Arquivo do Mês para julho, 2010

Uma artista ímpar!

Uma pessoa especial nos apresentou Linda Huber. Seus desenhos são inigualáveis, surpreendem a cada vez!

Para momentos de puro encantamento clique aqui. Veja só:

Jean-Yves Leloup: Os pés

Observando os pés podemos sentir se há problemas: são muito frágeis, há ferimentos ou marcas, os odores são agradáveis ou não; os pés podem responder as questões sobre o prazer de viver, de sentir prazer e amar. Há pessoas que nunca sentem prazer. Esta sensação é dificil para elas.

Os pés são raízes; se recebemos raízes talvez possamos transmiti-las aos outros. Os pés têm plantas; a “planta dos pés” clama por raízes:

— de onde venho? Nunca me sinto em meu lugar? É dificil, para mim, ter os pés na terra? O meu mundo não é a minha pátria, minha mátria… É necessário reencontrar os nossos dois pés, os dois pés na terra…

Para o psicólogo Paul Diel, o pé é o símbolo da nossa força. É o suporte para permanecermos eretos.

Hermes, o mensageiro dos deuses, tinha os pés alados. Esta simbologia é a da individuação. Podemos passar do pé de Édipo – do grego Οἰδίπους, ter tornozelos inchados – para o pé alado de Hermes. É o caminho da transformação!

Os cuidados, os banhos, as massagens ajudam a escorrer as fadigas e tensões dos pés, para as pessoas doentes é um verdadeiro alívio.

Se escutam a terra, os pés nos enraizam. Na África, o pé é o ponto de apoio do corpo no mundo. É um símbolo de poder. Se os pés estão bons, a cabeça funciona bem.

E Leloup conclui: o equilíbrio do corpo depende de nossas raízes, se o enraizamento é sadio, toda a árvore é sadia!

(vide resenha anterior de O Corpo e Seus Símbolos)

Poema

Guilherme de Almeida

Minha melhor lembrança é esse instante no qual
Pela primeira vez me entrou pela retina
Tua silhueta provocante e fina
Como um punhal.

Depois passaste a ser unicamente aquela
Que a gente se habitua a achar apenas bela
E que é quase banal
Agora que te tenho em minhas mãos e sei
Que os teus nervos se enfeixam todos em meus dedos
E os teus sentidos são cinco brinquedos com que brinquei
Agora que não mais me és inédita
Agora compreendo que tal como te vira outrora
Nunca mais te verei…
Agora que de ti por muito que me dês
Já não podes dar a impressão que me deste
A primeira impressão que me fizeste.
Louco talvez
Tenho ciúme de quem não te conhece ainda
E cedo ou tarde, te verá, pálida e linda
Pela primeira vez!

Museu John Kennedy

Dallas desperta a curiosidade sobre o assassinato.

O prédio de 7 andares, estrategicamente na esquina, era um depósito de material escolar, onde Lee Oswald fora trabalhar 40 dias antes (!). Perto da janela do 6º andar ainda estão empilhadas as caixas de livros (cercadas por vidro temperado) que serviram de apoio e mira.

O prédio todo foi transformado em museu e conserva a aura de suspense e mistério.

É muito interessante acompanhar a trajetória dos ilustres visitantes, o contraste entre o povo vibrando nas ruas, a elegância de Jacqueline, o recebimento de flores, os acenos e efusivos cumprimentos e, segundos depois, o imponderável (ou não?) desfecho na curva da Elm Street com Dealey Plaza. Há marcas (X) na pista onde os tiros alcançaram o presidente.

Este filme já foi visto inúmeras vezes, ainda assim, a sequência dos acontecimentos e a tragédia ainda é emocionante. Já foi dito que Jacqueline – ela disse não se lembrar absolutamente – foi de gatinhas recolher os miolos de Kennedy; contudo, a intenção era ajudar um segurança a subir no carro.

A visita ao museu mostra claramente:

  • o conflito entre as autoridades federais, estaduais e locais para lidar com o caso, prejudicando a investigação;
  • o corpo de Kennedy foi disputado “a tapas” do instituto médico legal por diferentes departamentos reivindicadores;
  • teorias divergentes sobre o número de balas; inexplicavelmente apenas uma bala foi encontrada na maca do hospital para onde foi levado o governador do Texas, gravemente ferido;
  • Jack Ruby – o assassino de Lee Oswald – tinha livre trânsito na delegacia que investigaria o caso;
  • a discordância sobre quais peritos fariam a autópsia e a escolha inicial de apenas um deles;
  • o trajeto do presidente, com a posição e o número de automóveis, foi publicado detalhadamente nos jornais com bastante antecedência.

Estas questões, dentre muitas outras, deixam mais dúvidas do que respostas. Ninguém poderá fornecer, com certeza, as conclusões elucidativas.

Curiosamente, consta John Kennedy ter comentado com Jacqueline “nós estamos numa terra de malucos;” (“nut country”, em tradução livre), “se alguém quiser me matar, ninguém poderá impedir”.

Fica, à saída do museu, a sensação de desperdício de vidas humanas e as imagens do funeral trazem profundo sentimento de desvalia…