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Jardinagem: A Solução Verde

The Butchart Gardens — um lugar especial onde existem 5 estações: primavera, verão, outono, inverno e… natal!

Está localizado na costa oeste do Canadá, em Vancouver Island. A antiga mina de calcário e fábrica de cimento da família Butchart transformou-se, gradualmente, em um paraíso pela idéia original e trabalho incansável de Jennie Butchart, que se rebelou contra a aridez do terreno.

É indescritível a emoção de percorrer aquelas alamedas. Basta dizer que se alguém tiver apenas um dia no Canadá, a visita ao Butchart Gardens vale a viagem!

Clique aqui para ter uma pálida idéia dos 220 mil metros quadrados deste jardim.

Histórias de Viagem: Vermont

Estávamos em Burlington, Vermont, a região das charmosas e românticas pontes cobertas (covered bridges), na costa leste dos Estados Unidos. Naquela agradável tarde de verão, entramos em uma rica livraria, aproveitando a excitante experiência para nós, abaixo do equador, de ter sol azul-alaranjado até mais tarde… demo-nos conta do adiantado da hora quando, já com as portas descidas, o vendedor nos colocou para fora gentilmente.

Fomos procurar um hotel e, logo, soubemos que havia um evento muito concorrido na pacata capital de Vermont, com aproximadamente 40.000 habitantes. Claro, não havia mais acomodações.

Bem, o jeito foi cair na estrada, pois havendo cidadinhas bem próximas umas das outras, iríamos encontrar rapidamente um pouso. Ledo engano! “No Vacancy” ou nem hotel havia. Fomos subindo, subindo a rodovia 36, onde percebíamos no reflexo dos faróis haver água às margens, mas não sabíamos se de rio ou lago. Entre boa prosa, risadas e promessas de reservar hotel na próxima vez (o que nunca fizemos nem antes, nem depois), passamos por vilarejos onde, pelo visto, ninguém pernoita. :-)

Já passava da meia-noite quando chegamos a um resort, muito bonito, com belos jardins feericamente iluminados, que nos deu alento… durou pouco. A recepcionista, com uma expressão um tanto espantada com aqueles viajantes-fantasmas, ou por causa disso, nos ofereceu café, suco e brownies, juntamente com a informação de que as reservas para o verão eram feitas com “apenas” um ano de antecedência.

Voltamos à estrada, sem placas ou qualquer indicação de destino, e já estávamos dispostos a chegar à fronteira do Canadá, quando surgiu uma luzinha indecisa, dependurada numa placa com algo parecido a “bed&breakfast”, de uma casa no estilão daquela de “Psicose” de Hitchcock; assim nos pareceu, mas tentaríamos ali, pois era madrugada e outras possibilidades de pouso já eram zero.

Batemos à porta. Apareceu um cara simpático e sonolento e, logo, estávamos numa cama grande e confortável.

Sempre acordo mais cedo em viagens, é um grande desperdício dormir. Examinei o quarto grande com uma kitchen completa, boas poltronas pra leitura, um banheirão! Abri, ainda como se sonhando, um cantinho da cortina e fechei imediatamente:
onde fomos parar?

Com a certeza de estar delirando, abri novamente a cortina: um lago azul infinito se estendia a poucos metros da varanda, muitas árvores, um deck de madeira com cadeiras convidativas avançava sobre a água. Corri até o lago antes que desaparecesse… enquanto o marido esfregava os olhos para se certificar daquela aparição.

Na realidade, havíamos aterrisado às margens do belíssimo Lake Champlain, numa pousada com seis apartamentos, conhecida por alguns privilegiados. Ficamos naquele paraíso, administrado nas férias de verão por aquele sonolento e boa-prosa professor universitário, por mais três inesquecíveis dias. Surgiram outros amigos, com os quais caminhamos, tomamos vinho e jantamos à beira do lago.

Até agora, anos depois, a sensação de encantamento ainda nos envolve.

Ali em Paris

…nem é preciso falar sobre Paris; basta deixar-se perder pelas ruas, contemplar a arquitetura secular e, incrivelmente, contemporânea; visitar, sem pressa, as galerias de arte, ouvir os músicos nas praças, perambular pelo Quartier Latin; ir passear, bem cedo, pelas alamedas do Père Lachaise… queremos falar de um lugar aliii pertinho — uma hora e meia de trem: Poitiers.

