhos são inigualáveis, surpreendem a cada vez!

Para momentos de puro encantamento clique aqui. Veja só:

A Música do Espinhaço…

…está na praça, outra vez, para o gáudio de um mar de gente! No novo CD, Bernardo, Gustavo, Matheus, Rafa, Zé Mauro mostraram, proficuamente, os resultados da imersão nos matos, nas cachoeiras e janelas da Cordilheira do Brasil.

Além da criatividade, esforço e suor, este bando visionário enfrentou todas as dificuldades com as tais “leis de incentivos” (não se sabe a que?!)… o Músicas do Espinhaço, como outros grupos talentosos, não conseguiu atingir os misteriosos e intrincados critérios das leis culturais. É outro setor clamante por mudanças, já! Entretanto, isto foi só mais uma barreira ultrapassada com a beleza dos poemas musicados do CD Janelas. As tais leis não valorizaram este grupo musical; porém, encontrou amplo apoio no patrocínio coletivo.

Sugerimos sejam as letras — de autoria de Bernardo Pühler — publicadas no site, pois são poesias de elevado quilate. Guimarães Rosa deve sorrir lá em cima! O texto de apresentação prova a maturidade do grupo, outra sugestão para o site. As fotos, muito bem feitas, revelam a fonte de inspiração.

As mãos e a arte de Eloíse Frota completam a excelência deste último lançamento. A capa do CD, em juta, num trabalho manual uma a uma desta artista iluminada, traduziu perfeitamente os anseios, os objetivos, os sonhos do Músicas do Espinhaço. Afora a expertise, está a profunda afeição pelos rapazes inspirados da Cordilheira!

Para o enlevo da galera, uma palinha:

Janelas

Anseios por minhas janelas
e eu nem as tenho para dar
me invento do lado de dentro
me experimento seu experimento ocular

me enquadro em lapso cintilante
errante desisto da fala
mas sou homem da boca pra dentro
no estojo da alma

A terra de lá onde eu venho
é pedra e não terra que há
mas vejam aqui nesse engenho
é a janela que posso dar

A noite na beira do rio
me cala milênios de voz
mas eu trago a voz desses bichos
no estojo da alma

minha alma, minha alma, minha alma…

Lisana Ratti na Casa dos Contos

Lisana Ratti

Num ambiente muito agradável estão expostas as obras de Lisana Ratti. A exposição, no Restaurante Casa dos Contos (R. Rio Grande do Norte, 1065, Belo Horizonte) ficará aberta até 3 de dezembro, de meio-dia à meia-noite.

A artista plástica Lisana Ratti é de uma simplicidade admirável. Conhecê-la pessoalmente confirma a idéia de a arte tornar as pessoas mais interessantes, bem especiais e vice-versa!

Aos 12 anos, Lisana teve um arroubo de lucidez ao decidir que, sim, era pintora! Saiu à rua, comprou os apetrechos e surgiu a primeira tela, claro, com as cores, o ímpeto, as dúvidas e os anseios da pré-adolescência. Incentivada pelo pai e por um expert, Lisana desenvolveu seus talentos e criatividade! Estava certa aquela menina audaciosa…

Os quadros expostos são muito ricos e bem trabalhosos — além da arte, exigem paciência e técnica apurada: aos meus olhos de amador, a fibra é prensada, colada, as figuras recortadas, e o resultado é uma textura inigualável. Em alguns quadros, a cor predominante é o ocre em todas as nuances. A cada olhar, um novo detalhe se destaca e a obra de Lisana Ratti se enriquece e se transforma. As figuras do ritual africano são expressivas e cheias de movimento. Vale uma visita!

 

Brasil, um grande lixão?

É desanimador o resultado da celebração do reveillon. As pessoas saem às ruas para a festa de passagem do ano, bem vestidas, confraternizam-se, fazem planos e projetos, têm alegres expectativas… e o saldo em 2014? Centenas de toneladas de lixo nas ruas, praias e praças!

O Estadão, em maio/2013, publicou os dados alarmantes: as cidades brasileiras não cuidam do lixo. Por ano, são 168 (!) estádios do porte do Maracanã cheios de lixo despejados em condições impróprias, em lugares inadequados.

Em 1876 o francês Aleixo Gary criou o serviço de limpeza de rua no Rio de Janeiro, que só mais tarde passou para a administração municipal. Os coletores de lixo foram denominados “garis” em homenagem a este visionário, que não ficaria nem um pouco satisfeito ao constatar a situação do lixo no Brasil. Mais de um século depois, a cidade do Rio de Janeiro está em 9º lugar entre as 20 cidades mais sujas do mundo. Mais de um século depois, nós brasileiros não conseguimos fazer o ato mais simples, rudimentar, primário e elementar da civilização: colocar o lixo no lixo.
A consequência deste comportamento leva à irrespondível dúvida: se não conseguimos compreender e executar este ato básico, seremos capazes de exercer a cidadania? Haverá possibilidade de o povo brasileiro se desenvolver dignamente?

