Rodes

A escolha das nossas viagens é, quase sempre, emocional! Já fomos a Mount Desert Island, no Maine (nordeste dos Estados Unidos), “só” para conhecer a casa, o jardim, o lugar onde Marguerite Yourcenar viveu, andou pelas ruas da pequena vila. As praias desertas e bravias nos levam a compreender a escolha da escritora. A viagem tornou-se inesquecível.

O Colosso de Rodes, desde que a professora de geografia — há muito, muito tempo 😉 — apontou no Mar Egeu aquela ilha, ficou rodando na cabeça. Fomos lá!

A vista da epônima capital de Rodes, a quarta ilha grega em tamanho, é majestosa. Cercada por muralhas, a cidade é salpicada de castelos. A entrada da cidade é através dos muros antigos.

Há cemitérios grego, turco, inglês, italiano e judeu, demonstrando a diversidade cultural da ilha. Os turcos já ocuparam Rodes, proibiram o ensino da língua grega, por isso a estrutura simplificada da gramática e do próprio dialeto. O apóstolo Paulo teria vivido na ilha.

O maior dos cemitérios é o dos soldados mortos na Segunda Guerra Mundial, nos causando perplexidade ao constatar a extensão das garras dos homens fazedores de guerras.

As praias são de pedras escuras, cujos recortes, em contraste com o mar, são belíssimos. Rhodos — Ρόδος: em grego, cobras — é uma pedreira única de uma beleza especial; era, claro, o habitat de cobras. A introdução desastrosa de cabras há mais ou menos 2500 anos acabou com toda a vegetação e com os pobres répteis…

O Colosso de Rodes é uma forte lembrança cercada de lendas e fantasias. Vimos, no porto, duas altas colunas com um cervo em cada lado, onde estariam as pernas de Hélio. A estátua, de 30 metros de altura,construída em bronze para celebrar a resistência aos ataques de Alexandre Magno, durou apenas 66 anos, sendo destruída por um terremoto em 226 a.C.

As peças de bronze ainda ficaram ao léu por muito tempo até que os vestígios desapareceram por completo. Há divergências quanto ao local exato da construção. Para nós, o ambiente enigmático, a força da cultura, o relevo geográfico, preencheram as lacunas da história.

Descemos para Lindos, uma Búzios grega; lá, as ruínas são impressionantes, já restaurados o templo de Atena e a imponente Acrópole por mestres italianos.

Curiosamente, nos vem uma lembrança paralela: uma dona de saltos altos tentando se equilibrar nas pedras das ruínas; os saltos esgarçados e o desconforto estampado no rosta da “intrépida” turista…

One thought on “Rodes

  1. vilma

    Viagens escolhidas sob tal critério tornam-se múltiplas, como uma íris gigante voltada para todo o corpo e dele transborda. As perpecpções de Rodes foram lindas de ler, imagino de sentir ao ver! mas apenas ler o nome Marguerite Yourcenar me catapultou para viagens através do tempo da história, ah, escolheram bem ir até um pedacinho dela, Maria.

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