A cidade de Poitiers tem outras atrações, claro, mas para este passeio especial ao Parc du Futuroscope, localizado em Chasseneuil-du-Poitou, a 10km, pode-se adquirir um bilhete e passar um dia inteiro (equivalente a mil dias!). Parque temático sobre multimídia e tecnologia do cinema, algumas das atrações só podem ser vistas lá. A cidade abriga, ainda, um pólo tecnológico para empresas emergentes daquelas especialidades.

No Futuroscope, na década de 90, já podia-se assistir, por exemplo, a filmes 3D e até 4D! Era mesmo “o futuro” na ficção científica… foi um “Avatar” precoce. Muita gente deu pulos na sala, tentando se desviar de objetos voadores. :-) Outra demonstração impressionante: acendeu-se uma luz por detrás da tela, mostrando um funcionário limpando o palco; logo depois, a tela foi levantada, mostrando o palco vazio — era um filme 3D projetado a 60 quadros por segundo! Isto só uma palinha de nada…

… é um mundo encantado onde as salas de projeção de filmes de todos os tipos se transformam em florestas, em sacolejantes terremotos, em aquários com pisos de vidro… com os mais avançados recursos tecnológicos, o Futuroscope nos transporta a um universo onde a ciência brinca de magia e a realidade fantástica nos mantém suspensos e absolutamente admirados.

 

 

Um pulo a Portugal (Última Parte)

Depois do leitão crocante, seguimos para o norte até a cidade do Porto. Para provar o seu delicioso vinho, vale o passeio pelas vinícolas no vale do Rio Douro. Um passeio sem rumo pelo centro histórico é muito agradável. A Fundação Serralves tem uma importante coleção de arte em meio a um belo parque. A praça central do Porto é no mesmo estilo da de Praga.

Seguimos até Braga para visitar o Mosteiro de Tibães. Infelizmente, não são permitidas visitas no horário de almoço (duas horas!) apesar de os funcionários permanecerem no local! Foi uma pena; parece muito interessante.

Barcelos é um lugarzinho delicioso. De lá provém todos esses galinhos coloridos nos mais variados estilos, até o galo de Gaudí. É bem limpa, ruínas arqueológicas, um jardim com portais do Séc. XVIII e amor-perfeito em profusão. Foi uma bela surpresa.

Dirigimo-nos à Galícia, província espanhola onde se fala um dialeto similar ao português, com destino a Santiago de Compostela. Passamos por Viana do Castelo, que está às margens do Rio Lima, com uma bela ponte construída por Auguste Eiffel, o mesmo da torre de Paris. Caminha é uma cidade à beira-mar, com casas muito boas; um lugar muito agradável.

Já na fronteira com a Espanha, passamos por Valença, Tui e, margeando Vigo, chegamos a Pontevedra. Daí, foi um estirão ansioso para chegar a Compostela. Hoje, uma cidade moderna e bem movimentada, por isso fomos diretamente para a Catedral, simplesmente indescritível. A praça é majestosa com suas edificações antigas; uma delas foi transformada no Hotel dos Reis, com uma “caverna” onde funciona um bom restaurante. Se não for para hospedagem, vale tomar um bom vinho lá. O turíbulo da catedral é magnífico. A qualquer custo ;-) deve-se esperar a missa dos peregrinos, em geral às 19:00, onde os frades fazem-no balançar no adro da catedral, espalhando o incenso. É inesquecível.

Um pulo a Portugal (2a. Parte)

Continuando nosso passeio por Portugal, passamos por Cascais, a Cabo Frio dos portugueses; não nos impressionou, já que o litoral brasileiro é inigualável.

Sintra lembra Ouro Preto; tem montanhas, é muito agradável, arborizada, as casas antigas muito bonitas. O Parque da Pena (um tipo de planta) foi cuidado por D. Fernando II, um rei visionário; seus engenheiros de minas pesquisaram, descobriram e cuidaram das nascentes da região, muitas são hoje belos lagos. A vegetação é exuberante. Dentro do parque está o castelo de verão do rei. É uma construção muito interessante que “acompanhou” a natureza, não tendo formas rígidas. O banheiro é bem avançado e moderno para a época. A cozinha é enorme, com panelas de cobre em tamanho gigante. O castelo funcionou até por volta de 1920 com a rainha Amélia, muito dinâmica e progressista.