O primeiro sinal do grau de cultura e civilidade de um povo é a limpeza dos espaços públicos. Tóquio está em primeiro lugar na lista das cidades mais limpas do mundo. Vimos lá grupo de pessoas recolhendo, se houver, um mínimo de lixo às margens do rio, nas ruas e praças. Isto é uma rotina das famílias japonesas. Vimos, pela manhã, os proprietários de lojas e restaurantes limpando a poeira da porta de seus estabelecimentos. Aqui, “neste país”, quando alguém varre as calçadas, joga o lixo na rua, nos bueiros.

Nas copas do mundo de futebol, as equipes de limpeza entram nos estádios imediatamente após os jogos para recolher o lixo. Em 2006, na Alemanha, os garis tiveram uma grande surpresa: no lado da torcida japonesa não havia, sequer, um papelzinho de bala nas arquibancadas. Este fato nos traz uma ínfima e desesperada esperança:

Se outros povos podem, se outros conseguem, por que não os brasileiros?

Uma colher de chá na insônia

As ervas são um mundo mágico, saboroso e medicinal. Abrangem plantas, flores, folhas, frutos, raízes, cascas e sementes. Desde sempre, as ervas acompanharam o homem nas alegrias, na morte, na saúde e na doença.

As receitas preciosas de chás, tisanas ou unguentos sempre foram segredos dos sábios, feiticeiras, monges e herbalistas conceituados.

Os jardins de ervas eram uma farmacopéia com alecrins cheirosos, rosas inigualáveis, açafrão, aniz, tomilho, e muitas outras preferidas de reis, rainhas e de estudiosos como Galeno e Dioscórides. Estes herbalistas, no auge do império romano, estudaram centenas de plantas e seus princípios ativos.

Na Índia, as ervas eram consideradas “filhas diletas dos deuses, só podiam ser colhidas por pessoas puras e piedosas e deviam crescer longe da vista humana e do pecado”, inAs Ervas do Sítio, Rosy L. Bornhausen, 5ª Edição.

É importante lembrar que os efeitos de todas as ervas dependem da boa qualidade do cultivo, armazenamento e validade.

Com estes nobres precedentes fica explicada a aura especial dos chás.
Os momentos de intimidade, a pausa silenciosa, a sensação de bem-estar e boa prosa presentes no ritual do chá podem apresentar “subprodutos” valiosos.
Um dia produtivo e uma postura positiva diante da vida regados regularmente com chás aromáticos podem gerar a “serragem” de uma noite boa.

Vale experimentar diariamente e, muito melhor, em boa companhia:

  • a versátil e cheirosa camomila — anthemis nobilis ou matricaria chamomilla — é o calmante imbatível na “receita da vovó” e a princesa de todas ervas;

 

  • tília — tilia platyphyllus — é uma árvore belíssima, muito resistente à poluição. As flores, ricas em néctar, são usadas em infusões calmantes;

 

  • lúpulo — humulus lupulus — é uma planta riquíssima! É usada na fabricação de cervejas e lhes dá o inconfundível sabor amargo. É o tempero da cerveja.
    Entre outras propriedades, é antibacteriana. Os cervejeiros costumam aconselhar uma cervejinha quando se tem dúvida da procedência da água ou do gelo. É valioso sedativo, aliviando a ansiedade e a insônia.

 

Urtiga: o Outro Lado da Folha

É sinônimo de queimação; da pobre urtiga (Urtica dioica) brotam os dolorosos derivados urticar, urticação, pois contém ácido fórmico e suas enzimas são parecidas com o veneno de cobra… mas é rica em vitamina C, ferro e magnésio; é diurética e antidiarréica, cura as infecções da boca e as aftas. Além de bonita, a urtiga é boa companheira para outras plantas, protegendo-as de predadores e atraindo insetos úteis.

Claro, as suas folhas devem ser manipulados com cuidado, pois podem irritar severamente a pele. Contudo, seu valor nutritivo equivale ao do espinafre e uma sopa de urtigas com batatas enriquece qualquer refeição.

A urtiga é uma erva ótima para a pele e os cabelos, combatendo eficazmente a caspa; um chá bem forte na água do banho deixa a pele macia e estimula a circulação. A máscara de urtiga rejunevesce e clareia a pele. Extratos podem ser usados para tratar artrite e anemia.

Curiosamente, algumas tribos usavam a planta como anestésico antes de cirurgias ou para aliviar a dor. Na Escandinávia, serve para fazer linha; na Sibéria, para papel e óleo. No Nepal e no norte da Índia é muito popular na cozinha combinada com temperos indianos. Na Europa, o extrato de urtiga é um ingrediente em vários doces, xaropes e licores.

No mundo mágico, as folhas atiradas ao fogo afastam os perigos e são poderosas como amuleto. Uma crença muito antiga diz que um ramo de urtiga debaixo da cama faz com que o paciente se recupere mais depressa.

Também as plantas nos ensinam: quem só enxerga espinhos não aproveita do coração!

Fontes: “As Plantas do Sítio” de Rosy Bornhausen (1995), Словари и энциклопедии на Академике (foto), Encyclopedia of Organic Gardening (2005).

Dantas Motta — o poeta maior

De Aiuruoca, MG, o magnífico poema

“Pássaro Solitário”

Alma,
Pássaro solitário,
Como é difícil abranger-te!
nem sei como defender-te!
Incomensurável que és.
Num só crepúsculo,
Passeias todas as paisagens,
Visitas todas as terras,
E te recolhes triste
À morada que te serve
De cárcere…