Arquivo do Mês para outubro, 2010

Terapia Hoffman

Melhor que uma livraria, só o sebo! Nas escavações, com aquele cheiro peculiar, é possível descobrir livros já perdidos e injustamente abandonados.

A gente vai pulando de pilhas em pilhas e a tarde se esvai num virar de páginas…

Do fundo da estante aparece Bob Hoffman, autor de “Terapia Hoffman da Quaternidade” (1982).

Para quem vivenciou a “febre do Processo” em Belo Horizonte, é ótimo para matar as saudades. Foi uma fase interessantíssima; ninguém ficou indiferente.

Ainda que a origem da técnica de Hoffman tenha sido mensagens recebidas de um neurologista falecido, Dr. Siegfried Fischer, fenômeno no qual não acreditamos, a técnica e métodos não podem ser invalidados. Os resultados são surpreendentes e especialistas recomendam “uma leitura crítica, análise e investigação”, pois no progresso científico não tem lugar para verdades absolutas. Porém não é esta a questão destas linhas.

Queremos relembrar aos participantes e apresentar para quem não conhece a aventura do Fischer-Hoffman.

Bob esteve aqui em Belo Horizonte; era cordial, simpaticíssimo, de um bom humor contagiante e irresistível. O Processo se espalhou pelo Chile com Claudio Naranjo, Espanha, Israel, Índia, Estados Unidos e, claro, Brasil.

Era uma maratona de 13 (!) semanas. Depois, este esquema foi bem reduzido. Preferencialmente, os participantes teriam de ficar, nestas semanas, longe da família… amigos se hospedaram nas casas uns dos outros e as experiências compartilhadas intimamente.

O Processo se fazia por estágios e só se passa ao seguinte se bem resolvido o anterior. Havia acusação e defesa da mãe e do pai separadamente; a defesa é a da criança que os pais foram. Havia, inclusive, o catártico enterro simbólico da mãe e do pai, que levavam consigo o amor negativo.

Os pais são absolvidos e a hostilidade infantil a eles desaparece totalmente. (pag.92, 1ª Ed. Bras.)

Havia, ainda, o renascimento em que o divórcio amoroso da mãe e do pai se confirmam. O ponto culminante era a festa para as brincadeiras, preparada com carinho, onde tudo é repartido. Os que não sabiam, ou não conseguiam brincar, são contagiados e participam.

O Processo descobre o “eu alegre, escondido há muito tempo”; saber ou aprender a brincar juntos é um bem valioso. Se a criança não experienciou “a brincadeira positiva”, é impossível desfrutar a riqueza do divertimento adulto (pag.182, op.cit.).

Testemunhas em amigos e em nós mesmos mudanças profundas depois do Processo. Bons tempos, boas lembranças!

Pequenas diferenças: mulheres e homens

Ainda para a sexta-feira.

O homem faz um convite à mulher…

(outras aqui…)

Poema

Carlos Drummond de Andrade

Para uma sexta-feira, do Poeta:

O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mundo é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O mundo é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

Rodes

A escolha das nossas viagens é, quase sempre, emocional! Já fomos a Mount Desert Island, no Maine (nordeste dos Estados Unidos), “só” para conhecer a casa, o jardim, o lugar onde Marguerite Yourcenar viveu, andou pelas ruas da pequena vila. As praias desertas e bravias nos levam a compreender a escolha da escritora. A viagem tornou-se inesquecível.

O Colosso de Rodes, desde que a professora de geografia — há muito, muito tempo ;-) — apontou no Mar Egeu aquela ilha, ficou rodando na cabeça. Fomos lá!

A vista da epônima capital de Rodes, a quarta ilha grega em tamanho, é majestosa. Cercada por muralhas, a cidade é salpicada de castelos. A entrada da cidade é através dos muros antigos.

Há cemitérios grego, turco, inglês, italiano e judeu, demonstrando a diversidade cultural da ilha. Os turcos já ocuparam Rodes, proibiram o ensino da língua grega, por isso a estrutura simplificada da gramática e do próprio dialeto. O apóstolo Paulo teria vivido na ilha.

O maior dos cemitérios é o dos soldados mortos na Segunda Guerra Mundial, nos causando perplexidade ao constatar a extensão das garras dos homens fazedores de guerras.

As praias são de pedras escuras, cujos recortes, em contraste com o mar, são belíssimos. Rhodos — Ρόδος: em grego, cobras — é uma pedreira única de uma beleza especial; era, claro, o habitat de cobras. A introdução desastrosa de cabras há mais ou menos 2500 anos acabou com toda a vegetação e com os pobres répteis…

O Colosso de Rodes é uma forte lembrança cercada de lendas e fantasias. Vimos, no porto, duas altas colunas com um cervo em cada lado, onde estariam as pernas de Hélio. A estátua, de 30 metros de altura,construída em bronze para celebrar a resistência aos ataques de Alexandre Magno, durou apenas 66 anos, sendo destruída por um terremoto em 226 a.C.

As peças de bronze ainda ficaram ao léu por muito tempo até que os vestígios desapareceram por completo. Há divergências quanto ao local exato da construção. Para nós, o ambiente enigmático, a força da cultura, o relevo geográfico, preencheram as lacunas da história.

Descemos para Lindos, uma Búzios grega; lá, as ruínas são impressionantes, já restaurados o templo de Atena e a imponente Acrópole por mestres italianos.

Curiosamente, nos vem uma lembrança paralela: uma dona de saltos altos tentando se equilibrar nas pedras das ruínas; os saltos esgarçados e o desconforto estampado no rosta da “intrépida” turista…