Mafra, lá está a edificação que José Saramago descreve tão bem no “Memorial do Convento”. Convento, basílica e palácio foram construídos entre 1717 e 1730. São 880 salas, 154 escadas e mais de quatro mil portas e janelas em estilo barroco. Se quiser ver as famosas rendeiras de bilro, passe por Peniche. Em Cabo Carvoeiro há formações calcáreas que formam esculturas naturais.

Óbidos, considerada uma das maravilhas de Portugal, tem muralha na qual se pode contornar a pé; do alto, as ruelas, as lojinhas parecem um presépio. Lá entra-se apenas a pé, aliás é uma idéia que deveria se estender a todas as cidades antigas.

Alcobaça é conhecida pelo grandioso mosteiro. A igreja se destaca pelas dimensões exageradas, com três naves em forma de cruz.

Em Batalha o magnífico mosteiro, ainda em função; externamente, lembra a Sagrada Família de Gaudí. As Capelas Imperfeitas, inacabadas, são riquíssimas. Uma jóia que merece maiores cuidados, é outra das maravilhas de Portugal. Por sorte, assistimos a uma apresentação de cantores em trajes típicos, formando um coral de vozes femininas e masculinas.

Leiria, aqui tivemos notícia de um restaurante cujas refeições duram, pelo menos, cinco horas. A catedral, bem iluminada à noite, domina toda a cidade.

Na região de Ourém, Fátima se transformou em um grande centro turístico e hoteleiro. As desapropriações dos terrenos deixaram milhares de pessoas sem teto e sem indenização. Praticamente tudo na cidade pertence aos padres e às freiras. A basílica e adjacências são isentas de impostos, sendo um fato polêmico para muitos portugueses. Deve-se chegar bem cedo para curtir a praça imensa, a igreja moderna, cujos murais externos impressionam. Muito interessante o setor de reconciliação, com confessionários e padres das mais diversas nacionalidades. Por volta de 9:00 horas o número de peregrinos já é bem grande. Dia 13 de cada mês comemora-se a data das aparições, com multidões acorrendo à basilica.

O caminho até Coimbra é coberto de plantações, principalmente de uva. Há casas muito boas ao longo da rodovia; qualquer pedaço de terra está semeado. São vilas em seguida de outras. Na Universidade de Coimbra tem a Biblioteca Joanina, revestida em ouro, que possui um dos mais belos acervos de livros e manuscritos do mundo. A menos de uma hora fica Aveiro, a “Veneza Portuguesa” e seus doces feitos com ovos.

Mais ao norte, em Mealhada, criam-se leitões e há dezenas de restaurantes que servem a iguaria. Entramos em vários e escolhemos o Restaurante Típico da Bairrada. É muito limpo, mais tranquilo, as senhoras garçonetes usam saias plissadas. O atendimento é cordial e o leitão crocante. Vale a pena a parada.

(continua…)

Um pulo a Portugal

É o lugar para viajar sem destino… e bem seguro. Os vilarejos, próximos uns dos outros, tem nomes divertidos: Encarnação, Pedro da Cadeira; Avelãs do Caminho, uma graça de lugar; a cozinha portuguesa é muito boa e na rodovia há “vendinhas” de frutas da época – no caso, deliciosas cerejas – biscoitos típicos, “bolachão” de amendoim, etc..

De Lisboa a Santiago de Compostela (na Espanha) são 500Km – menos do que de Belo Horizonte a Guarapari. A catedral, por si só, vale a visita. No trajeto, há lugares ricos em história, bons restaurantes e, ainda, muito verde.

Primeiro, vamos passear um pouco em Lisboa; o centro, como o de todas cidades antigas, é para andar a pé. Descobrimos o Parque Eduardo VII com refrescante espelho d’àgua e magníficas esculturas de Baltasar Lobo, bem como a famosa “Maternidade” de Fernando Botero. Perto, também, “El Corte Inglés”, o “grande armazém” espanhol, onde se pode comprar os deliciosos amendroados.

Na ponta do parque, a Praça Marquês de Pombal, com canteiros largos, arborizados, com a presença robusta dos grandes portugueses: Herculano, Almeida Garrett e outros. Dali, chega-se ao Rossio, cujo elevador para o Bairro Alto é uma peça de arte. O Marquês de Pombal “aproveitou” o devastador terremoto de 1755 para modernizar Lisboa, saneando a cidade e construindo quarteirãos regulares, com praças e avenidas largas na “Baixa”. Os lampiões, o Arco, as lojinhas antigas, tudo muito agradável e pitoresco, sem tráfego de veículos.

Os bairros Alto e Chiado devem ser percorridos com calma, as casas e prédios são bem conservados e as ruas limpas.

As ruínas do Convento do Carmo, destruído no terremoto, despertam a imaginação e de lá avista-se a interessante geometria dos telhados.

Em Lisboa há um jardim onde se pode deixar as plantas, especialmente bonsai, quando a pessoa viaja. Hotel para plantas! Neste mesmo local a atividade “viver os jardins”, onde a família escolhe um canteiro, semeia flores e ervas, colhendo-as depois. É uma forma de cultivar os laços familiares, pois não?

Obrigatória a visita ao CCB – Centro Cultural de Belém, um edifício moderno com exposições, lojas, teatros e espaços ao ar livre, construído com as mesmas pedras do magnífico vizinho Mosteiro dos Jerônimos. A poucos metros, os pastéis de Belém, os melhores da região, numa pastelaria típica.

No CCB havia uma exposição da emigração portuguesa para a França. Eram quadros vivos, onde os visitantes, dirigidos por três moças, faziam as atividades dos emigrantes: deram-nos baldes para buscar água, para percorrer os obstáculos no caminho; havia colchonetes para dormir ao relento; tínhamos de carregar as malas, armar o tripé para o café, atiçando a fogueira e vestidos de roupas antigas. É uma experiência única. Assim, pode-se vivenciar um milionésimo de um dia do emigrante.

O nosso gentil amigo lisboeta, Pedro Aniceto, levou-nos ao Cristo Redentor português, uma capela com duas altas torres que se unem com o Cristo. Para quem não tem Corcovado foi uma boa idéia.

Imperdível é o Oceanário no Parque das Nações. Um passeio para se fazer sem pressa. São 16 mil peixes dos mais variados e coloridos. As lontras são graciosas e calmas. Tente aproveitar o ritmo do aquário e aproveitará muito em relaxamento. Os ansiosos podem ter dificuldade no início, mas o resultado é compensador.

Indescritível e sério é o trabalho de manutenção do aquário gigante pelos biólogos e pessoal especializado. Mergulhadores distribuem alimentação variada e específica para cada tipo de peixe; o comportamento e saúde de todos os seres vivos são acompanhados rigorosamente.

Neste Parque das Nações há lojas, restaurantes, e o Jardim das Águas. Apesar de descuidado, o projeto deste jardim é sensacional. São aparelhos movidos a água, desde o monjolo até o parafuso de Archimedes (séc. III a.C.). Este é um engenho instigante e atual.

O Museu Calouste Gulbenkian é muito rico e agradável: a arquitetura, as obras de arte, móveis, louças, livraria e CDs. É imperdível.

Os portugueses tem um “arrepio” com os espanhóis, como brasileiros e argentinos. Costumam dizer:

Da Espanha não se espera
bom vento
nem bom casamento.

(continua…)

Rodes

A escolha das nossas viagens é, quase sempre, emocional! Já fomos a Mount Desert Island, no Maine (nordeste dos Estados Unidos), “só” para conhecer a casa, o jardim, o lugar onde Marguerite Yourcenar viveu, andou pelas ruas da pequena vila. As praias desertas e bravias nos levam a compreender a escolha da escritora. A viagem tornou-se inesquecível.

O Colosso de Rodes, desde que a professora de geografia — há muito, muito tempo ;-) — apontou no Mar Egeu aquela ilha, ficou rodando na cabeça. Fomos lá!

A vista da epônima capital de Rodes, a quarta ilha grega em tamanho, é majestosa. Cercada por muralhas, a cidade é salpicada de castelos. A entrada da cidade é através dos muros antigos.

Há cemitérios grego, turco, inglês, italiano e judeu, demonstrando a diversidade cultural da ilha. Os turcos já ocuparam Rodes, proibiram o ensino da língua grega, por isso a estrutura simplificada da gramática e do próprio dialeto. O apóstolo Paulo teria vivido na ilha.

O maior dos cemitérios é o dos soldados mortos na Segunda Guerra Mundial, nos causando perplexidade ao constatar a extensão das garras dos homens fazedores de guerras.

As praias são de pedras escuras, cujos recortes, em contraste com o mar, são belíssimos. Rhodos — Ρόδος: em grego, cobras — é uma pedreira única de uma beleza especial; era, claro, o habitat de cobras. A introdução desastrosa de cabras há mais ou menos 2500 anos acabou com toda a vegetação e com os pobres répteis…

O Colosso de Rodes é uma forte lembrança cercada de lendas e fantasias. Vimos, no porto, duas altas colunas com um cervo em cada lado, onde estariam as pernas de Hélio. A estátua, de 30 metros de altura,construída em bronze para celebrar a resistência aos ataques de Alexandre Magno, durou apenas 66 anos, sendo destruída por um terremoto em 226 a.C.

As peças de bronze ainda ficaram ao léu por muito tempo até que os vestígios desapareceram por completo. Há divergências quanto ao local exato da construção. Para nós, o ambiente enigmático, a força da cultura, o relevo geográfico, preencheram as lacunas da história.

Descemos para Lindos, uma Búzios grega; lá, as ruínas são impressionantes, já restaurados o templo de Atena e a imponente Acrópole por mestres italianos.

Curiosamente, nos vem uma lembrança paralela: uma dona de saltos altos tentando se equilibrar nas pedras das ruínas; os saltos esgarçados e o desconforto estampado no rosta da “intrépida” turista…

Istambul

A Turquia é a terra onde pode-se ir mil vezes… é fascinante. Os bazares são um mundo de sons, cores e cheiros. Os queijos enormes, colméias inteiras, doces e especiarias inigualáveis. A gente é bonita e os homens especialmente cavalheiros.

A visita à Hagia Sophia, à Mesquita Azul e ao misterioso Topkapı – residência do sultão – se equipara a uma maravilhosa peregrinação, quando se vai pela primeira vez. Porém, há um lugar impressionante nem tanto frequentado por turistas: a Cisterna da Basílica, restaurada há 20 anos, é um retângulo de 10.000 m² e 8 m de altura, sustentado por 336 colunas bem abaixo da rua.

Estes reservatórios, muito antigos, eram a provisão de água da cidade e estratégia de conservação, porque o inimigo atacava primeiramente os aquedutos. A água nessas cisternas chegava ao teto.

Atualmente fizeram passarelas para o visitante percorrer todo o espaço. O nível de água é baixo; se criam carpas para a limpeza do reservatório e sinalizar vazamentos.

Essa cisterna tem a “Coluna das Lágrimas”, que veio de Creta, é esverdeada e cheia de “olhos” que minam as lágrimas dos escravos, daí o nome; há duas colunas que se apoiam numa cabeça de Medusa. Esta base, segundo a lenda, foi colocada de cabeça para baixo por Constantino, para demonstrar que os deuses pagãos estavam mortos. Outros afirmam que a intenção era neutralizar o olhar mortal da Medusa.

Em um canto, há um pequeno palco para concertos para um número reduzido de pessoas. A construção da cisterna é engenhosa, no estilo catedral, com dezenas de colunas e arcos realçados pela iluminação.

A lembrança deste lugar nos leva lá de volta trazendo a mesma sensação de sossego e encantamento.

Gente valente

Fomos ao Texas e, descuidados, não consultamos o poderoso Sr. Clima; de costa a costa, com raras exceções, as temperaturas beiravam 104°F (40°C). Foi a primeira vez que estivemos lá no verão… e fizemos meia volta para fugir do calor escaldante.

Não comunicamos nossa volta a ninguém; assim tínhamos mais dias de férias, fomos para um hotel e experienciamos certo exílio: sim, pois sabíamos que o telefone não tocaria, não haveria visitas – um dos bons hábitos em Minas – nada de almoços coletivos, nem cafézinhos com prosa…

Descobrimos, aqui mesmo, lugares interessantes num bairro completamente desconhecido. Vimos o quanto a gente se apega à padaria, ao sacolão, à cabeleireira, à próxima esquina; como limitamos o círculo de convivência!

Deste nosso venturoso degredo pude avaliar a valentia de dois queridos amigos: M. e R. (invejando Freud ;-) ). Ambos com faccia e coragem pediram as contas, juntaram um mínimo de tralha e foram-se… cada um, absolutamente, por sua conta e risco.

M. para Buenos Aires e R. para Paris. Estabeleceram-se nestas outras plagas, conquistaram amigos e boa colocação profissional (sem QI algum!). A certeza de ter as pessoas, o trabalho, a roda na pizzaria forma uma rede reconfortante que eles deixaram para trás.

Nas nossas andanças anônimas por aqui pude avaliar que a aventura dos meus amigos pode parecer meramente romântica, contudo os desafios da cidade grande e da língua estranha exigem boa dose de autosuficiência, determinação.

Este ir e vir solitário, incluindo todas as atividades e decisões, não é pra qualquer mortal. Certamente é uma bela aventura e pode ser um meio – talvez o único – de nos virar pelo avesso e de nos fazer sair de um mundinho morno e, muitas vezes, medíocre.

Amigos M. e R., posso concluir que o impulso para uma corajosa virada só pode ser

…ou uma lança atravessada no peito ou uma esperança desvairada…

Museu John Kennedy

Dallas desperta a curiosidade sobre o assassinato.

O prédio de 7 andares, estrategicamente na esquina, era um depósito de material escolar, onde Lee Oswald fora trabalhar 40 dias antes (!). Perto da janela do 6º andar ainda estão empilhadas as caixas de livros (cercadas por vidro temperado) que serviram de apoio e mira.

O prédio todo foi transformado em museu e conserva a aura de suspense e mistério.

É muito interessante acompanhar a trajetória dos ilustres visitantes, o contraste entre o povo vibrando nas ruas, a elegância de Jacqueline, o recebimento de flores, os acenos e efusivos cumprimentos e, segundos depois, o imponderável (ou não?) desfecho na curva da Elm Street com Dealey Plaza. Há marcas (X) na pista onde os tiros alcançaram o presidente.

Este filme já foi visto inúmeras vezes, ainda assim, a sequência dos acontecimentos e a tragédia ainda é emocionante. Já foi dito que Jacqueline – ela disse não se lembrar absolutamente – foi de gatinhas recolher os miolos de Kennedy; contudo, a intenção era ajudar um segurança a subir no carro.

A visita ao museu mostra claramente:

  • o conflito entre as autoridades federais, estaduais e locais para lidar com o caso, prejudicando a investigação;
  • o corpo de Kennedy foi disputado “a tapas” do instituto médico legal por diferentes departamentos reivindicadores;
  • teorias divergentes sobre o número de balas; inexplicavelmente apenas uma bala foi encontrada na maca do hospital para onde foi levado o governador do Texas, gravemente ferido;
  • Jack Ruby – o assassino de Lee Oswald – tinha livre trânsito na delegacia que investigaria o caso;
  • a discordância sobre quais peritos fariam a autópsia e a escolha inicial de apenas um deles;
  • o trajeto do presidente, com a posição e o número de automóveis, foi publicado detalhadamente nos jornais com bastante antecedência.

Estas questões, dentre muitas outras, deixam mais dúvidas do que respostas. Ninguém poderá fornecer, com certeza, as conclusões elucidativas.

Curiosamente, consta John Kennedy ter comentado com Jacqueline “nós estamos numa terra de malucos;” (“nut country”, em tradução livre), “se alguém quiser me matar, ninguém poderá impedir”.

Fica, à saída do museu, a sensação de desperdício de vidas humanas e as imagens do funeral trazem profundo sentimento de desvalia…